sábado, 2 de outubro de 2010

O fim da trilogia

E com essa publicação chego ao fim da trilogia de posts com textos de Elis Kauahara. Não por mim, claro, mas por falta de textos publicados por ela mesma. Enfim, um dia o fim chega, ele chegou (relembrando uma antiga citação minha). O texto de Kauahara não tem título, e será esse o título dele. Sem título. E vamos a ele:

Fisicamente exausta, mas sua mente não se consegue manter quieta nem sequer por um instante, acelerada, agoniada e ainda assim, calma. Um ritmo diferente do que ela consegue enxergar à sua volta, e à minutos atrás, pensava se o que ela faz ao mundo realmente volta. Já sentada, vestida de maneira confortável, tentando distinguir o que sonhara, do real. Fecha os olhos e os aperta com força, abre-os e vê que tudo permanece, nada se pulveriza como ela tanto esperava. Sensações infandas e inefáveis sendo vividas em conjunto, os extremos ocupando o mesmo lugar, o mesmo momento, fazendo parte da mesma ideia e da mesmo pessoa. Ansiava conhecer mais, mas tinha aversão a si própria por não conhecer menos, queria se fazer inocente, pois admirava inocência, tentou continuar mesmo sabendo que era em vão, já não se importava se regredisse ou progredisse, só não desejava estar lá. Perdera seu ego e assim já não sentira mais dor, sua verdade não era única e ela sempre se contentou com tão pouco, ela sempre se contenta com tão pouco, ela sempre se contentará com tão pouco, ela queria só por um momento ser suficiente.

Elis Kauahara.

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