sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Zélia e Takai duetam em disco produzido por Ulhoa


A cantora Fernanda Takai (do grupo Pato Fu) fará dueto com Zélia Duncan em faixa de seu novo Cd (produzido por John Ulhoa em parceiria com Beto Villares). Zélia iniciou as gravações do novo disco no estúdio de Fernanda e John na cidade de Belo Horizonte (MG) e as encerrará em São Paulo sob a batuta de Villares até o final de março. O disco sai em meados de 2009.

Calcanhotto registra sua "Maré" em DVD.


Maré, o novo show de Adriana Calcanhotto, como era de se esperar, ganhará registro em DVD. A gravação acontecerá ao longo de 2009 em apresentações do espetáculo - que estreou em maio de 2008 na Argentina - e será o terceiro projeto em DVD gravado por Adriana (a cantora já havia lançado em 2000 Cd e VHS - depois reeditado para DVD - o show Público e o projeto infantil Adriana Partimpim - O Show de 2004).

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Show em homenagem a Paulinho vira disco.


Atração apresentada pelo Sesc Pinheiros (SP) em julho de 2008, o show Elas Cantam Paulinho da Viola vai ganhar formato de disco, editado pela gravadora Lua Music neste ano de 2009. O show uniu as vozes das cantoras Alaíde Costa, Célia, Cida Moreira, Fabiana Cozza e Milena para reviver a obra do compositor. No roteiro, pérolas como "Sinal Fechado", "Tudo se Transformou", "Coração Leviano", "Nada de Novo" e "Coisas do Mundo, Minha Nega", entre outras pérolas do cancioneiro de Paulinho. O show teve a direção de Thiago Marques Luiz e deve chegar as lojas em formato de Cd ainda neste semestre.

Áurea obra de Paulinho em "Coração Leviano"


A bela capa ao lado é, à rigor, a única grande novidade da coletânea Coração Leviano de Paulinho da Viola, ora editada pela EMI Music. A coletânea dupla reúne ao todo 28 gravações feitas pelo compositor entre 1968 e 1979. No disco figuram hits óbvios ("Argumento", "Coração Leviano", "Foi um Rio que Passou em Minha Vida", "Guardei Minha Viola", "No Pagode do Vavá" e "Sinal Fechado") e um ou outro fonograma mais desconhecido como "Na Onda da Noite" e a releitura de "Acontece" (o belíssimo samba lançado por Cartola).
O disco é indicado somente para os ouvintes iniciantes da sublime obra do compositor, hoje, bisexta.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Para o Carnaval


Uma homenagem da minha quridíssima Fernanda Young para o Carnaval! Dá-lhe Fernanda.

Para o Carnaval

Todo ano é a mesma coisa: você chega, fica aqui três dias e aí vai embora. Volta um ano depois, todo animadinho, querendo me levar para a gandaia. Olha, honestamente, cansei.
Seus amigos, bando de mascarados, defendem você. Dizem que sempre foi assim, festeiro, brincalhão, mas que no fundo é supertradicional, de raízes cristãs, e só quer tornar as pessoas mais felizes.
Para mim? Carnaval, desengano... Você recorre à sua origem popular e incentiva essas fantasias nas pessoas, de que você é o máximo, é pura alegria, mas não passa de entrudo mal-intencionado, um folguedo, que nunca viu um dia de trabalho na vida.
Acha-se a coisa mais linda do mundo e é cafonice pura. Vive desfilando pelas ruas, junto com os bêbados, relembrando o passado. Chega a ser triste.
Carnaval, você tem um chefe gordo e bobalhão que se acha um rei, mas não manda em nada. Nunca teve um relacionamento duradouro. Basta chegar perto de você e temos que agüentar aquelas fotos de mulheres nuas, que são o seu grande orgulho.
Você não tem vergonha, não?
Sei que as pessoas adoram você, Carnaval, mas eu estou cansada dos seus excessos e dessa sua existência improdutiva. Seja menos repetitivo, proponha algo novo. Desde que o conheço, você gosta das mesmas músicas. Gosta de baile. Desculpa, mas estou pulando fora.
Será que essa sua alegria toda não é para esconder alguma profunda tristeza? Será que você canta para não chorar? Tentei, várias vezes, abordar essas questões, e você sempre mudou de assunto. Ora, chega dessa loucura. Reconheça que você se esconde atrás de uma dupla personalidade.
Cada vez mais e mais pessoas ficam incomodadas com essa sua falsa euforia, fique sabendo. Conheço várias que fogem, querendo distância das suas brincadeiras.
Você oprime todo mundo com esse seu deslumbramento excessivo diante das coisas, sabia?
Por exemplo, essa sua mania de camarote. Onde os vips podem suar sem que isso pareça nojento. Onde se pode falar torto sem que seja errado. Todos vestidos de uniforme, senão não entram. Todos doidos para passar a mão na bunda um do outro.
Essa é a sua idéia de curtir a vida?
Menos purpurina, Carnaval. Menos bundas, menos dentes para fora. A vida é linda, mas a “lindeza do lindo mais lindo que há no lindíssimo” é um saco. Um pouco de calma e autocrítica nunca fez mal a ninguém. Tudo muda no mundo – por que você insiste em continuar o mesmo?
A harmonia vem da evolução, não das alegorias. Chegou a hora de rodar a baiana para não atravessar na avenida.
Como será amanhã? Responda quem puder.


Fernanda Young.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O Brasileiro Merece


Nunca escondi o quanto sou fã dos textos e crônicas de Arnaldo Jabor! Acho esse cara genial! Já postei aqui um texto dele e estou pensando em tornar lei postar todas as semanas um texto diferente dele aqui! Vamos aguardar acontecimentos! Enquanto isso fiquem com o genial texto "O Brasileiro Merece"

Brasileiro é um povo solidário. Mentira. Brasileiro é babaca. Eleger para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para ser gari, só porque tem uma história de vida sofrida; pagar 40% de sua renda em tributos e ainda dar esmola para pobre na rua ao invés de cobrar do governo uma solução para pobreza; aceitar que ONG´s de direitos humanos fiquem dando pitaco na forma como tratamos nossa criminalidade; não protestar cada vez que o governo compra um colchão para presidiários que queimaram os deles de propósito, não é coisa de gente solidária. É coisa de gente otária.

Brasileiro é um povo alegre. Mentira. Brasileiro é bobalhão. Fazer piadinha com as imundícies que acompanhamos todo dia é o mesmo que tomar bofetada na cara e dar risada. Depois de um massacre que durou quatro dias em São Paulo, ouvir o José Simão fazer piadinha a respeito e achar graça, é o mesmo que contar piada no enterro do pai. Brasileiro tem um sério problema. Quando surge um escândalo, ao invés de protestar e tomar providências como cidadão, ri feito bobo.

Brasileiro é um povo trabalhador. Mentira. Brasileiro é vagabundo por excelência.

O brasileiro tenta se enganar, fingindo que os políticos que ocupam cargos públicos no país, surgiram de Marte e pousaram em seus cargos, quando na verdade, são oriundos do povo. O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado ao ver um deputado receber 20 mil por mês, para trabalhar 3 dias e coçar o saco o resto da semana, também sente inveja e sabe - lá no fundo - que se estivesse no lugar dele faria o mesmo. Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada e não aproveita isso para alavancar sua vida (realidade da brutal maioria dos beneficiários do bolsa família) não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo.

Brasileiro é um povo honesto. Mentira. Já foi, hoje é uma qualidade em baixa. Se você oferecer 50 Euros a um policial europeu para ele não te autuar, provavelmente você irá preso. Não por medo de ser pego, mas porque ele sabe ser errado aceitar propinas. O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado com o mensalão, pensa intimamente o que faria se arrumasse uma boquinha dessas, quando na realidade isso sequer deveria passar por sua cabeça.

O Brasil é um pais democrático. Mentira. Num país democrático a vontade da maioria é Lei. A maioria do povo acha que bandido bom é bandido morto, mas sucumbe a uma minoria barulhenta que se apressa em dizer que um bandido que foi morto numa troca de tiros, foi executado friamente. Num país onde todos tem direitos, mas ninguém tem obrigações, não existe democracia e sim, anarquia. Num país em que a maioria sucumbe bovinamente ante uma minoria barulhenta, não existe democracia, mas um simulacro hipócrita. Se tirarmos o pano do politicamente correto, veremos que vivemos numa sociedade feudal: um rei que detém o poder central (presidente e suas MPs), seguido de duques, condes, arquiduques e senhores feudais (ministros, senadores, deputados, prefeitos, vereadores). Todos sustentados pelo povo que paga tributos que tem como único fim, o pagamento dos privilégios do poder. E ainda somos obrigados a votar. Democracia isso? Pense nisso!!!

O famoso jeitinho brasileiro. Na minha opinião um dos maiores responsáveis pelo caos que se tornou a política brasileira. Brasileiro se acha malandro, muito esperto. Faz um "gato" puxando a TV a cabo do vizinho e acha que está botando pra quebrar. No outro dia o caixa da padaria erra no troco e devolve 6 reais a mais, caramba, silenciosamente ele sai de lá com a felicidade de ter ganhado na loto...malandrões, esquecem que pagam a maior taxa de juros do planeta e o retorno é zero. Zero saúde, zero emprego, zero educação, mas e daí? Afinal somos penta campeões do mundo né? Grande coisa...

O Brasil é o país do futuro. Caramba, meu avô dizia isso em 1950. Muitas vezes cheguei a imaginar em como seria a indignação e revolta dos meus avôs se ainda estivessem vivos. Dessa vergonha eles se safaram... Brasil, o país do futuro. Hoje o futuro chegou e tivemos uma das piores taxas de crescimento do mundo.

Deus é brasileiro. Puxa, essa eu não vou nem comentar... O que me deixa mais triste e inconformado é ver todos os dias nos jornais a manchete da vitória no primeiro turno do governo mais sujo já visto em toda a história brasileira.

Para finalizar tiro minha conclusão:

O brasileiro merece! Como diz o ditado popular, é igual mulher de malandro, gosta de apanhar. Se você não é como o exemplo de brasileiro citado nesse comentário, meus sentimentos amigo, continuemos fazendo nossa parte, e que um dia pessoas de bem assumam o controle do país novamente, aí sim teremos todas as chances de ser a maior potência do planeta. Afinal aqui não tem terremoto, tsunami nem furacão. Temos petróleo, álcool, bio-diesel, e sem dúvida nenhuma o mais importante: água doce!

Só falta boa vontade. Será que é tão difícil assim?

Arnaldo Jabor.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Bethânia grava parceiria de César e Moska.


Maria Bethânia incluiu no repertório de seu próximo Cd de inéditas, com lançamento previsto ainda para este semestre via Biscoito Fino, a parceiria de Chico César com Moska. A canção "Da Saudade" é a segunda feita em parceiria pela dupla (a primeira foi a canção "Unhas", feita em Portugal). Outra faixa do disco, "O que eu não Conheço" é também fruto de outra parceiria estreante entre Jorge Vercillo e J. Velloso. Adriana Calcanhotto e Vanessa da Mata também mandaram canções inéditas para Bethânia, as quais também figuram no sigiloso repertório.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Sticky & Sweet Space

Um espaço dedicado à Sticky & Sweet Tour, da Madonna, que volta às paradas para uma segunda etapa (coisa inédita na carreira da cantora). Aqui estarão alguns vídeos da tour. Hoje, a primeira canção do show, "Candy Shop".
video

Estamos com fome de amor


E viva o Jabor!!!


Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: "Digam o que disserem, o mal do século é a solidão". Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias.
Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas. E saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos. Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dance", incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida? Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçados, sabe, essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega. Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós. Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos Orkut, o número que comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra ser sozinho!". Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis. Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa. Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega. Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta. Mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois. Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: "vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida". Antes idiota que infeliz!


Arnaldo Jabor.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Feliz sexta-feira 13!


A sexta-feira 13 tornou-se, no imaginário popular, um dia de má sorte e de terror! Em primeiro lugar eu adoraria saber de onde saiu tal bobagem, em segundo lugar eu gostaria de saber quem foi o gênio que inventou tal bobagem para que eu possa apresentar a ele alguns livros com os ensinamentos da Kabbalah. Para quem não sabe a Kabbalah é um ensinamento religioso que tem parte de suas escrituras e ensinamentos mantidos pelo judaísmo. De acordo com a Kabbalah os números 10, 11 e 13 são números de boa sorte e perfeição, e a sexta-feira é um dia importante pois é um dia de orações onde a máxima, além das orações, é o descanço (vide que todos adoram sair na sexta à noite para fazerem o que for). Sexta-feira é um dia de prazer, sendo 13 é ainda melhor pois é o dia da perfeição e das orações. Acho importante que essa máxima da Sexta-Feira 13 suma, pois um dia de tamanha beleza, sorte e perfeição não pode ser tido como o dia dos filmes de terror, gatos pretos e o que for! Na verdade chega a ser uma falta de respeito... O imaginário humano é um pouco burrinho quando se trata de lendas urbanas... Ouvimos de tudo, desde o dia do azar até o diabo... Mas convenhamos que são poucas as coisas que saem da boca do povo em que podemos levar real fé!
Vamos acabar com essa máxima ridícula e provar que somos superiores, se é para aplicarmos o verdadeiro terror (em tese, vejam bem) vamos deixar isso para o Halloween que é outra data que também sofre com o preconceito (o qual nasceu nas igrejas Católicas e atingiu a grande massa). O Halloween, de acordo com a religião Wicca é o fechamento do ciclo, chamado Samhain, em que o Deus Cornífero (o Deus do Sol) recolhe-se. Cornífero nasce no Natal, une-se a uma Deusa e ao passar do ano ele cria parte de nossa vida, dando-nos, por exemplo, o Sol. Mas vamos deixar essa história para o Halloween.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Daniela estréia "Canibália" no Rio em abril.


Enquanto encerra a produção de seu Cd Canibália, que chega às lojas ainda este semestre, Daniela Mercury já agendou a estréia nacional do show de lançamento do novo disco. O show estréia dia 16 de abril na casa Vivo Rio (Rio de Janeiro) e segue em turnê pelo país. O disco Canibália tem músicas de autoria da cantora ("Oyá por Nós" - a primeira parceiria de Daniela com Margareth Menezes - e "Sol do Sul" - a parceiria de Daniela com seu filho, Gabriel Póvoas, que já está em rotação pelas rádios nacionais). O disco ainda irá conter releitura das canções "Tico-Tico no Fubá" (Zequinha Abreu) e "O Que é Que a Baiana Tem?" (Dorival Caymmi).

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Loucura incerta...


Ontem eu virei a madrugada com vontade de escrever um texto que mostrasse a loucura que está sendo certo momento da minha vida... Eu acho interessnate que algumas pessoas me definem como o garoto que tem 15 anos mas com peso intelectual/ emocional de 40... Acho isso maravilhoso! Mas, por mais que eu venha a ter realmente esse peso de 40, algumas dúvidas desse universo teen que eu tanto renego acabam me pegando... Entre amores e desamores a idéia era escrever um texto neste sentido... mas mudei de idéia ao ler um poema da minha queridíssima Huanna Macedo. Ao ler o poema, fiz questão de colocar o meu dedo entre os versos de Huanna, deixando com minha cara para que combinasse mais com o Infinitivamente Pessoal. Fiquem agora aos nossos sons.

Loucura Incerta

No fundo dos teus olhos vejo a esperança;
Em torno do teu abraço sinto desejo;
Na essência do teu perfume noto a dor de perder
Um grande amor.
No seu doce toque de ternura sob minha face
Descubro como faço mal a você quando lhe falo de amores que nunca amei de verdade,
Sem que a verdade seja uma realidade.
Lendo minhas loucuras nas estrelas
Percebo o quanto somos iguais,
O quanto nos desejamos e nos apaixonamos
Sem ao menos notarmos a beleza de uma loucura interna.
Só lhe peço um favor, se fui ou se sou ao menos importante pra você,
Me guarde em um lugar que ninguém, nem em sua morte,
Me tiraria.
Me guarde no fundo dos teus olhos,
No meio da tua memória tão cheia de lembranças,
No entorno do seu coração tão cheio de esperanças.
Me guarde onde ninguém possa me achar...
Onde ninguém se quer vai desconfiar da minha estadia,
Me leve para onde o dia é noite e a noite é dia.

Huanna Macedo.

adaptação: Bruno Cavalcanti.

Alguém viu o "Primórdios" aí?

E aí, gente... Ninguém viu o Primórdios por aí, não?














Som Livre comemora 40 anos em terceiro lugar.


A gravadora Som Livre festejará ao longo de 2009 seus 40 anos de existência (a gravadora foi idealizada no ano de 1969) muito bem colocada no ranking do diluído mercado fonográfico brasileiro. Segundo o levantamento da ABPD (Associação Brasileira de Produtores de Discos) referente a 2008, a companhia (cujo catálogo prioriza coletâneas, registros ao vivo em Cd e DVD e trilhas de novelas da Rede Globo) ficou no terceiro lugarno mercado fonográfico brasileiro com 16,05%, passando a frente de gravadoras multinacionais como a EMI Music (15,01 %) e a Warner Music (13, 04%). A campeã de 2008 foi a Universal Music, com 27,03%, seguida pela rival Sony & BMG, que teve 26, 09%, ganhando assim o 2º lugar do, cada vez mais, diluído mercado fonográfico brasileiro.

A vida pede provas que quem ama dá.


Em uma de suas letras, Marina Lima diz que a vida pede provas que quem ama dá! Desde que a cantora publicou um post com esse mesmo título no blog de seu site oficial eu me senti instigado a entender melhor o que Marina queria dizer com essa frase! Bem, não entendi o ponto de vista dela, mas cheguei a uma conclusão muito pessoal! Acho que Marina estava errada!
A vida sempre nos pede provas e isso é fato, mas será que realmente só quem ama as dá? Hoje tive um tremendo baque, uma novidade na minha vida que duvido muito que me leve a lugares muito altos pois, como nas outras vezes, a novidade não veio com a pessoa certa (acho que entendem o que eu digo, não?! hehe). Quem ama realmente dá as provas que a vida pede, mas muitas vezes chega a dar de má vontade! A má vontade de se dar tal prova chega até a ser insuportável, pois jamais sabemos quando a verdade é verídica e quando ela é falsa. Vou esperar para que essa verdade confirme-se verídica ou falsa, até lá é bem provável que soframos, mas do que é feita a vida se não de altos e baixos (hehehehe - salve Louise Carrey rs). A vida pede provas que quem ama dá... Espero poder dar a vida o que ela me pede.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Beatriz estréia "Tatazinha" em Juiz de Fora.


A cantora Beatriz Carvalho estreará no mês de março sua nova turnê. A sucessora de Bia Tropical (vencedora do 15 Prêmio SHARP de música brasileira) terá o título de Tatazinha World Tour. O título é inspirado em Thaís Rocha Canal Cianci (em foto abraçando Letícia fantasiada de garoto - a estudante foi a inspiradora da canção "T-Ha" de Bruno Cavalcanti, interpretada por Marienne Souza em seu show Paixão). Beatriz estréia o show em março com duas apresentações no Teatro Cine Central em Juiz de Fora (MG) e segue pelo Brasil até o final de setembro, quando inicia turnê pela Espanha e França.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Brasil comemora tímido o centenário de Carmen.


O Brasil, o país que mais deveria comemorar, foi o que teve comemoração mais tímida. A indústria fonografica não tem muitos (ou grandes) projetos para a comemoração do centenário da pequena notável, a qual levou o Brasil para frente em todo o lugar por onde passava. Mesmo sendo portuguesa, Carmen era brasileirissima de coração e, infelzimente (para nós), no Brasil é o país por onde ela passou onde menos se sabe do legado dessa genial artista. O blog Infinitivamente Pessoal já fez questão de realizar sua pequena homenagem à pequena notável no post de 2 de janeiro de 2009 (clique aqui). Agora é aguardar... Brasil, Brasil, pra frente, pra frente que até caiu!

Ulhoa e Villares produzem disco de Zélia.


Ficou a cargo de John Ulhoa (o criativo integrante do grupo Pato Fu) produzir ao lado de Beto Villares o disco de inéditas que Zélia lançará ainda neste ano de 2009. A gravação do Cd começou em Belo Horizonte (MG) sob a batuta de Ulhoa e vai ser encerrado em São Paulo ao lado de Villares. Aliás, Beto Villares foi um dos pilotos do último material inédito de Zélia, o (bom) disco Pré-Pós-Tudo-Bossa-Banda (2005). Uma das músicas que poderão fazer parte do disco já pode ser ouvida no site oficial da cantora. A canção é a boa "Aberto".

Excessos e exageros pautam show de Vallen.




Opinião de show
Título: Ricky Vallen
Artista: Ricky Vallen (com participações de Shirley Carvalho e Vanessa Jackson)
Local: Biroska Bar - São Paulo
Data: 08 de fevereiro
Cotação: **

E foram para os exageros e excessos vocais e cênicos a grande parte das atenções do público que compareceu à casa Biroska Bar, em São Paulo, para ver o show do cantor Ricky Vallen. O ex-calouro do programa do Raul Gil mostrou na noite de 08 de fevereiro que tem grandes dotes vocais e cênicos, mas que não soube educá-los ao longo de sua carreira.
O show foi iniciado com entonação à capela dos primeiros versos de
"Não Deixe o Samba Morrer", o sucesso do cancioneiro de Alcione em seus áureos tempos ganhou nova versão na voz do cantor que, sem desafinar, simulava os sons de uma cuíca com a voz. Os estrondos e exageros vocais começaram a surgir logo no segundo número do show, a valsa "Flor" não teve seu ritmo valorizado, perdendo a graça presente na bela letra. O show, que no início poderia ser tido como um show de um iniciante da noite sem repertório fixo devido ao repertório (exageradamente) eclético que ia de Roberto Carlos ("As Canções que Você fez pra Mim") até balada de Renato Russo ofertada à Cássia Eller ("1º de Julho"), foi pautado por altos e baixos. Um dos (bons) pontos altos do show foi o afiado humor do cantor que brincava com a platéia, chegando até a reeditar em palco cena da novela global A Favorita interpreyando a toada "Beijinho Doce". Entre os pontos baixos do show estavam as interpretações de "Boa Sorte - Good Luck" (canção de Vanessa da Mata e Ben Harper lançada pela dupla em 2007 no álbum Sim de Vanessa e que perdeu o brilho e a graça na interpretação de Vallen), "Devolva-me" (a canção de Lílian & Leno que teve grande repercussão na voz de Adriana Calcanhotto em 2000 também teve seu brilho ofuscado pelos exageros do cantor), "Vambora" (clássico na voz de Adriana gravado em 98 em seu disco Marítmo que perdeu o brilho) e "Vai", a canção de Simone Saback gravada por Ana Carolina em 2006 no disco Dois Quartos foi um ponto destoante do show.
Mas nem só de momentos destoantes foi feito o show, tendo como pontos altos a interpretação à capela de
"Pense Bem" (a boa canção do repertório de Fábio Jr.), a interpretação (sem ensaio) de "Chuva no Brejo", a canção dos Novos Baianos gravada por Marisa Monte no DVD Barulhinho Bom - Uma Viagem Musical (1996) e a forte interpretação de "Milagres do Povo", com passos evocando danças típicas realizadas dentro do Candomblé. O show ainda contou com as participações das cantoras Vanessa Jackson e Shirley Carvalho. O ponto mais destoante do show foi quando Vanessa Jackson subiu ao palco para, ao lado de Vallen, interpretar a belíssima "Miss Celie's Blues (Sister)". A canção de Quincy Jones, Red Temperton e Lionel Richie ganhou versão tremendamente exagerada e gritada que, comparada à belíssima e singela versão feita por Luiza Possi em seu Cd e DVD A Vida é Mesmo Agora (2007), chega até a contrariar totalmente a densidade e delicadeza do belo jazz composto pelo trio. Outro ponto que contrariou totalmente o show foi a participação de Vanessa Jackson que, após ter tido a imagem diluida no cenário musical, parece ter perdido a educação vocal que tinha, lembrando grandes divas como Whitney Houston, restando apenas o exagero de interpretações gritadas e insossas. A participação de Shirley Carvalho foi mais proveitosa, mesmo sem ser o melhor momento do show, Shirley mostrou que ainda mantêm potente voz e afinação. Ao lado de Vallen, Shirley interpretou a insossa "Wen you Belive", a canção de Mariah Carrey ganhou versão descartável (a música por si só já é descartável, não precisaria figurar no roteiro do show). A canção foi levada entre afagos de egos já estufados.
O show só voltou realmente aos eixos quando Vallen interpretou a bela
"Digitais", a canção de Isabella Tavianni manteve-se no tom, já que por si só já é excessiva e exagerada como sua autora. O ponto mais alto do show foi a interpretação da (bela ) inédita "Hoje no Mar", a bela canção de André Gabé embriagou o público mais atento que não se importou com os excessivos gestos cênicos do cantor que, mesmo exagerados e repetidos, não diluiram a beleza da canção que, sem dúvida, foi o maior e melhor momento do show. O show ainda contou com mais uma canção inédita, a insossa "Vida" de Simone Saback. Momento insosso que pouco durou, pois o cantor saiu logo de cena para (desnecessária) troca de figurino à lá Maria Bethânia, deixando os músicos tocando bela interpretação de "So Easy", belo momento do show protagonizado pela (boa) banda do cantor (banda formada por Jefi no baixo e na programação, Fabrício na guitarra e violão e Guga Machado na percussão) que fez belo mix com rosto jazzístico. Clima quebrado logo em seguida, quando o cantor voltou à cena para armar o clima festivo ao som de "Pérola Negra", a bela canção em homenagem ao bloco baiano Ilê Ayiê, belo momento do show onde o cantor desceu do palco para cantar e interagir no meio da platéia. O show ainda contou com mais um momento, o hino evangélico "Faz um Milagre em Mim" que, apesar do tom destoante da canção, foi um momento emocionante, onde o público por si só emocionou de maneira magistral com a interpretação mas, ainda assim, causou forte e total anticlímax. Desnecessário também foi o insistente pedido de uma moça da platéia que pedia incansavelmente para que Ricky interpretasse "Dia de Formatura" (Moacyr Franco), pedido prontamente recusado por se tratar de uma música com legado muito especial para o cantor.
O show foi encerrado ao som de
"Vidro Fumê", a canção que Carlos Colla fez para Vallen e que entrou na trilha sonora da novela global Negócio da China como tema do personagem de Ney Latorraca, e interpretada também por Adriana Calcanhotto em apresentações feitas no Canecão (Rio de Janeiro) com a turnê Maré (que será e registrado em DVD e, prevavelmente, deverá conter a faixa no corpo do projeto). Aliás, a versão original do cantor ficou muito aquém da versão cantada por Calcanhotto, pautada pela precisão e sensibilidade.
Enfim, entre altos, baixos e diversos excessos, Vallen ainda matêm seu seu fiel público de seguidores.

Vallen grava Cd e DVD em show no Canecão.


Cantor que ganhou projeção (quase) nacional entre os calouros do programa do Raul Gil, Ricky Vallen gravará na noite de sábado (14) seu primeiro DVD. O projeto, idealizado para ser gravado no ano passado em São Paulo, será registrado em única apresentação no Canecão (Rio de Janeiro). No repertório do show figuram canções inéditas e algumas do primeiro Cd do cantor, o fraco Homenagens (2006). O DVD também renderá Cd ao vivo. Tanto Cd quanto DVD saem via Sony & BMG.

Multishow Ao Vivo de Vanessa sai em abril.


Gravado ao vivo em show realizado em novembro de 2008 no Centro Histórico da cidade de Paraty (RJ), o Cd e DVD Multishow Ao Vivo - Vanessa da Mata tem lançamento previsto para o mês de abril. O show contou com as participações dos músicos André Rodrigues, Marco Lobo e Davi Moraes sem contar com a dupla de jamaicanos Sly & Robbie. O DVD conta também com duas canções inéditas, "Acode" e "Esperança". Vale à pena aguardar.

Roberta grava disco dedicado a Roque Ferreira


Roberta Sá concretizará em 2009 seu projeto de gravar um disco - no caso, o terceiro da cantora - sobre a obra do compositor baiano Roque Ferreira, de quem gravou a música "Laranjeira" em seu segundo disco, Que Belo Estranho Dia pra se ter Alegria. O projeto já está em andamento e pode ser lançado no final deste ano, início do ano que vem. Roque Ferreira vem sendo gravado nos últimos anos por nomes como Zeca Pagodinho ("Samba para as Moças"), Maria Bethânia ("Doce") e Simone & Zélia Duncan ("Ralador") entre outros.
Enquanto encerra a seleção do repertório (que priorizará cancioneiro inédito do compositor), Roberta Sá prepara a gravação de seu primeiro DVD. Idealizado para o final de 2008, o projeto será concretizado realmente neste semestre - provavelmente entre março e abril - num show na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ).

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Multishow Ao Vivo de Rita já tem data de lançamento.


Gravados nos dias 30 e 31 de janeiro, o Cd e o DVD que registram o show Picnic de Rita Lee dentro da série Multishow Ao Vivo já têm data de lançamento. Tanto Cd quanto DVD chegam às prateleiras no mês de Maio. A data foi divulgada pelo próprio Multishow. No projeto, sucessos como "Ovelha Negra", "Agora só Falta Você", "Lança Perfume" (unido num medley com a marchinha "Chiquita Bacana"), "Flagra", "Bwanna" e "Saúde", canções que ela não tocava há tempos em shows como "Mutante", "Cor-de-Rosa Choque" (unida num medley a "Todas as Mulheres do Mundo"), algumas surpresas como o cover da música "Vingativa", a versão forrózenta de "I Want to Hold Your Hand" dos Beatles que virou "O Bode e a Cabra" (foda-se a Japa! kkkkk) e "Baby", a canção que Caetano fez para Gal Costa e que parou na voz dos Mutantes e três canções inéditas, a já conhecida "Tão" e as ótimas "Nóia" e "Insônia". O projeto tem a direção de Rodrigo Carelli e será lançado via Biscoito Fino.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Dois, se você quer amar...


"Dois, se você quer amar não basta um só amor", estes são os versos de "Três", uma das músicas mais expressivas do repertório de Marina Lima, e estes versos, acredito eu, servem como um cais no meu barco de apresentações para apresentar essas duas pessoas tão belas, interessantes, tão... inclassificáveis! O mais engraçado é que quando eu as conheci parecia que eu as conhecia já de outros carnavais (bons carnavais). Uma é o carnaval a outra é a quarta-feira, o que eu achei mais interessante, afinal enquanto uma parece ser uma louca varrida (amoooooo) a outra parece ser mais calma e contida (amoooo)... Mas nem por isso deixam de ser especiais. Uma é a louca, a Isadora (de roupa rosa) e a outra é a contida, a Sheila (a de roupa laranja). Confesso que nunca me relacionei tão rápido com duas pessoas e que, nessa relação, houvesse uma troca de amizades... adorei! Enfim, esse é um post de agradecimento como costumo fazer vez em quando aqui... Quero deixar bem claro a singela adoração que tenho por essas duas... yes, baby... e o manicômio vai enchendo! rsrsrs.

queridas i love you vocês.

Infinitivamente pessoal contemplado com o selo "Blog Dorado"


E, mais uma vez, o blog Infinitivamente Pessoal foi contemplado com um selo. A pedagoga Camila Campos foi, mais uma vez, a responsável por tal contemplação. O selo Blog Dorado me foi dado em 15 de janeiro de 2009 mas, devido ao meu sumiço forçado, só pude tê-lo comigo hoje (02 de fevereiro de 2009). Obrigado mais uma vez à pedagoga Camila Campos que, em 28 de dezembro de 2008, contemplou o mesmo blog com o selo Dardos (veja aqui o post).

A Caolha


A caolha era uma mulher magra, alta, macilenta, peito fundo, busto arqueado, braços compridos, delgados, largos nos cotovelos, grossos nos pulsos; mãos grandes, ossudas, estragadas pelo reumatismo e pelo trabalho; unhas grossas, chatas e cinzentas, cabelo crespo, de uma cor indecisa entre o branco sujo e o louro grisalho, desse cabelo cujo contato parece dever ser áspero e espinhento; boca descaída, numa expressão de desprezo, pescoço longo, engelhado, como o pescoço dos urubus; dentes falhos e cariados.

O seu aspecto infundia terror às crianças e repulsão aos adultos; não tanto pela sua altura e extraordinária magreza, mas porque a desgraçada tinha um defeito horrível: haviam lhe extraído o olho esquerdo; a pálpebra descera mirrada, deixando, contudo, junto ao lacrimal, uma fístula continuamente porejante.

Era essa pinta amarela sobre o fundo denegrido da olheira, era essa destilação incessante de pus que a tornava repulsiva aos olhos de toda gente.

Morava numa casa pequena, paga pelo filho único, operário numa fábrica de alfaiate; ela lavava a roupa para os hospitais e dava conta de todo o serviço da casa inclusive cozinha. O filho, enquanto era pequeno, comia os pobres jantares feitos por ela, às vezes até no mesmo prato; à proporção que ia crescendo, ia-se a pouco e pouco manifestando na fisionomia a repugnância por essa comida; até que um dia, tendo já um ordenadozinho, declarou à mãe que, por conveniência do negócio, passava a comer fora...

Ela fingiu não perceber a verdade, e resignou-se.

Daquele filho vinha-lhe todo o bem e todo o mal.

Que lhe importava o desprezo dos outros, se o seu filho adorado lhe pagasse com um beijo todas as amarguras da existência?

Um beijo dele era melhor que um dia de sol, era a suprema carícia para o triste coração de mãe! Mas... os beijos foram escasseando também, com o crescimento do Antonico! Em criança ele apertava-a nos braços e enchia-lhe a cara de beijos; depois, passou a beijá-la só na face direita, aquela onde não havia vestígios de doença; agora, limitava-se a beijar-lhe a mão!

Ela compreendia tudo e calava-se.

O filho não sofria menos.

Quando em criança entrou para a escola pública da freguesia, começaram logo os colegas, que o viam ir e vir com a mãe, a chamá-lo - o filho da caolha.

Aquilo exasperava-o; respondia sempre:

- Eu tenho nome!

Os outros riam e chacoteavam-no; ele se queixava aos mestres, os mestres ralhavam com os discípulos, chegavam mesmo a castigá-los - mas a alcunha pegou. Já não era só na escola que o chamavam assim.

Na rua, muitas vezes, ele ouvia de uma ou outra janela dizerem: o filho da caolha! Lá vai o filho da caolha! Lá vem o filho da caolha!

Eram as irmãs dos colegas, meninas novas, inocentes e que, industriadas pelos irmãos, feriam o coração do pobre Antonico cada vez que o viam passar!

As quitandeiras, onde iam comprar as goiabas ou as bananas para o lanche, aprenderam depressa a denominá-lo como os outros, e, muitas vezes, afastando os pequenos que se aglomeravam ao redor delas, diziam, estendendo uma mancheia de araçás, com piedade e simpatia:

- Taí, isso é para o filho da caolha!

O Antonico preferia não receber o presente a ouvi-lo acompanhar de tais palavras; tanto mais que os outros, com inveja, rompiam a gritar, cantando em coro, num estribilho já combinado:

- Filho da caolha, filho da caolha!

O Antonico pediu à mãe que não o fosse buscar à escola; e muito vermelho, contou-lhe a causa; sempre que o viam aparecer à porta do colégio os companheiros murmuravam injúrias, piscavam os olhos para o Antonico e faziam caretas de náuseas.

A caolha suspirou e nunca mais foi buscar o filho.

Aos onze anos o Antonico pediu para sair da escola: levava a brigar com os condiscípulos, que o intrigavam e malqueriam. Pediu para entrar para uma oficina de marceneiro. Mas na oficina de marceneiro aprenderam depressa a chamá-lo - o filho da caolha, a humilhá-lo, como no colégio.

Além de tudo, o serviço era pesado e ele começou a ter vertigens e desmaios. Arranjou então um lugar de caixeiro de venda: os seus colegas agruparam-se à porta, insultando-o, e o vendeiro achou prudente mandar o caixeiro embora, tanto que a rapaziada ia-lhe dando cabo do feijão e do arroz expostos à porta nos sacos abertos! Era uma contínua saraivada de cereais sobre o pobre Antonico!

Depois disso passou um tempo em casa, ocioso, magro, amarelo, deitado pelos cantos, dormindo às moscas, sempre zangado e sempre bocejante! Evitava sair de dia e nunca, mas nunca, acompanhava a mãe; esta poupava-o: tinha medo que o rapaz, num dos desmaios, lhe morresse nos braços, e por isso nem sequer o repreendia! Aos dezesseis anos, vendo-o mais forte, pediu e obteve-lhe, a caolha, um lugar numa oficina de alfaiate. A infeliz mulher contou ao mestre toda a história do filho e suplicou-lhe que não deixasse os aprendizes humilhá-lo; que os fizesse terem caridade!

Antonico encontrou na oficina uma certa reserva e silêncio da parte dos companheiros; quando o mestre dizia: sr. Antonico, ele percebia um sorriso mal oculto nos lábios dos oficiais; mas a pouco e pouco essa suspeita, ou esse sorriso, se foi desvanecendo, até que principiou a sentir-se bem ali.

Decorreram alguns anos e chegou a vez de Antonico se apaixonar. Até aí, numa ou outra pretensão de namoro que ele tivera, encontrara sempre uma resistência que o desanimava, e que o fazia retroceder sem grandes mágoas. Agora, porém, a coisa era diversa: ele amava! Amava como um louco a linda moreninha da esquina fronteira, uma rapariguinha adorável, de olhos negros como veludos e boca fresca como um botão de rosa. O Antonico voltou a ser assíduo em casa e expandia-se mais carinhosamente com a mãe; um dia, em que viu os olhos da morena fixarem os seus, entrou como um louco no quarto da caolha e beijou-a mesmo na face esquerda, num transbordamento de esquecida ternura!

Aquele beijo foi para a infeliz uma inundação de júbilo! Tornara a encontrar o seu querido filho! Pôs-se a cantar toda a tarde, e nessa noite, ao adormecer, dizia consigo:

- Sou muito feliz... o meu filho é um anjo!

Entretanto, o Antonico escrevia, num papel fino, a sua declaração de amor à vizinha. No dia seguinte mandou-lhe cedo a carta. A resposta fez-se esperar. Durante muitos dias Antonico perdia-se em amarguradas conjecturas.

Ao princípio pensava: - É o pudor.

Depois começou a desconfiar de outra causa; por fim recebeu uma carta em que a bela moreninha confessava consentir em ser sua mulher, se ele se separasse completamente da mãe! Vinham explicações confusas, mal alinhavadas: lembrava a mudança de bairro; ele ali era muito conhecido por filho da caolha, e bem compreendia que ela não se poderia sujeitar a ser alcunhada em breve de - nora da caolha, ou coisa semelhante!

O Antonico chorou! Não podia crer que a sua casta e gentil moreninha tivesse pensamentos tão práticos!

Depois o seu rancor se voltou para a mãe.

Ela era a causadora de toda a sua desgraça! Aquela mulher perturbara a sua infância, quebrara-lhe todas as carreiras, e agora o seu mais brilhante sonho de futuro sumia-se diante dela! Lamentava-se por ter nascido de mulher tão feia, e resolveu procurar meio de separar-se dela; iria considerar-se humilhado continuando sob o mesmo teto; havia de protegê-la de longe, vindo de vez em quando vê-la à noite, furtivamente...

Salvava assim a responsabilidade do protetor e, ao mesmo tempo, consagraria à sua amada a felicidade que lhe devia em troca do seu consentimento e amor...

Passou um dia terrível; à noite, voltando para casa levava o seu projeto e a decisão de o expor à mãe.

A velha, agachada à porta do quintal, lavava umas panelas com um trapo engordurado. O Antonico pensou: "Ao dizer a verdade eu havia de sujeitar minha mulher a viver em companhia de... uma tal criatura?" Estas últimas palavras foram arrastadas pelo seu espírito com verdadeira dor. A caolha levantou para ele o rosto, e o Antonico, vendo-lhe o pus na face, disse:
- Limpe a cara, mãe...

Ela sumiu a cabeça no avental; ele continuou:

- Afinal, nunca me explicou bem a que é devido esse defeito!

- Foi uma doença, - respondeu sufocadamente a mãe - é melhor não lembrar isso!

- E é sempre a sua resposta: é melhor não lembrar isso! Por quê?

- Porque não vale a pena; nada se remedeia...

- Bem! Agora escute: trago-lhe uma novidade. O patrão exige que eu vá dormir na vizinhança da loja... já aluguei um quarto; a senhora fica aqui e eu virei todos os dias saber da sua saúde ou se tem necessidade de alguma coisa... É por força maior; não temos remédio senão sujeitar-nos!...

Ele, magrinho, curvado pelo hábito de costurar sobre os joelhos, delgado e amarelo como todos os rapazes criados à sombra das oficinas, onde o trabalho começa cedo e o serão acaba tarde, tinha lançado naquelas palavras toda a sua energia, e espreitava agora a mãe com um olhar desconfiado e medroso.

A caolha se levantou e, fixando o filho com uma expressão terrível, respondeu com doloroso desdém:

- Embusteiro! O que você tem é vergonha de ser meu filho! Saia! Que eu também já sinto vergonha de ser mãe de semelhante ingrato!

O rapaz saiu cabisbaixo, humilde, surpreso da atitude que assumira a mãe, até então sempre paciente e cordata; ia com medo, maquinalmente, obedecendo à ordem que tão feroz e imperativamente lhe dera a caolha.

Ela o acompanhou, fechou com estrondo a porta, e vendo-se só, encostou-se cabaleante à parede do corredor e desabafou em soluços.
O Antonico passou uma tarde e uma noite de angústia.

Na manhã seguinte o seu primeiro desejo foi voltar à casa; mas não teve coragem; via o rosto colérico da mãe, faces contraídas, lábios adelgaçados pelo ódio, narinas dilatadas, o olho direito saliente, a penetrar-lhe até o fundo do coração, o olho esquerdo arrepanhado, murcho - murcho e sujo de pus; via a sua atitude altiva, o seu dedo ossudo, de falanges salientes, apontando-lhe com energia a porta da rua; sentia-lhe ainda o som cavernoso da voz, e o grande fôlego que ela tomara para dizer as verdadeiras e amargas palavras que lhe atirara no rosto; via toda a cena da véspera e não se animava a arrostar com o perigo de outra semelhante.

Providencialmente, lembrou-se da madrinha, única amiga da caolha, mas que, entretanto, raramente a procurava.

Foi pedir-lhe que interviesse, e contou-lhe sinceramente tudo o que houvera.

A madrinha escutou-o comovida; depois disse:

- Eu previa isso mesmo, quando aconselhava tua mãe a que te dissesse a verdade inteira; ela não quis, aí está!

- Que verdade, madrinha?

Encontraram a caolha a tirar umas nódoas do fraque do filho - queria mandar-lhe a roupa limpinha. A infeliz se arrependera das palavras que dissera e tinha passado a noite à janela, esperando que o Antonico voltasse ou passasse apenas... Via o porvir negro e vazio e já se queixava de si! Quando a amiga e o filho entraram, ela ficou imóvel: a surpresa e a alegria amarraram-lhe toda a ação.

A madrinha do Antonico começou logo:

- O teu rapaz foi suplicar-me que te viesse pedir perdão pelo que houve aqui ontem e eu aproveito a ocasião para, à tua vista, contar-lhe o que já deverias ter-lhe dito!

- Cala-te! - murmurou com voz apagada a caolha.

- Não me calo! Essa pieguice é que te tem prejudicado! Olha, rapaz! Quem cegou a tua mãe foste tu!

O afilhado tornou-se lívido; e ela concluiu:

- Ah, não tiveste culpa! Eras muito pequeno quando, um dia, ao almoço, levantaste na mãozinha um garfo; ela estava distraída, e antes que eu pudesse evitar a catástrofe, tu o enterraste pelo olho esquerdo! Ainda tenho no ouvido o grito de dor que ela deu!

O Antonico caiu pesadamente de bruços, com um desmaio; a mãe acercou-se rapidamente dele, murmurando trêmula:

- Pobre filho! Vês? Era por isto que eu não queria dizer nada!



Júlia Lopes de Almeida.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Gloriosa Marília nº 3


E esta é a terceira e última vídeo-homenagem que faço à Marília Pêra dentro da coletânea Gloriosa Marília. Sou fã incondicional do trabalho desta genial mulher e, sempre que possível (e sempre que me der na telha), volto com uma homenagem à ela não importa como. Este último vídeo que fecha a trilogia Gloriosa Marília é um vídeo de divulgação da peça Gloriosa, na qual Marília encarna a péssima cantora lírica Florence Foster Jenkins, a qual foi considerada como a pior cantora do mundo. Marília como sempre está inclassificável... vale (muito) à pena.


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Gloriosa Marília nº 2


Esse é o segundo dos três vídeo-homenagem que posto sobre Marília Pêra, a maior atriz da história das artes cênicas. Este vídeo é a continuação do já postado Brincando em Cima Daquilo, uma das peças mais divertidas e estimulantes que já tive o prazer de assistir. Fiquem com o som dela...
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Gloriosa Marília


Em minha singela opinião, Marília Pêra (em foto caracterizada como a péssima cantora Florence Foster Jenkins na peça Gloriosa) é a melhor atriz que já existiu na história das artes cênicas. Não há uma outra atriz que chegue perto de sua genialidade como atriz e como diretora. Marília dá realmente vida a seus personagens sem jamais se repetir. É atriz, diretora e com voz talhada para o canto... Marília é a maior artista que esse mundo já teve. Deixo aqui minha homenagem à essa maravilhosa atriz com o primeiro dos dois vídeos de parte da peça Brincando em Cima Daquilo encenada por Marília, confiram que vale muito à pena.


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