segunda-feira, 13 de julho de 2009

Irregularidades casuais pautam DVD de Vallen.


Opinião de DVD
Título: Ricky Vallen Ao Vivo
Artista: Ricky Vallen
Gravadora: Sony Music
Cotação: ** 1/2

Ex-calouro do programa apresentado por Raul Gil, Ricky Vallen veio ganhando espaço na mídia após ter sido indicado ao Grammy Latino na categoria "revelação" por seu irregular primeiro álbum, Homenagens, e por ter um sucesso radiofônico que, por casualidade, já foi parar na voz de Adriana Calcanhotto. O cantor lança pela Sony Music seu primeiro registro de show, Ricky Vallen Ao Vivo. O DVD não é exatamente o registro de um show inédito, já que o repertório do show é similar ao dos shows apresentados pelo cantor na medida em que o tempo passa, mas há diferenças, como, por exemplo, canções inéditas.
O projeto é aberto com
"Palavra e Som", a bela parceria de Altay Veloso com Paulo César Feital que tinha fôlego para se tornar um dos primeiros hits do primeiro disco de Vallen.
O DVD é belo, já que o cenário e a (certeira) iluminção contribuem (e muito) para que o show cresça. A segunda canção, a belíssima
"Disparada" (Geraldo Vandré/ Theo de Barros), é calcada por arranjos belíssimos, porém acaba tornando-se irregular devido o exagero cênico do cantor que tenta, em vão, interpretar as frases da canção. Os exageros cênicos pairam por todo o DVD. Se "Espumas ao Vento" pode ser considerado um dos pontos altos do DVD pelo belo arranjo e interpretação, pode ser considerado como um ponto destoante pela (falha) edição, que não explora como poderia toda a interação da platéia com o cantor (interação essa presente em todo o DVD). Outro ponto alto é a balada "Avesso" (Jorge Vercillo). O cenário "casa" muito bem com a letra da canção, tendo os arranjos como show à parte. A banda que acompanha o cantor é um show à parte, rearranjando sucessos e criando arranjos para canções inéditas. Inéditas essas nem sempre regulares ou aproveitáveis, como é o caso de "Linda Demais". A parceria de Carlos Colla e Marcelo Costa Santos não cumpre seu papel de "turbinar" o projeto, resultando num ponto baixo. E, por falar em ponto baixo, "Miss Celie's Blues" seria, sem dúvida, o pior momento do DVD, não fosse a ótima participação de Shirley Carvalho. A canção de Quincy Jones, Rodney Liyn Temperton e Lionel Richie foi literalmente gritada pelo cantor, mas cantada com muita maestria e beleza por Shirley. O número mais parecia uma brincadeira, a qual Shirley sabia brincar muito bem, mas Vallen ainda não aprendera. Mesmo com improvisos pavorosos e desnecessários ao final do número, os agradecimentos sinceros valeram (parte) da canção. Um dos pontos mais altos do DVD é "Tango pra Tereza" (Evaldo Gouveia/ Jair Amorim), um belo número levado em tom burlesco e circense que valeu até os exageros cênicos de Vallen e contaram com a (bem-vinda) participação de uma dançarina para ensaiar passos de tango com o cantor. O projeto transcorre linear com outro belo número, a inédita "Essa Dona", a versão de Cláudio Rabello para a italiana "Bella Stronza" foi levada por um arranjo pautado em cordas. Belíssimo. O solo de guitarra no meio da canção serviu como gancho para que o cantor pudesse trocar o figurino. O número seguinte, "Esperando Aviões" (Vander Lee) foi outro ponto alto do projeto. A canção ganhou a força inexistente no opaco registro original de Lee. A outra inédita, "A Canção (Se Você Escutar)", apesar de irregular tem fôlego para hit radiofônico. O projeto não é irretocável. Muitos momentos descartáveis (como a presença da balada "Unforgattable") poderiam ser facilmente contornados se a direção do projeto fosse mais atenta. Falta atenção sentida em números como "Mi Corazón te Reclama" e a outra inédita "Vida, Onde é que foi Parar?". A inédita de Simone Saback é insossa e não faz jus a sua presença no projeto. Apesar da bela introdução, "Paciência" (Lenine/ Dudu Falcão) torna-se um número frio pela interpretação pouco empolgante de Vallen. Se "Toda Mulher" é inédita interessante (pela letra que alude ao universo feminino e pela saudação feita em cena por Ricky Vallen a Carlos Colla - presente na platéia), o hit radiofônico "Vidro Fumê" (o primeiro do cantor) é número morno. Mesmo com a intervenção do público, o número só estava presente no projeto por se tratar de um hit de força em sua carreira. "Milagres do Povo" foi pautada pela homenagem afro, a qual teve continuidade em "Ilê, Pérola Negra" onde, em determinado momento, Ricky Vallen já estava no meio do público em cima de uma das mesas da casa carioca Vivo Rio saudando a imagem da Nossa Senhora Aparecida no número que fechou o DVD, "Maria, Maria" (Milton Nascimento/ Fernando Brant).
Os extras são regulares e contidos em habituais entrevista (onde o cantor fala da infância pobre na cidade de Volta Redonda - RJ) e ensaio para a gravação do DVD. Os números extras também estão presentes. A evangélica
"Sonda-me, Usa-me" estava como faixa bônus (decisão acertada, já que a canção não diz a que veio e não tem um porque de figurar no roteiro). É número desnecessário, mas bonito. Já o (estranho) clipe de "Hoje no Mar" tira a força da bela canção de André Gabé.
Enfim, apesar da feiosa capa que não traduz a essência (inexistente) do show, o DVD Ricky Vallen Ao Vivo tem fôlego para se tornar um projeto de êxito no mercado fonográfico.

2 comentários:

Marina disse...

Legal, Bruno, mas não consigo concordar sobre a interpretação de Miss Celie' Blues. Ricky em momento algum exagero, gritou ou algo do tipo. Ele brincou com a voz, passeou pelas notas e deu show(e não sou nenhuma fã de carteirinha dele, ok?).

Flávia Flow disse...

Queridinho....Ricky Vallen não é para qualquer um...Mais respeito como MELHOR do Brasil...