sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Atemporal, Inês é peça com lição e muito bom humor.


Opinião de peça
Título: Inês – Gil Vicente por Ele Mesmo
Elenco: Charles Edward Murray, Alessandro Ramos, Sérgio Portella, Roberto Cezzaretti, Thiago Reis, Tony Ravan, Jéferson Santos, Tatiana Ramos e grupo Palanco.
Direção: Aquileu Nogueira
Local: Teatro Ruth Escobar – São Paulo
Data: 30 de outubro (em cartaz todas às Quintas-Feiras às 21:00 até dia 27 de novembro )
Cotação: *** ½


Poderia ter sido só mais uma peça humorística e com uma lição em suas entrelinhas, mas não foi. Em cartaz todas as quintas no Teatro Ruth Escobar, a peça Inês – Gil Vicente por Ele Mesmo traz algo diferente, a criatividade.
Com elenco impecável e bem preparado e texto bem escrito, a peça conseguiu destaque pelas noites paulistanas.
Ao ser iniciada com música ao vivo proporcionada pelo (ótimo) grupo Palanco, a peça seguiu linear ao contar a história do desafio feito a mais de 500 anos atrás por Pero Marques ao escritor e ator Gil Vicente em Portugal. Ao aceitar o desafio de fazer uma peça com o tema:
“mais quero um asno que me carregue que um cavalo que me derrube”, Gil Vicente (interpretado por Charles Edward Murray em interpretação duvidosa) criou a bela peça Inês onde a personagem principal fora interpretada irretocavelmente por Alessandro Ramos. Um dos grandes pontos altos da peça foi à retratação de outra peça, mostrando os erros de toda produção seja na escolha do personagem (um dos pontos humorísticos onde o ator ao interpretar Inês é caçoado por seus colegas de elenco) ou até mesmo na briga entre o elenco quando um dos atores sai de seu personagem para brigar com outro. Impossível não rir.
Ao misturar a linguagem dos tempos de hoje com a linguagem mais antiga o grupo conseguiu driblar bem um texto que, a principio, parecia um enrolado. A brincadeira com a platéia era constante e incansável, já que a fórmula do humor neste caso deu certo e, deu tão certo que chegaram a pegar da platéia o rei e a rainha que faltaram à peça. Uma graça.
Sem pontos baixos, pelo contrário, apenas autos, a peça seguiu linear e crescendo cada vez mais, fosse pela belíssima iluminação, fossem pelas interpretações bárbaras de Roberto Cezzaretti ao interpretar a mãe de Inês, ou a de Tony Ravan ao interpretar Pero Marques dentro da sátira (um dos destaques da noite), a peça só ganhava. Grande ponto alto foi à música que, de um momento para outro, deixava de ser ao vivo e passava a fazer alusão às pistas de dança de hoje em dia, normalmente mais normais a esse tipo de música é a boate Lôca.
Num bloco parcialmente cigano, na chegada dos judeus a peça, via-se o bom desfecho da peça que acabou com a participação dos escolhidos da platéia para interpretar rei e rainha.
O gran finale ficou pequeno, talvez pelo fato de ser bem intimista. Ao recitar trechos da escritura cravada na lápide de Gil Vicente, Charles Murray deu final à (bela) peça.
Inês é peça interessante com ótimo desfecho e merece ser vista e conhecida. Valeu.

* Destaques:

Os destaques da noite foram os atores Tony Ravan (com interpretação impecável de Pero Marques satirizado), Alessandro Ramos (com irretocável interpretação de Inês), Roberto Cezzaretti (com muito humor ao tocar o barco da mãe de Inês), Jéferson Santos (com bela interpretação e ótimo jogo de cintura para levar a peça toda um personagem flexível e atemporal) e Thiago Reis (com ótima interpretação conseguiu conquistar a platéia e até introduzir bom bordão no público... “sacou?!”). Inês, a peça, é ótimo programa para o fim de uma noite. Valeu.

2 comentários:

fefe_bitas disse...

* Amigo obrigada primeiro pela sua presença, e obrigada pelo post dedicado a peça, espero q tenha gostado msmo e que volte + e + vezes!!
te amooo!!*

Mineira à paulista! disse...

pronto! você resumiu graciosamente o espetáculo que vimos quinta-feira. A iluminção, os atores e pricipalmente a música não deixaram a desejar. Quero ver outras vezes e espalhar pra todo mundo a maravilha do teatro. Parabéns pelo post, Bruninho :)