quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Uma singela homenagem - Chase


Nascida carioca, a atriz Ada Chaseliov é um dos nomes mais importantes no cenário teatral brasileiro desde que surgiu na década de 70, mas no cinema. Ada é uma referência na dramaturgia brasileira, principalmente na área de musicais. Ela encerrou a pouco tempo uma temporada muito bem sucedida do musical “Gypsy’, onde interpretava a escrachada e hilária Electra, um papel que, a princípio parece ser pequeno, mas que cresce demais no conceito do público pelo ato de fazer rir e divertir.

Ada prende o público e já não é de hoje. Sua imagem sempre prendeu a atenção do público fosse no teatro, no cinema ou na televisão. Ada tem um encanto próprio que faz com que sua imagem nos prenda de tão intensa que demonstra ser. Ela é a atriz que mais fez musicais da dupla de papas Charles Möeller e Cláudio Botelho e disputa o prêmio de primeiríssima apenas com a recém-homenageada deste blog, Ivana Domenico. Ada, no entanto, não é uma cantriz. É uma atriz que canta (na definição da própria). E canta bem. Já é provado isso desde “As Malvadas”, primeiro musical de Charles Möeller e Cláudio Botelho, onde Ada deu vida à Amanda Plummer, a garota do partido. Foi ela quem deu vida também à Linda Porter no inesquecível “Cole Porter – Ele Nunca Disse que me Amava” e foi responsável por substituir Totia Meireles no belíssimo “Cristal Bacharach”. Diversidade é com Ada, que também encarnou, no teatro, Dóris Pelanca no grande clássico “Ópera do Malandro” e Frau Schmidt no musical “A Noviça Rebelde”, que faz parte do imaginário de qualquer ser humano que ao menos simpatize com musicais.

O grande público, no entanto, deve conhecer Ada de suas participações em novelas e minisséries. “A Muralha”, por exemplo, onde encarnou a inesquecível Leonor ou então em “Belíssima” onde encarnou a mãe super-protetora Ester Schneider, causando um grande desconforto na classe judaica pelo fato de a personagem ser uma das vilãs da trama e ainda ser judia. Mas ninguém jamais se esquecerá de sua participação em “Guerra dos Sexos”, onde viveu Manuela Marino, a mulher, mãe e esposa alcoólica que sumiu no meio da trama e, quando a julgavam morta, retornou triunfante e livre de seu vício. Mais atualmente fez uma pequena participação em “Passione”, outra novela de Silvio de Abreu, autor que, graças aos céus, sempre nos dá a chance de vê-la nem que seja por alguns instantes na telinha. Ada era Matilde, a dona do bordel onde Clara voltara a trabalhar logo no início da novela. Uma pequena participação que, para nós, fãs, é sempre enorme. Aliás, de pequenas participações na TV Ada se fez. Seja no “Castelo Rá-Tim-Bum” como uma bruxa má que decide se tornar boa; Seja em “Da Cor do Pecado” como a governanta mandona Solange, seja como a amante de um garotão em “Paraíso Tropical” ou seja uma hilária cinquentona loura que, com seu dinheiro, seduz Marcelo em “Sete Pecados” (atualmente em reprise no Vale à Pena ver de Novo). Enfim, seja como for é sempre uma alegria poder rever a Ada na telinha. E é sempre uma alegria poder vê-la ao vivo. Um primor de doçura, preocupada e atenciosa que, muito carinhosamente, deixou que eu a enchesse a paciência durante toda a temporada de “Gypsy” em São Paulo, me proporcionando a possibilidade de assistir ao musical diversas vezes (assisti 8 e, destas 8 umas 4 ou 5 me foram proporcionadas por Ada). Fiz uma entrevista com Ada, foram 20 perguntas e, destas 20, duas foram selecionadas por mim para postar aqui. Perguntas, inclusive, essenciais dentro do teatro musical Ada, muito gentil, as respondeu. Muito obrigado Chase.

1- Como você analisa o teatro musical brasileiro hoje? Está difundido no Brasil o conceito de ator completo que canta, dança e atua?

R: Com certeza já está muito difundido aqui e a tendência é só aumentar.

Quando comecei as atrizes cantavam, não tinham “Cantrizes”.

No primeiro musical, As Malvadas, tive um choque.

O elenco reunia umas das melhores vozes até hoje, do nosso panorama de teatro musical

Gottsha, Kiara Sasso, Alessandra Maestrini e Ivana Domenico.

A sorte é que eu era a única atriz experiente!

Conviver com essas vozes incríveis me ajudou bastante e também sempre fiz aulas de canto.

É uma profissão onde a gente não pode parar de estudar, principalmente em musical.

2- É possível viver apenas de teatro musical no Brasil?

R: Difícil responder isso, pois o problema eterno do ator é quando não está empregado.

Acho que a prática de pagar salários e não percentual de bilheteria, em teatro musical, dá certa garantia ao ator.

O grande problema é que dependemos totalmente de patrocínio, então peças que fazem o maior sucesso e poderiam ficar meses e meses, são obrigadas a sair de cartaz.

Esta é uma singela, singelíssima citação, mas feita de todo o coração para uma das minhas atrizes favoritas. Admirada como profissional e como pessoa. Chase (ela com certeza vai odiar essa intimidade), um beijo carinhoso.

Amanda Plummer - A Garota do Partido (1)


Amanda Plummer - A Garota do Partido (2)

2 comentários:

ada disse...

Muito obrigada, querido!

Ione disse...

Amanda Plummer, adorei!:-)
Um beijo e parabéns pela homenagem, ela merece!