terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Beatriz estréia "Tatazinha" em Juiz de Fora.


A cantora Beatriz Carvalho estreará no mês de março sua nova turnê. A sucessora de Bia Tropical (vencedora do 15 Prêmio SHARP de música brasileira) terá o título de Tatazinha World Tour. O título é inspirado em Thaís Rocha Canal Cianci (em foto abraçando Letícia fantasiada de garoto - a estudante foi a inspiradora da canção "T-Ha" de Bruno Cavalcanti, interpretada por Marienne Souza em seu show Paixão). Beatriz estréia o show em março com duas apresentações no Teatro Cine Central em Juiz de Fora (MG) e segue pelo Brasil até o final de setembro, quando inicia turnê pela Espanha e França.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Brasil comemora tímido o centenário de Carmen.


O Brasil, o país que mais deveria comemorar, foi o que teve comemoração mais tímida. A indústria fonografica não tem muitos (ou grandes) projetos para a comemoração do centenário da pequena notável, a qual levou o Brasil para frente em todo o lugar por onde passava. Mesmo sendo portuguesa, Carmen era brasileirissima de coração e, infelzimente (para nós), no Brasil é o país por onde ela passou onde menos se sabe do legado dessa genial artista. O blog Infinitivamente Pessoal já fez questão de realizar sua pequena homenagem à pequena notável no post de 2 de janeiro de 2009 (clique aqui). Agora é aguardar... Brasil, Brasil, pra frente, pra frente que até caiu!

Ulhoa e Villares produzem disco de Zélia.


Ficou a cargo de John Ulhoa (o criativo integrante do grupo Pato Fu) produzir ao lado de Beto Villares o disco de inéditas que Zélia lançará ainda neste ano de 2009. A gravação do Cd começou em Belo Horizonte (MG) sob a batuta de Ulhoa e vai ser encerrado em São Paulo ao lado de Villares. Aliás, Beto Villares foi um dos pilotos do último material inédito de Zélia, o (bom) disco Pré-Pós-Tudo-Bossa-Banda (2005). Uma das músicas que poderão fazer parte do disco já pode ser ouvida no site oficial da cantora. A canção é a boa "Aberto".

Excessos e exageros pautam show de Vallen.




Opinião de show
Título: Ricky Vallen
Artista: Ricky Vallen (com participações de Shirley Carvalho e Vanessa Jackson)
Local: Biroska Bar - São Paulo
Data: 08 de fevereiro
Cotação: **

E foram para os exageros e excessos vocais e cênicos a grande parte das atenções do público que compareceu à casa Biroska Bar, em São Paulo, para ver o show do cantor Ricky Vallen. O ex-calouro do programa do Raul Gil mostrou na noite de 08 de fevereiro que tem grandes dotes vocais e cênicos, mas que não soube educá-los ao longo de sua carreira.
O show foi iniciado com entonação à capela dos primeiros versos de
"Não Deixe o Samba Morrer", o sucesso do cancioneiro de Alcione em seus áureos tempos ganhou nova versão na voz do cantor que, sem desafinar, simulava os sons de uma cuíca com a voz. Os estrondos e exageros vocais começaram a surgir logo no segundo número do show, a valsa "Flor" não teve seu ritmo valorizado, perdendo a graça presente na bela letra. O show, que no início poderia ser tido como um show de um iniciante da noite sem repertório fixo devido ao repertório (exageradamente) eclético que ia de Roberto Carlos ("As Canções que Você fez pra Mim") até balada de Renato Russo ofertada à Cássia Eller ("1º de Julho"), foi pautado por altos e baixos. Um dos (bons) pontos altos do show foi o afiado humor do cantor que brincava com a platéia, chegando até a reeditar em palco cena da novela global A Favorita interpreyando a toada "Beijinho Doce". Entre os pontos baixos do show estavam as interpretações de "Boa Sorte - Good Luck" (canção de Vanessa da Mata e Ben Harper lançada pela dupla em 2007 no álbum Sim de Vanessa e que perdeu o brilho e a graça na interpretação de Vallen), "Devolva-me" (a canção de Lílian & Leno que teve grande repercussão na voz de Adriana Calcanhotto em 2000 também teve seu brilho ofuscado pelos exageros do cantor), "Vambora" (clássico na voz de Adriana gravado em 98 em seu disco Marítmo que perdeu o brilho) e "Vai", a canção de Simone Saback gravada por Ana Carolina em 2006 no disco Dois Quartos foi um ponto destoante do show.
Mas nem só de momentos destoantes foi feito o show, tendo como pontos altos a interpretação à capela de
"Pense Bem" (a boa canção do repertório de Fábio Jr.), a interpretação (sem ensaio) de "Chuva no Brejo", a canção dos Novos Baianos gravada por Marisa Monte no DVD Barulhinho Bom - Uma Viagem Musical (1996) e a forte interpretação de "Milagres do Povo", com passos evocando danças típicas realizadas dentro do Candomblé. O show ainda contou com as participações das cantoras Vanessa Jackson e Shirley Carvalho. O ponto mais destoante do show foi quando Vanessa Jackson subiu ao palco para, ao lado de Vallen, interpretar a belíssima "Miss Celie's Blues (Sister)". A canção de Quincy Jones, Red Temperton e Lionel Richie ganhou versão tremendamente exagerada e gritada que, comparada à belíssima e singela versão feita por Luiza Possi em seu Cd e DVD A Vida é Mesmo Agora (2007), chega até a contrariar totalmente a densidade e delicadeza do belo jazz composto pelo trio. Outro ponto que contrariou totalmente o show foi a participação de Vanessa Jackson que, após ter tido a imagem diluida no cenário musical, parece ter perdido a educação vocal que tinha, lembrando grandes divas como Whitney Houston, restando apenas o exagero de interpretações gritadas e insossas. A participação de Shirley Carvalho foi mais proveitosa, mesmo sem ser o melhor momento do show, Shirley mostrou que ainda mantêm potente voz e afinação. Ao lado de Vallen, Shirley interpretou a insossa "Wen you Belive", a canção de Mariah Carrey ganhou versão descartável (a música por si só já é descartável, não precisaria figurar no roteiro do show). A canção foi levada entre afagos de egos já estufados.
O show só voltou realmente aos eixos quando Vallen interpretou a bela
"Digitais", a canção de Isabella Tavianni manteve-se no tom, já que por si só já é excessiva e exagerada como sua autora. O ponto mais alto do show foi a interpretação da (bela ) inédita "Hoje no Mar", a bela canção de André Gabé embriagou o público mais atento que não se importou com os excessivos gestos cênicos do cantor que, mesmo exagerados e repetidos, não diluiram a beleza da canção que, sem dúvida, foi o maior e melhor momento do show. O show ainda contou com mais uma canção inédita, a insossa "Vida" de Simone Saback. Momento insosso que pouco durou, pois o cantor saiu logo de cena para (desnecessária) troca de figurino à lá Maria Bethânia, deixando os músicos tocando bela interpretação de "So Easy", belo momento do show protagonizado pela (boa) banda do cantor (banda formada por Jefi no baixo e na programação, Fabrício na guitarra e violão e Guga Machado na percussão) que fez belo mix com rosto jazzístico. Clima quebrado logo em seguida, quando o cantor voltou à cena para armar o clima festivo ao som de "Pérola Negra", a bela canção em homenagem ao bloco baiano Ilê Ayiê, belo momento do show onde o cantor desceu do palco para cantar e interagir no meio da platéia. O show ainda contou com mais um momento, o hino evangélico "Faz um Milagre em Mim" que, apesar do tom destoante da canção, foi um momento emocionante, onde o público por si só emocionou de maneira magistral com a interpretação mas, ainda assim, causou forte e total anticlímax. Desnecessário também foi o insistente pedido de uma moça da platéia que pedia incansavelmente para que Ricky interpretasse "Dia de Formatura" (Moacyr Franco), pedido prontamente recusado por se tratar de uma música com legado muito especial para o cantor.
O show foi encerrado ao som de
"Vidro Fumê", a canção que Carlos Colla fez para Vallen e que entrou na trilha sonora da novela global Negócio da China como tema do personagem de Ney Latorraca, e interpretada também por Adriana Calcanhotto em apresentações feitas no Canecão (Rio de Janeiro) com a turnê Maré (que será e registrado em DVD e, prevavelmente, deverá conter a faixa no corpo do projeto). Aliás, a versão original do cantor ficou muito aquém da versão cantada por Calcanhotto, pautada pela precisão e sensibilidade.
Enfim, entre altos, baixos e diversos excessos, Vallen ainda matêm seu seu fiel público de seguidores.

Vallen grava Cd e DVD em show no Canecão.


Cantor que ganhou projeção (quase) nacional entre os calouros do programa do Raul Gil, Ricky Vallen gravará na noite de sábado (14) seu primeiro DVD. O projeto, idealizado para ser gravado no ano passado em São Paulo, será registrado em única apresentação no Canecão (Rio de Janeiro). No repertório do show figuram canções inéditas e algumas do primeiro Cd do cantor, o fraco Homenagens (2006). O DVD também renderá Cd ao vivo. Tanto Cd quanto DVD saem via Sony & BMG.

Multishow Ao Vivo de Vanessa sai em abril.


Gravado ao vivo em show realizado em novembro de 2008 no Centro Histórico da cidade de Paraty (RJ), o Cd e DVD Multishow Ao Vivo - Vanessa da Mata tem lançamento previsto para o mês de abril. O show contou com as participações dos músicos André Rodrigues, Marco Lobo e Davi Moraes sem contar com a dupla de jamaicanos Sly & Robbie. O DVD conta também com duas canções inéditas, "Acode" e "Esperança". Vale à pena aguardar.

Roberta grava disco dedicado a Roque Ferreira


Roberta Sá concretizará em 2009 seu projeto de gravar um disco - no caso, o terceiro da cantora - sobre a obra do compositor baiano Roque Ferreira, de quem gravou a música "Laranjeira" em seu segundo disco, Que Belo Estranho Dia pra se ter Alegria. O projeto já está em andamento e pode ser lançado no final deste ano, início do ano que vem. Roque Ferreira vem sendo gravado nos últimos anos por nomes como Zeca Pagodinho ("Samba para as Moças"), Maria Bethânia ("Doce") e Simone & Zélia Duncan ("Ralador") entre outros.
Enquanto encerra a seleção do repertório (que priorizará cancioneiro inédito do compositor), Roberta Sá prepara a gravação de seu primeiro DVD. Idealizado para o final de 2008, o projeto será concretizado realmente neste semestre - provavelmente entre março e abril - num show na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ).

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Multishow Ao Vivo de Rita já tem data de lançamento.


Gravados nos dias 30 e 31 de janeiro, o Cd e o DVD que registram o show Picnic de Rita Lee dentro da série Multishow Ao Vivo já têm data de lançamento. Tanto Cd quanto DVD chegam às prateleiras no mês de Maio. A data foi divulgada pelo próprio Multishow. No projeto, sucessos como "Ovelha Negra", "Agora só Falta Você", "Lança Perfume" (unido num medley com a marchinha "Chiquita Bacana"), "Flagra", "Bwanna" e "Saúde", canções que ela não tocava há tempos em shows como "Mutante", "Cor-de-Rosa Choque" (unida num medley a "Todas as Mulheres do Mundo"), algumas surpresas como o cover da música "Vingativa", a versão forrózenta de "I Want to Hold Your Hand" dos Beatles que virou "O Bode e a Cabra" (foda-se a Japa! kkkkk) e "Baby", a canção que Caetano fez para Gal Costa e que parou na voz dos Mutantes e três canções inéditas, a já conhecida "Tão" e as ótimas "Nóia" e "Insônia". O projeto tem a direção de Rodrigo Carelli e será lançado via Biscoito Fino.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Dois, se você quer amar...


"Dois, se você quer amar não basta um só amor", estes são os versos de "Três", uma das músicas mais expressivas do repertório de Marina Lima, e estes versos, acredito eu, servem como um cais no meu barco de apresentações para apresentar essas duas pessoas tão belas, interessantes, tão... inclassificáveis! O mais engraçado é que quando eu as conheci parecia que eu as conhecia já de outros carnavais (bons carnavais). Uma é o carnaval a outra é a quarta-feira, o que eu achei mais interessante, afinal enquanto uma parece ser uma louca varrida (amoooooo) a outra parece ser mais calma e contida (amoooo)... Mas nem por isso deixam de ser especiais. Uma é a louca, a Isadora (de roupa rosa) e a outra é a contida, a Sheila (a de roupa laranja). Confesso que nunca me relacionei tão rápido com duas pessoas e que, nessa relação, houvesse uma troca de amizades... adorei! Enfim, esse é um post de agradecimento como costumo fazer vez em quando aqui... Quero deixar bem claro a singela adoração que tenho por essas duas... yes, baby... e o manicômio vai enchendo! rsrsrs.

queridas i love you vocês.

Infinitivamente pessoal contemplado com o selo "Blog Dorado"


E, mais uma vez, o blog Infinitivamente Pessoal foi contemplado com um selo. A pedagoga Camila Campos foi, mais uma vez, a responsável por tal contemplação. O selo Blog Dorado me foi dado em 15 de janeiro de 2009 mas, devido ao meu sumiço forçado, só pude tê-lo comigo hoje (02 de fevereiro de 2009). Obrigado mais uma vez à pedagoga Camila Campos que, em 28 de dezembro de 2008, contemplou o mesmo blog com o selo Dardos (veja aqui o post).

A Caolha


A caolha era uma mulher magra, alta, macilenta, peito fundo, busto arqueado, braços compridos, delgados, largos nos cotovelos, grossos nos pulsos; mãos grandes, ossudas, estragadas pelo reumatismo e pelo trabalho; unhas grossas, chatas e cinzentas, cabelo crespo, de uma cor indecisa entre o branco sujo e o louro grisalho, desse cabelo cujo contato parece dever ser áspero e espinhento; boca descaída, numa expressão de desprezo, pescoço longo, engelhado, como o pescoço dos urubus; dentes falhos e cariados.

O seu aspecto infundia terror às crianças e repulsão aos adultos; não tanto pela sua altura e extraordinária magreza, mas porque a desgraçada tinha um defeito horrível: haviam lhe extraído o olho esquerdo; a pálpebra descera mirrada, deixando, contudo, junto ao lacrimal, uma fístula continuamente porejante.

Era essa pinta amarela sobre o fundo denegrido da olheira, era essa destilação incessante de pus que a tornava repulsiva aos olhos de toda gente.

Morava numa casa pequena, paga pelo filho único, operário numa fábrica de alfaiate; ela lavava a roupa para os hospitais e dava conta de todo o serviço da casa inclusive cozinha. O filho, enquanto era pequeno, comia os pobres jantares feitos por ela, às vezes até no mesmo prato; à proporção que ia crescendo, ia-se a pouco e pouco manifestando na fisionomia a repugnância por essa comida; até que um dia, tendo já um ordenadozinho, declarou à mãe que, por conveniência do negócio, passava a comer fora...

Ela fingiu não perceber a verdade, e resignou-se.

Daquele filho vinha-lhe todo o bem e todo o mal.

Que lhe importava o desprezo dos outros, se o seu filho adorado lhe pagasse com um beijo todas as amarguras da existência?

Um beijo dele era melhor que um dia de sol, era a suprema carícia para o triste coração de mãe! Mas... os beijos foram escasseando também, com o crescimento do Antonico! Em criança ele apertava-a nos braços e enchia-lhe a cara de beijos; depois, passou a beijá-la só na face direita, aquela onde não havia vestígios de doença; agora, limitava-se a beijar-lhe a mão!

Ela compreendia tudo e calava-se.

O filho não sofria menos.

Quando em criança entrou para a escola pública da freguesia, começaram logo os colegas, que o viam ir e vir com a mãe, a chamá-lo - o filho da caolha.

Aquilo exasperava-o; respondia sempre:

- Eu tenho nome!

Os outros riam e chacoteavam-no; ele se queixava aos mestres, os mestres ralhavam com os discípulos, chegavam mesmo a castigá-los - mas a alcunha pegou. Já não era só na escola que o chamavam assim.

Na rua, muitas vezes, ele ouvia de uma ou outra janela dizerem: o filho da caolha! Lá vai o filho da caolha! Lá vem o filho da caolha!

Eram as irmãs dos colegas, meninas novas, inocentes e que, industriadas pelos irmãos, feriam o coração do pobre Antonico cada vez que o viam passar!

As quitandeiras, onde iam comprar as goiabas ou as bananas para o lanche, aprenderam depressa a denominá-lo como os outros, e, muitas vezes, afastando os pequenos que se aglomeravam ao redor delas, diziam, estendendo uma mancheia de araçás, com piedade e simpatia:

- Taí, isso é para o filho da caolha!

O Antonico preferia não receber o presente a ouvi-lo acompanhar de tais palavras; tanto mais que os outros, com inveja, rompiam a gritar, cantando em coro, num estribilho já combinado:

- Filho da caolha, filho da caolha!

O Antonico pediu à mãe que não o fosse buscar à escola; e muito vermelho, contou-lhe a causa; sempre que o viam aparecer à porta do colégio os companheiros murmuravam injúrias, piscavam os olhos para o Antonico e faziam caretas de náuseas.

A caolha suspirou e nunca mais foi buscar o filho.

Aos onze anos o Antonico pediu para sair da escola: levava a brigar com os condiscípulos, que o intrigavam e malqueriam. Pediu para entrar para uma oficina de marceneiro. Mas na oficina de marceneiro aprenderam depressa a chamá-lo - o filho da caolha, a humilhá-lo, como no colégio.

Além de tudo, o serviço era pesado e ele começou a ter vertigens e desmaios. Arranjou então um lugar de caixeiro de venda: os seus colegas agruparam-se à porta, insultando-o, e o vendeiro achou prudente mandar o caixeiro embora, tanto que a rapaziada ia-lhe dando cabo do feijão e do arroz expostos à porta nos sacos abertos! Era uma contínua saraivada de cereais sobre o pobre Antonico!

Depois disso passou um tempo em casa, ocioso, magro, amarelo, deitado pelos cantos, dormindo às moscas, sempre zangado e sempre bocejante! Evitava sair de dia e nunca, mas nunca, acompanhava a mãe; esta poupava-o: tinha medo que o rapaz, num dos desmaios, lhe morresse nos braços, e por isso nem sequer o repreendia! Aos dezesseis anos, vendo-o mais forte, pediu e obteve-lhe, a caolha, um lugar numa oficina de alfaiate. A infeliz mulher contou ao mestre toda a história do filho e suplicou-lhe que não deixasse os aprendizes humilhá-lo; que os fizesse terem caridade!

Antonico encontrou na oficina uma certa reserva e silêncio da parte dos companheiros; quando o mestre dizia: sr. Antonico, ele percebia um sorriso mal oculto nos lábios dos oficiais; mas a pouco e pouco essa suspeita, ou esse sorriso, se foi desvanecendo, até que principiou a sentir-se bem ali.

Decorreram alguns anos e chegou a vez de Antonico se apaixonar. Até aí, numa ou outra pretensão de namoro que ele tivera, encontrara sempre uma resistência que o desanimava, e que o fazia retroceder sem grandes mágoas. Agora, porém, a coisa era diversa: ele amava! Amava como um louco a linda moreninha da esquina fronteira, uma rapariguinha adorável, de olhos negros como veludos e boca fresca como um botão de rosa. O Antonico voltou a ser assíduo em casa e expandia-se mais carinhosamente com a mãe; um dia, em que viu os olhos da morena fixarem os seus, entrou como um louco no quarto da caolha e beijou-a mesmo na face esquerda, num transbordamento de esquecida ternura!

Aquele beijo foi para a infeliz uma inundação de júbilo! Tornara a encontrar o seu querido filho! Pôs-se a cantar toda a tarde, e nessa noite, ao adormecer, dizia consigo:

- Sou muito feliz... o meu filho é um anjo!

Entretanto, o Antonico escrevia, num papel fino, a sua declaração de amor à vizinha. No dia seguinte mandou-lhe cedo a carta. A resposta fez-se esperar. Durante muitos dias Antonico perdia-se em amarguradas conjecturas.

Ao princípio pensava: - É o pudor.

Depois começou a desconfiar de outra causa; por fim recebeu uma carta em que a bela moreninha confessava consentir em ser sua mulher, se ele se separasse completamente da mãe! Vinham explicações confusas, mal alinhavadas: lembrava a mudança de bairro; ele ali era muito conhecido por filho da caolha, e bem compreendia que ela não se poderia sujeitar a ser alcunhada em breve de - nora da caolha, ou coisa semelhante!

O Antonico chorou! Não podia crer que a sua casta e gentil moreninha tivesse pensamentos tão práticos!

Depois o seu rancor se voltou para a mãe.

Ela era a causadora de toda a sua desgraça! Aquela mulher perturbara a sua infância, quebrara-lhe todas as carreiras, e agora o seu mais brilhante sonho de futuro sumia-se diante dela! Lamentava-se por ter nascido de mulher tão feia, e resolveu procurar meio de separar-se dela; iria considerar-se humilhado continuando sob o mesmo teto; havia de protegê-la de longe, vindo de vez em quando vê-la à noite, furtivamente...

Salvava assim a responsabilidade do protetor e, ao mesmo tempo, consagraria à sua amada a felicidade que lhe devia em troca do seu consentimento e amor...

Passou um dia terrível; à noite, voltando para casa levava o seu projeto e a decisão de o expor à mãe.

A velha, agachada à porta do quintal, lavava umas panelas com um trapo engordurado. O Antonico pensou: "Ao dizer a verdade eu havia de sujeitar minha mulher a viver em companhia de... uma tal criatura?" Estas últimas palavras foram arrastadas pelo seu espírito com verdadeira dor. A caolha levantou para ele o rosto, e o Antonico, vendo-lhe o pus na face, disse:
- Limpe a cara, mãe...

Ela sumiu a cabeça no avental; ele continuou:

- Afinal, nunca me explicou bem a que é devido esse defeito!

- Foi uma doença, - respondeu sufocadamente a mãe - é melhor não lembrar isso!

- E é sempre a sua resposta: é melhor não lembrar isso! Por quê?

- Porque não vale a pena; nada se remedeia...

- Bem! Agora escute: trago-lhe uma novidade. O patrão exige que eu vá dormir na vizinhança da loja... já aluguei um quarto; a senhora fica aqui e eu virei todos os dias saber da sua saúde ou se tem necessidade de alguma coisa... É por força maior; não temos remédio senão sujeitar-nos!...

Ele, magrinho, curvado pelo hábito de costurar sobre os joelhos, delgado e amarelo como todos os rapazes criados à sombra das oficinas, onde o trabalho começa cedo e o serão acaba tarde, tinha lançado naquelas palavras toda a sua energia, e espreitava agora a mãe com um olhar desconfiado e medroso.

A caolha se levantou e, fixando o filho com uma expressão terrível, respondeu com doloroso desdém:

- Embusteiro! O que você tem é vergonha de ser meu filho! Saia! Que eu também já sinto vergonha de ser mãe de semelhante ingrato!

O rapaz saiu cabisbaixo, humilde, surpreso da atitude que assumira a mãe, até então sempre paciente e cordata; ia com medo, maquinalmente, obedecendo à ordem que tão feroz e imperativamente lhe dera a caolha.

Ela o acompanhou, fechou com estrondo a porta, e vendo-se só, encostou-se cabaleante à parede do corredor e desabafou em soluços.
O Antonico passou uma tarde e uma noite de angústia.

Na manhã seguinte o seu primeiro desejo foi voltar à casa; mas não teve coragem; via o rosto colérico da mãe, faces contraídas, lábios adelgaçados pelo ódio, narinas dilatadas, o olho direito saliente, a penetrar-lhe até o fundo do coração, o olho esquerdo arrepanhado, murcho - murcho e sujo de pus; via a sua atitude altiva, o seu dedo ossudo, de falanges salientes, apontando-lhe com energia a porta da rua; sentia-lhe ainda o som cavernoso da voz, e o grande fôlego que ela tomara para dizer as verdadeiras e amargas palavras que lhe atirara no rosto; via toda a cena da véspera e não se animava a arrostar com o perigo de outra semelhante.

Providencialmente, lembrou-se da madrinha, única amiga da caolha, mas que, entretanto, raramente a procurava.

Foi pedir-lhe que interviesse, e contou-lhe sinceramente tudo o que houvera.

A madrinha escutou-o comovida; depois disse:

- Eu previa isso mesmo, quando aconselhava tua mãe a que te dissesse a verdade inteira; ela não quis, aí está!

- Que verdade, madrinha?

Encontraram a caolha a tirar umas nódoas do fraque do filho - queria mandar-lhe a roupa limpinha. A infeliz se arrependera das palavras que dissera e tinha passado a noite à janela, esperando que o Antonico voltasse ou passasse apenas... Via o porvir negro e vazio e já se queixava de si! Quando a amiga e o filho entraram, ela ficou imóvel: a surpresa e a alegria amarraram-lhe toda a ação.

A madrinha do Antonico começou logo:

- O teu rapaz foi suplicar-me que te viesse pedir perdão pelo que houve aqui ontem e eu aproveito a ocasião para, à tua vista, contar-lhe o que já deverias ter-lhe dito!

- Cala-te! - murmurou com voz apagada a caolha.

- Não me calo! Essa pieguice é que te tem prejudicado! Olha, rapaz! Quem cegou a tua mãe foste tu!

O afilhado tornou-se lívido; e ela concluiu:

- Ah, não tiveste culpa! Eras muito pequeno quando, um dia, ao almoço, levantaste na mãozinha um garfo; ela estava distraída, e antes que eu pudesse evitar a catástrofe, tu o enterraste pelo olho esquerdo! Ainda tenho no ouvido o grito de dor que ela deu!

O Antonico caiu pesadamente de bruços, com um desmaio; a mãe acercou-se rapidamente dele, murmurando trêmula:

- Pobre filho! Vês? Era por isto que eu não queria dizer nada!



Júlia Lopes de Almeida.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Gloriosa Marília nº 3


E esta é a terceira e última vídeo-homenagem que faço à Marília Pêra dentro da coletânea Gloriosa Marília. Sou fã incondicional do trabalho desta genial mulher e, sempre que possível (e sempre que me der na telha), volto com uma homenagem à ela não importa como. Este último vídeo que fecha a trilogia Gloriosa Marília é um vídeo de divulgação da peça Gloriosa, na qual Marília encarna a péssima cantora lírica Florence Foster Jenkins, a qual foi considerada como a pior cantora do mundo. Marília como sempre está inclassificável... vale (muito) à pena.


Gloriosa Marília nº 2


Esse é o segundo dos três vídeo-homenagem que posto sobre Marília Pêra, a maior atriz da história das artes cênicas. Este vídeo é a continuação do já postado Brincando em Cima Daquilo, uma das peças mais divertidas e estimulantes que já tive o prazer de assistir. Fiquem com o som dela...

Gloriosa Marília


Em minha singela opinião, Marília Pêra (em foto caracterizada como a péssima cantora Florence Foster Jenkins na peça Gloriosa) é a melhor atriz que já existiu na história das artes cênicas. Não há uma outra atriz que chegue perto de sua genialidade como atriz e como diretora. Marília dá realmente vida a seus personagens sem jamais se repetir. É atriz, diretora e com voz talhada para o canto... Marília é a maior artista que esse mundo já teve. Deixo aqui minha homenagem à essa maravilhosa atriz com o primeiro dos dois vídeos de parte da peça Brincando em Cima Daquilo encenada por Marília, confiram que vale muito à pena.


sábado, 31 de janeiro de 2009

E depois de uma tarde...


Depois de uma tarde cheia de fracas emoções e decepções é ótimo chegar em casa!

Hoje, fuçando no Blog da Zizi Possi um post me chamou muito a atenção! Chama-se Sobre Acordar... e nele a Zizi nos mostra uma história que recebeu por e-mail e que, no e-mail, era retratada a inveja. Assim como a Zizi acredito que a história não falasse da inveja, mas sim da carência! Da carência humana! A história é até bem interessante e o que a Zizi disse também! Ela disse-nos que agora ela vê que ela não deseja tudo o que gosta... ela não quer levar o mar para sua casa, não quer vestir o pôr-do-Sol... enfim, ela deseja o que lhe é necessário, não apenas o que lhe é admirado e eu concordo plenamente... Nós não desejamos tudo que gostamos...

Enfim, eis a histórinha e tirem suas próprias conclusões:

Conta-se que um monge eremita viajava através das aldeias, ensinando o bem.

Chegando a noite e estando nas montanhas, sentiu muito frio. Buscou um lugar para se abrigar. Um discípulo jovem ofereceu-lhe a própria caverna. Cedeu-lhe a cama pobre, onde uma pele de animal estava estendida.

O monge aceitou e repousou. No dia seguinte, quando o sol estava radiante e ele deveria prosseguir a sua peregrinação, desejou agradecer ao jovem pela hospitalidade.

Então, apontou o seu indicador para uma pequena pedra que estava próxima e ela se transformou em uma pepita de ouro.

Sem palavras, o velho procurou fazer que o rapaz entendesse que aquela era a sua doação, um agradecimento a ele. Contudo, o rapaz se manteve triste.

Então, o religioso pensou um pouco. Depois, num gesto inesperado, apontou uma enorme montanha e ela se transformou inteiramente em ouro.

O mensageiro, num gesto significativo, fez o rapaz entender que ele estava lhe dando aquela montanha de ouro em gratidão.

Porém, o jovem continuava triste. O velho não pôde se conter e perguntou:

Meu filho, afinal, o que você quer de mim? Estou lhe dando uma montanha inteira de ouro.

O rapaz apressado respondeu: Eu quero o vosso dedo

A hora e a idade da estrela.


Na tarde de hoje (31/ 01/ 2009) fui ao shopping Morumbi (São Paulo) para comemorar a idade da estrela. A estrela a qual me refiro é a minha queridíssima Beatriz Afonso, a supra-citada Bea (foto). E a idade é o seu aniversário. Hoje Bea completa a idade da estrela, seus 14 anos, 14 anos conduzidos como um barco sem cais mas sempre com um sentido: a felicidade! Não preciso dizer o quanto essa estrela é especial na minha vidinha vulgar, afinal ela é mitológica, diga-se lendária... Hoje comemoramos esse momento que não tem paga e nem tem preço no shopping Morumbi com um grande (quando eu digo grande não é exagero) encontro de amigos (dela) que, apesar das faltas, mostraram-se amigáveis. Isadora e Sheila, que amores! Reencontrar pessoas especiais foi, digamos, um dos pontos baixos, pois o encontro foi lânguido e formal (com excessão da Janaína, um amor incondicional), sem grandes "emoções". Mas, como tudo que leva o nome dessa estrela, o encontro (com ela) foi o mais perfeito possível! Enfim, fica essa singelíssima homenagem à essa menina TÃO querida, tão amada e que, no passar do tempo, tornou-se tão especial na minha vida... aliás, especial e totalmente indispensável!

FELIZ ANIVERSÁRIO BABY!!!

Paralamas e Ramalho celebram a Paraíba


No disco de inéditas que lança ainda neste primeiro semestre de 2009, Brasil Afora, o grupo carioca Os Paralamas do Sucesso celebra a cidade de João Pessoa (capital da Paraíba) na canção "Mormaço". A faixa conta com a participação de Zé Ramalho e o disco tem produção de Liminha.

Ivete adia DVD nos E.U.A devido à crise.


Ivete Sangalo adiou para 2010 a gravação de seu DVD no lendário estádio do Madison Square Garden, em Nova York - prevista inicialmente para o segundo semestre de 2009. A informação foi dada pela própria cantora em comitiva para os jornalistas que cobriam o Festival de Verão 2009 em Salvador. Ivete atribuiu o adiamento à crise no mercado financeiro, mas especula-se que o possível adiamento tenha acontecido devido o lançamento de Cd e DVD gravados por Ivete com convidados no estúdio de sua casa, na Bahia. O projeto Pode Entrar é uma espécie de "Ivete Convida" e tem lançamento previsto pela Universal Music para o primeiro semestre de 2009. Para que o lançamento do projeto não fosse afetado, decidiu-se adiar a gravação do DVD.