quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Especial de Natal MARINA LIMA - 30 Anos


Marina Lima. Um nome que me transmite força, sensualidade, inteligência e sonoridade cool e moderna. Marina está em destaque no Infinitivamente Pessoal neste Natal. É um presente meu para todos aqueles que quiserem ler e ouvir. Marina merece este destaque!

Carioquíssima que morou nos EUA ela já chegou causando frisson no Brasil. Gal Costa gravou “Meu Doce Amor” em seu LP Caras e Bocas e, em 1979 Marina lançou seu primeiro LP, Simples Como Fogo. Uma capa provocante foi a primeira coisa que chamou a atenção daqueles que passavam despercebidos pelas lojas de disco naquela época. A voz rouca e quente, sensual, sexual até, foi outro ponto que marcou muito este primeiro disco. O segundo veio logo em seguida, Olhos Felizes, de 1981, trouxe o primeiro sucesso de Marina nas rádios, a canção “Nosso Estranho Amor”, que trouxe um dueto com o autor da canção, Caetano Veloso e “Corações a Mil”, de Gilberto Gil. Em 1982 chegou às lojas o LP Certos Acordes, que contou com outro hit, “Charme do Mundo”. Em 1984 Marina simplesmente explodiu em todas as paradas populares. O Brasil finalmente conhecia Fullgás, o LP que deu projeção nacional para Marina. E ela soube aproveitar a fama, já que, em 1985 lançou o roqueiro Todas (com os hits “Eu te Amo Você” e “Nada por Mim”) e, em 1986, Todas Ao Vivo, garantindo a ela sucesso consagrador em todas as paradas de sucesso do país com hits como “Pra Começar” e a regravação de “Ainda é Cedo”, da banda Legião Urbana.. Em 1988, inquieta do jeito que é, resolveu diminuir o ritmo e, do rock, passou para um pop mais romântico e lançou Virgem que, apesar de muito criticado na época, foi mais um sucesso para Marina. Sucessos inesquecíveis como a faixa-título “Virgem”, a praieira “Uma Noite e ½” e a regravação de “Preciso Dizer que te Amo”, de Cazuza. Em 1989 lançou Próxima Parada, que acabou não a agradando, mas deu à Marina mais um sucesso: “À Francesa”. Em 1991 lança pela EMI Music o disco Marina Lima, onde adota o sobrenome Lima, deixando de assinar apenas Marina. O disco trouxe à cantora os sucessos “Acontecimentos”, “Criança” e “Não sei Dançar”, além do hit “O Meu Sim”. Em 1993 lança um dos discos mais importantes do ano: O Chamado. Regado a dores devido à perda do pai e de um relacionamento frustrado, o disco deu a Marina os hits “O Chamado”, “Carente Profissional” e “Pessoa”, antigo hit de Dalto que, na gravação de Marina, fez estrondoso sucesso, levando o compositor de volta à memória popular. O disco ainda tem singles cultuadíssimos, como “Deve ser Assim” e “Eu vi o Rei” (feita em homenagem a seu falecido pai). Marina vivia o auge do seu sucesso, shows por todo o país e muitas cópias de disco vendidas. Mas, em 1994 decide parar de compor, já que não se sentia suficientemente bem para expressar o que sentia e, em 1995, lança um disco como intérprete. Nasceu ali Abrigo. O disco não foi um dos melhores da carreira de Marina, mas deu a ela alguns hits, dentre eles “Carne e Osso” (do grupo Picassos Falsos) e “Beija-Flor” (do grupo Timbalada). Abalada pela depressão, Marina decidiu cancelar todos os 60 shows da turnê Abrigo que havia ensaiado e, para não perder o trabalho, decidiu registrá-lo em disco. Nasceu Registros à Meia-Voz, um disco onde a voz de Marina (que já apresentava sinais de cansaço) mostrou-se completamente diferente. Incisiva, sem a doçura de tempos atrás. O trabalho não foi bem recebido por público e crítica, mas rendeu à Marina bons hits, dentre eles “À Meia-Voz” (tema de Malhação, na época) e “Para um Amor no Recife”, regravação de samba do Paulinho da Viola. E a cantora não se abalou e, em 1998, lança Pierrot do Brasil, um dos discos mais importantes da sua carreira atual, pois é o primeiro passo da cantora dentro da música eletrônica. A produção do iugoslavo Suba deu a Marina um belo trabalho final. Rendeu a Marina dois hits: “Deixe Estar” (com boa rotação nas rádios) e “Pierrot” (cultuada pelos fãs da cantora). Em 1999 decide posar para a Playboy, tendo uns dos mais belos, porém criticados, ensaios. Em 2000 finalmente decide voltar aos palcos com o (belo) show Síssi na Sua. A voz não era a mesma e o público (e crítica) não aceitaram o show tão bem quanto se esperava. Mas Marina não se abalou, e lançou um disco duplo com o áudio do show. Síssi na Sua ao vivo foi gravado em shows no DirecTV Music Hall (atual Citibank Hall) e gerou um especial de TV exibido pela DirecTV. O disco deu a Marina dois hits, “Síssi” e “Estou Assim”, ambos em parceria com a escritora Fernanda Young. Os hits também não fizeram muito sucesso. Em 2001, Marina decidiu voltar ao estúdio e, sobre a produção de Edu Martins e pisando com força no campo da música eletrônica, lança Setembro. Disco criticado e também sem boa aceitação. No que diz respeito à hits se saiu melhor que seu antecessor, Síssi na Sua. “No Escuro” foi tema da novela global O Clone, enquanto “Notícias” teve boa rotação nas rádios. Em 2003, em busca de reencontrar seu público, aceitou o convite para gravar um acústico da série MTV e ainda se tornou apresentadora do programa semanal Saia Justa, no canal GNT, ao lado de Fernanda Young, Marisa Orth e Mônica Waldvoguel. Marina não tinha vontade de revisitar sua carreira e, de tão inapropriado, o disco Acústico Mtv Marina Lima foi um dos poucos da série que não aconteceu no mercado. Apesar de “Sugar” estar em rotação na novela Agora é Que São Elas, o hit não aconteceu. Marina fez poucos shows para divulgar o projeto, deixando-o de lado no início de 2004, quando começou a fazer alguns shows no Bar Baretto, em São Paulo. A proximidade com o público inspirou a cantora a compor novas canções, a primeira foi “O Mundo e Seu Amor” que, depois, foi renomeada de “Três”. Marina compunha coisas inéditas enquanto fazia shows e, em 2005, estreou no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo, o show Primórdios. Um show eletrônico de ambiência moderna. A direção era de Monique Gardenberg. Um show grandioso, com cenários, grande iluminação e muito teatro. O show foi um sucesso completo em São Paulo, mas não aconteceu no Rio. Em 2006 lançou o disco Lá nos Primórdios, inspirado no show. Foi o primeiro disco da cantora até então com boa aceitação de público e crítica. E não é pra menos. Ainda em 2006, Marina registrou o show Primórdios em DVD ainda inédito. O show aconteceu no Auditório do Ibirapuera para convidados da cantora e do patrocinador. Em 2007 encerrou a turnê Primórdios e iniciou a Topo Todas Tour, inspirada na coletânea Marina Lima Novelas, que contou com a nova gravação da canção “Difícil”, tema da novela global Paraíso Tropical. A turnê rodou até a metade de 2008 e, em setembro, Marina estreou uma nova turnê. Marina Lima e Trio em Concerto, que também não teve uma vida muito longa. Ela pretende lançar no ano de 2010 seu primeiro livro, Marina Entre as Coisas, o DVD com o registro do show Primórdios e um novo disco de inéditas.

Decidi fazer essa pequena homenagem, ou melhor, este Especial de Natal Marina Lima - 30 Anos para revivê-la na memória popular e, mais, homenagear essa cantora maravilhosa e compositora ímpar. Marina merece todas as homenagens, até esta minha pequena contribuição, para que seus 30 anos de carreira não passem em branco. Marina é o melhor presente de Natal. Abaixo uma seleção de vídeo à lá Marina:


Saia Justa




Fullgás/ Tigresa (com Caetano Veloso)


Lígia (com Tom Jobim)


Uma Antiga Manhã (show Suba Connections)


Para um Amor no Recife (com Paulinho da Viola)


Pra Começar (programa Chico&Caetano)


Marina na novela "Perigosas Peruas" (1992)


Marina no jornal Hoje (2006)


Leda Nagle entrevista Marina (1989)


Como 2 e 2 ("Elas Cantam Roberto" - 2009)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Seleção de clipes

Uma seleção com alguns dos meus clipes favoritos:

Fullgás


Preciso Dizer que te Amo


À Francesa


Criança


O Chamado


Deve ser Assim


Beija-Flor


Para um Amor no Recife


Pierrot


No Escuro


Notícias


Pessoa (Domingão do Faustão - 1993)

Vestidinho Vermelho (Conversa Afinada - 2007)

Uma Noite e 1/2 (Programa Livre - 1991)

Na Minha Mão (Acústico Mtv - 2003)

Me Chama (Hollywood Rock - 1988)

À Francesa (Babilônia - 1989)

À Meia-Voz (show Síssi na Sua - DirecTV - 2000)

Marina volta a seus primórdios olhando pro futuro


Vale à Pena Ouvir de Novo
Opinião de Cd
Título: Lá nos Primórdios
Artista: Marina Lima
Gravadora: EMI Music
Cotação: ****
Ano de lançamento: 2006

Marina Lima é uma batalhadora. Foi descoberta no final da década de 70, já virando para 80 (1979), viveu seu auge nos anos 80, início dos 90, e, de 95 pra frente, se afastou dos palcos devido a uma forte depressão. Lançou discos no período de descoberta da doença (Abrigo, 1995), durante a forte crise (Registros à Meia-Voz, 1996) e já prestes a se curar (Pierrot do Brasil, 1998). Nenhum deles foi bem aceito pelo público ou pela crítica. A voz da cantora havia mudado e não estava agradando nem críticos nem parte de seu público dos anos 80, que se distanciou da obra da cantora. Em 2000 finalmente voltou aos palcos com o show Síssi na Sua. Apesar de ter tido uma melhora na voz, continuava um tanto fraca, e nem o show (nem o disco ao qual deu origem) agradou ao público ou a crítica especializada. Em 2001 se aventurou na área eletrônica ao lançar Setembro, mas também não foi um disco tão bem aceito. Em 2003 apostou na cartilha do Acústico Mtv, mas, de tão inapropriado, foi um dos poucos da série que não “aconteceu” no mercado. Em 2005, Marina estreou um show novo, no recém estreado Auditório do Ibirapuera, em São Paulo. Bingo. O show foi um sucesso de público e crítica. Em 2006 a cantora lança Lá nos Primórdios, o disco que leva ao estúdio canções inéditas do show e algumas releituras de outras canções da própria Marina, e até de Chico Buarque.

Lá nos Primórdios é o disco onde Marina consegue encontrar o equilíbrio entre a música pop e a música eletrônica, fundindo os dois e mostrando resultado agradável. A voz também está mais firme e confiante, mostrando nítida melhora.

O disco é aberto com um tango “funkiado” (como a própria Marina destaca). “Três” é a parceria de Marina com seu irmão e parceiro fiel, o filósofo e poeta Antônio Cícero. A canção se destaca entre as melhores da safra dos irmãos. “Valeu” é a segunda faixa. Uma ciranda criada apenas por Marina, inspirada nos ritmos do sul, mas tudo à moda de uma Marina Lima cool, moderna e eletrônica. “Anna Bella”, a terceira faixa do álbum, é mais uma parceria de Marina com Cícero, e chama mais atenção pela inspirada letra (que contém versos como a contestação de “por que as mulheres também não podem ter a sua sauna gay?”) do que pela própria melodia. Canção lançada por Marina em 1985, “Difícil” ganha arranjo pesado e interessante, sendo um dos destaques do disco. “Entre as Coisas” também é destaque. Outra composição inspirada, essa só de Marina. O rock é pesado e moderno. Alvin L. também contribui para o novo disco de Marina (o compositor estreou como parceiro da cantora em 1993 no disco O Chamado, mas, em 1991, Marina já havia gravado “Não sei Dançar” no álbum Marina Lima). O compositor dá para a cantora versão cool de “Beautiful Red Dress”, da norte americana Laurie Anderson. Virou “Vestidinho Vermelho”. Outra releitura é a de “Meus Irmãos”, a canção que Marina lançou em 1993 no supracitado O Chamado reaparece no disco de forma mais obscura, sem os violões que marcaram a gravação original. Única canção ainda inédita que não havia entrado no show Primórdios, “Que Ainda Virão” não é uma das canções mais inspiradas de Marina (que assina sozinha a faixa). Marina traz para o disco a regravação de “$ Cara”, sua parceria com Cícero, lançada em 1989 no disco Próxima Parada (que, na época, não agradou Marina). A canção reaparece mais pesada e noturna. Última das regravações, “Dura na Queda” (Chico Buarque) fecha o disco. A canção foi composta por Chico para fazer parte do musical em homenagem a Elza Soares e, mais tarde, foi gravada pela “mulata assanhada” no disco Do Cóccix até o Pescoço. A gravação de Marina é minimalista. A cantora diminui o ritmo do samba e o tamanho da letra. O disco é composto por mais duas faixas: remixes das faixas “Valeu” e “Vestidinho Vermelho”. A primeira foi remixada por DJ Dolores, que transformou a canção numa ciranda eletrônica voltada para as micaretas cool da noite paulistana. Já a última ficou a cargo do DJ Zé Pedro, que transformou a canção numa balada feita para as pistas de dança.

Lá nos Primórdios é o melhor disco de Marina nesta nova fase, desde Pierrot do Brasil é o que merece maior destaque. A “gata todo dia” mostra que não está escaldada, e tem muito o que mostrar ainda.


A esmaecida primavera de Marina em "Setembro"


Vale à Pena Ouvir de Novo
Opinião de Cd
Título: Setembro
Artista: Marina Lima
Gravadora: Abril Music
Cotação: ***
Ano de lançamento: 2001

Setembro, o 16º disco da discografia de Marina Lima (e o primeiro a ser todo autoral), é o primeiro de inéditas da cantora desde o (bom) Pierrot do Brasil. Depois de se afastar dos palcos por 5 anos, Marina voltou em 2000 com o show Síssi na Sua, que gerou Cd e especial de TV. Setembro é o primeiro disco de inéditas da nova fase da cantora. Mais confiante, mostra que aprendeu a usar sua meia-voz (que, depois da forte depressão que a abalou na década de 90, não foi mais a mesma).

A faixa-título, “Setembro”, abre o disco em tom eletrônico (que permeia todas as canções deste novo trabalho). A música é inspirada no atentado do 11 de setembro, ocorrido nos EUA. Marina é antenada. “Dois Durões (Lagoa)”, a segunda faixa do álbum, é inspirada bossa eletrônica, e mostra a inspiração da Marina compositora. O disco é repleto de baladas eletrônicas, com som de teclados e sintetizadores. Dentre as baladas, está “Alguma Prova”, parceria com Alvin L., que também assina, ao lado de Marina, “Paris-Dakar”, canção ambientada no mundo eletrônico com letra interessante sobre a situação do mundo. Balada que já faz parte da novela global, O Clone, “No Escuro” é um dos destaques do disco, assim como o rap “Me Diga (Francisca)”, ambas em parceria com o irmão, o poeta e filósofo Antônio Cícero. Marina amplia, a cada disco, o leque de parceiros. Neste disco ela traz parceria com Dalto e Cláudio Rabello (dos quais, Marina já gravou a bela “Pessoa”, no disco O Chamado, de 1993). A balada “Notícias” tem sonoridade menos pesada, e voltada para uma balada mais sussurrada (como a voz da cantora); Em contrapartida, o rock “Fala (Não Cala)” pode não ser a canção mais inspirada do disco, mas tem sonoridade forte, que serve para alavancar a monotonia ensaiada, a qual fica evidente na faixa que fecha o disco, “Terra à Vista” (que conta com um funk incidental, gravado pelos cachorros de Marina). As últimas faixas de Setembro são três remixes da faixa-título, “No Escuro” e “Notícias”, os quais não adicionam nada ao projeto.

Setembro é o primeiro disco de inéditas de Marina nesta fase mais confiante com sua meia-voz. A produção de Edu Martins é contemporânea, pena que não traduza com maestria a fina obra de Marina, fazendo com que sua “primavera” não floresça com grande êxito. Disco feito para as pistas.


segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Marina expõe dores com elegância em belo disco


Vale à Pena Ouvir de Novo
Opinião de Cd
Título: Pierrot do Brasil
Artista: Marina Lima
Gravadora: Universal Music
Cotação: ****
Ano de lançamento: 1998

A voz já não é a mesma, está mais intensa. As composições também já não são as mesmas. Estão mais elaboradas, falando de um amor urbano com uma poesia mais densa, mas ainda assim acessível. Essa é a nova Marina Lima. Em seu novo disco, Pierrot do Brasil, aquela Marina cheia de notas dos anos 80 desapareceu. Aquela Marina completamente rockeira e do “povão” desapareceu. Hits como “Uma Noite e ½” ficaram no passado. Agora a cantora está mais elegante, flertando com os apetrechos eletrônicos, usando e abusando da parceria com o produtor iugoslavo Suba. Marina evoluiu, e pra melhor.

O disco é aberto com um frevo eletrônico à moda de uma Marina moderna e elegante. “Pierrot” é faixa luxuosa, com letra interessante que expõe em seus versos as dores de uma cantora que se manteve afastada da grande massa ("sim, eu resolvi me ausentar para ocultar alguma dor, sofri, menti, talvez por pudor"). Com direito até à citação de “Delicado”, de Waldir Azevedo. Marina abriu o leque de parceiros em 1991, quando lançou o disco Marina Lima (onde assumia o sobrenome ao nome artístico). Neste novo disco o leque continua aberto. Marina compõe ao lado de Bid e Alvin L. “Arquivo II”, canção noturna onde letra e arranjo conversam entre si. O leque pode estar aberto, mas Marina também não descarta a forte parceria com o irmão Antônio Cícero. Juntos, compuseram o primeiro single do disco, a bela “Deixe Estar”. A voz de Marina está diferente, portanto os tons que dá às suas canções também não são mais os mesmos. Agora o sentimento das canções é mais perceptível, como na parceria com Alvin L., a forte “Na Minha Mão”.

Além de cantora, Marina também é instrumentista, aprendendo a mexer com MIDIS e gravando demos. A cantora compôs e gravou bela canção instrumental, a exemplo do que já havia feito em seu disco anterior, Registros à Meia-Voz. A faixa é “Sua” e, assim como quase todo o disco, é noturna, lembrando os bares de São Paulo. Marina lança mão de uma balada, que se adapta muito bem à sua “meia-voz”. “Uma Antiga Manhã” é faixa menor, mas se destaca como uma das belas composições da cantora. Ainda num vasto leque de parcerias, Marina compõe “Leva (Esse Samba, Esse Amor)” com o titã Sérgio Britto, que também participa botando voz na faixa. Faixas menos inspiradas, como “Pra ver meu Bem Corar” (parceria com Cícero) também fazem parte do disco, mas não contribuem para tirar o brilho do disco, que mostra a maturidade de Marina aprendendo a lidar com sua nova voz. “Portos e Vinhos” é outra bela balada, gravada apenas ao som da voz de Marina e dos teclados e piano de Suba e William Magalhães. E a cantora fecha o disco bom a interessante “Algo me Pegou”, versão própria para “Something’s got Me” de Lori Carson. A faixa é uma balada pop que, mesmo sem empolgar a grande massa, é ideal para mostrar a nova Marina, mais crescida e madura.

Pierrot do Brasil é a prova de que Marina está aprendendo a lidar com sua meia-voz, mostrando-se mais confiante ao cantar. Está feliz (como prova o encarte do disco). É ótima compositora, prova disso é que ainda tem muito que mostrar neste novo trabalho, que merece atenção do grande público.


Marina registra sua meia-voz em disco incisivo


Vale à Pena Ouvir de Novo
Opinião de Cd
Título: Registros à Meia-Voz
Artista: Marina Lima
Gravadora: EMI Music
Cotação: *** 1/2
Ano de lançamento: 1996

A voz não é mais a mesma. Não é mais aveludada como antigamente, nem mais tão doce. Agora está incisiva e recitada, quase falada. Mas não perdeu o charme. Essa é a nova realidade de Marina Lima, que lança seu novo disco, Registros à Meia-Voz. O título é exatamente a consciência que a cantora tem de sua nova realidade. A Marina cheia de nuances vocais dos anos 80 desapareceu, e agora surgiu uma nova, com uma voz mais forte, mais incisiva e mais poética. Reflexo do período de forte depressão que vem atravessando e a afastou dos palcos antes de estrear o show de seu disco passado, Abrigo, onde se mostrava não mais como compositora, mas como intérprete. Marina voltou a compor.

A faixa que abre o disco é a primeira parceria com seu irmão, o poeta Antônio Cícero, no disco. “À Meia-Voz” é a faixa, um dos destaques do disco. Não foi só a voz que mudou. A cantora também está diferente. Está mais madura, e, portanto, não faz mais sentido cantar canções com arranjos já datados, por isso se arriscou a regravar seu próprio sucesso, a canção “Fullgás” ganhou outros ares. Motivada pela gravação feita por Lulu Santos no disco Eu e Meme, Meme e Eu, Marina deu um novo rosto ao seu maior hit, deixando-o mais atual e com sua nova marca enquanto compositora. Mas o lado intérprete ainda aflora em Marina, prova disso é a regravação de “Tempestade” (Zélia Duncan/ Christiaan Oyens), que no disco Abrigo aparecia apenas como uma vinheta, agora aparece como uma faixa completa, com belo arranjo de piano, guitarra, bateria, baixo, percussão e sax. Marina também ataca de instrumentista em parceria com William Magalhães, numa ode Paulinho Moska, na bela “Retorno”, faixa instrumental. Segunda e última parceria com Cícero no disco, “O Solo da Paixão” se destaca pelo belo arranjo. Assim como a parceria com Giovanni Bizzoto em “Irremediáveis Mortais”. As letras são boas, mas acabam perdendo território para as inspiradas melodias. Marina é uma intérprete diferente. Ela regrava as canções ao seu próprio modo. Recriando arranjos e dando suas próprias nuances para a letra. E é isso que a faz tão apta a regravar o samba “Para um Amor no Recife”, de Paulinho da Viola. O samba virou uma balada pesada e deliciosa. A cantora tem o poder. E prova isso dando espaço para que Christiaan Oyens cante sua própria composição. A balada “Stay” pode não ser a mais inspirada do disco, mas vale muito pela participação de Marina nos vocais. A única faixa do disco que se perde é “Veleno”. A faixa instrumental foi a inspiradora para que Nelson Motta compusesse “Veneno”, e Marina gravasse no disco Fullgás de 1984. Marina fecha o disco completamente à vontade cantando nova versão para “Mesmo que Seja Eu”. A canção de Roberto e Erasmo que ganhou projeção na voz da “gata todo dia” em 84 ao gravá-la no disco Fullgás, reaparece completamente modificada. Com arranjo mais classudo e com direito até a apresentação da banda no final da faixa.

Registros à Meia-Voz é o retrato de uma nova realidade para a eterna “garota de Ipanema”. Mas mostra que tem um futuro maduro e promissor. Marina Lima agora é para a elite.


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

"Todas Ao Vivo" é escola para qualquer banda


Vale à Pena Ouvir de Novo
Opinião de Cd
Título: Todas Ao Vivo
Artista: Marina (Lima)
Gravadora: Universal Music
Cotação: ****
Ano de lançamento: 1986

Cantora que surgiu no ano de 1979, Marina (até então sem o Lima, no nome) veio alcançando sucesso e reconhecimento pelo país desde o sucesso de seu LP Fullgás, em 1984. Em 1985, Marina lançou o LP Todas, que a rendeu mais sucessos, dentre eles “Eu te Amo Você” (Kiko Zambianchi) e “Nada por Mim” (Herbert Vianna/ Paula Toller). A cantora lança em 1986 seu novo LP, Todas Ao Vivo, que é o registro do show realizado no Canecão (Rio de Janeiro). Marina aposta no rock tipicamente oitenta, mas faz isso à sua maneira. Acompanhada da banda “Põe pra Fora” (formada por Paulinho Guitarra, Jorjão Barreto, Renato Rocketh, Sergio Dellamonica e Luizão Ramos), a cantora abre e fecha o disco com duas canções inéditas.

A primeira é “Pra Começar”, a inédita de Marina e Antônio Cícero que foi tema de abertura da novela global Roda de Fogo. A boa inédita já virou mais um hit na carreira da “gata todo dia”. A segunda canção também é novidade na voz de Marina. “Ainda é Cedo”, da banda Legião Urbana, ganha gravação numa versão turbinada e alucinante da cantora (muito acima da gravação original da banda de Renato Russo). Marina aposta também no romantismo urbano, do qual sabe falar muito bem. Prova disso é a interpretação de “Veneno”, a versão de Nelson Motta para a italiana “Veleno” (que tem direito à citação do poema “Cícero e Marina”, do LP Fullgás). Destaque do disco, o medley que une os hits “Noite e Dia” (Lobão/ Júlio Barroso) e “Me Chama” (Lobão) soa leve e delicioso. Marina é vinho da melhor safra. Mas não se pode esquecer que é uma roqueira. Marina aposta em seu rock ao interpretar versão turbinada de “Difícil”, parceria com seu irmão Cícero. Marina traz para seu repertório até o blues requintado de Billie Holiday. “Lady Sings the Blues” serve como gancho perfeito para “Doida de Rachar” (a versão da própria Marina para “Maxine”, canção de Donald Fagen). A faixa é interessante por mostrar a naturalidade como Marina trata as canções, pedindo para começar de novo à música que julgava não estar sendo bem executada. Classuda. As últimas faixas do disco são um tipo de presente para os fãs. Marina enfileira três sucessos: “Fullgás” (1984), “Nada por Mim” (1985) e “Eu te Amo Você” (1985). A última faixa do disco é, assim como a primeira, uma canção inédita. Uma homenagem À banda que acompanha Marina, onde a cantora apresenta seus músicos. “Põe pra Fora” não é exatamente uma das músicas mais inspiradas da safra Marina & Cícero, mas é interessante pela intenção de divertir a platéia.

Todas Ao Vivo é ótimo disco que prova a boa música dos anos 80. Escola para qualquer banda de rock brasileira.