segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Os Mil e um talentos de HUMBERTO BARROS




Figurinha carimbada da cena musical brasileira, ele iniciou sua carreira profissional na extinta banda Heróis da Resistência.

De lá pra cá, trabalhou com dezenas de artistas como: Lobão, Paulinho Moska, Cidade negra, Zeca Baleiro e Engenheiros do Hawaii. Mas, foi como sideman na banda Kid abelha (onde permaneceu por mais de uma década) que ganhou grande popularidade. “Com o Kid Abelha se aprende o poder de um HIT”, Diz. Em 2002 ele lançou “Do nada ao Tudo”, seu primeiro Cd solo. No estilo Pop/Eletrônico, o trabalho contou com 11 faixas, uma delas a versão instrumental de “Retrato em Branco e preto”, sucesso do Chico Buarque. Três anos depois, lançou o albúm “O mundo está fervendo” que além das autorais, trouxe uma bela parceria com Leoni em “A noite é uma criança”. Seu mais recente trabalho “Trancado no quarto colorido” fala basicamente sobre relacionamentos amorosos com destaque para “Pingos e palavras” - Canção que seu irmão André Luis Barros fez em 1983. Cantor, Compositor, diretor, letrista, pianista, tecladista e produtor, Humberto Barros é o meu entrevistado da semana.


Priscila Toller : Quantos anos você tinha quando aprendeu a tocar Teclado e Piano? Foi influenciado por alguém?


Humberto Barros : Comecei a tocar tarde, por volta de onze anos flauta doce como disciplina na escola, e piano lá pelos 12, 13. Na verdade eu comecei a tocar o piano com segundas intenções mesmo, ou seja com a idéia de tocar rock’n’Roll com uma banda desde o princípio. Tinha a vontade de ter todos os sons ali à mão, ser o mago. Desde que nasci já ouvia os Beatles o dia inteiro porque meus tios adoravam e fui aprendendo a amar aquele som também. A partir dos nove, dez anos de idade comecei eu mesmo a ir completando a minha coleção dos 4 de Liverpool. Todos os dez primeiros discos que comprei na vida, com as economias do que eu –não- comia de lanche na escola foram dos Beatles. Sobre as influências, fui influenciado por vários artistas, afinal estávamos no final da década de setenta quando comecei a estudar piano e não faltavam tecladistas estrelas com Rick Wakeman, Keith Emerson (do Emerson, Lake & Palmer) e Jon Lord (Deep Purple). Mas o “empurrãozão” final foi quando vi aqui em terra Brasilis, ao vivo e a cores no palco a banda A Cor do Som . Pirei com o Mú ( Mú Carvalho) tocando e pela primeira vez entendi o que eu realmente queria fazer da vida. Depois disso foi só explicar para o resto de todo mundo.


P. T : Você começou profissionalmente a carreira na banda Heróis da Resistência. Como surgiu o convite?


H. B : Estávamos chegando para um ensaio, eu e a galera de uma banda instrumental que tínhamos na época, o ano era 89. O telefone tocou era o Galli, baterista dos Heróis que era amigo do baixista da nossa banda dono da casa onde estávamos ensaiando. Ele (Galli) perguntou para quem atendeu o telefone se ele não conhecia nenhum tecladista. Me passaram o telefone já brincando... “Quer tocar com os Heróis da Resistência?”, bem..... a partir desse dia as coisas foram sempre andando para o lado que havia programado, ser um músico profissional e tal. Hoje, olhando para trás penso em como a vida acaba mudando de trajetória em um segundo, só não temos como dizer antes de acontecer em que segundo ela vai mudar.


P. T : Como foi trabalhar com o Kid abelha por mais de uma década?


H. B : Foi maravilhoso, foi minha casa e uma incrível família por todo esse tempo. Com o Kid Abelha se aprende o poder de um HIT , e vou dizer , esse poder não é pequeno. Você vê aquela multidão se mover, pular e gritar por conta de uma canção, que não é feita muitas vezes nem para dançar especificamente. Sempre achei muito impressionante o papel da Paula ali na frente administrando aquela massa de gente. Aprendi muito sobre o “ser pop”, super ultra pop... Não é agressivo como o rock, e não é tolo. É pop, é sofisticado, musical e atinge um mundaréu de gente sem subestimar a inteligência dessa gente, muito pelo contrário, botando para cima o nível das coisas. Foi definitivamente uma das experiências mais incríveis da minha vida profissional esses anos com o Kid Abelha.


P. T : Em 2002 você lançou seu primeiro cd intitulado "Do nada ao tudo". Isso era uma desejo antigo?


H. B : Na verdade não era um desejo antigo não, o que aconteceu ali foi que exatamente eu não consegui realizar um desejo antigo, que por muitas vezes esteve perto, mas que não saiu. Era o desejo de lançar um disco de uma banda minha, não um trabalho solo. Eu entrei no negócio da música para formar uma banda e sair por aí tocando nossas músicas, e tive três bandas que se esforçaram muito para que isso acontecesse: Ursa Maior, Imagens do Mundo (hehe...nomes progressivos) e Mizifios, e que acabaram no quase. Nesse meio tempo fui tocando no trabalho de outros artistas, grandes artistas, e me desenvolvendo, mas sempre tentando colocar minhas bandas na boca do gol para as gravadoras. Em 2000 estava batalhando com a nossa banda Mizifios (Eu, Billy Brandão e Bruno Migliari) e a coisa parecia andar para trás. Foi quando tive um insight que quanto mais tentava botar o nome de uma banda para frente, o que estava indo para frente na verdade era o meu nome. Seria verdadeiramente mais simples se eu lançasse algo marcado com Humberto Barros na capa. E assim foi.


P. T: Como era conciliar sua carreira/shows com turnês grandes como foi o caso do Acústico Mtv Kid Abelha?


H. B : Minha carreira solo parava nessas épocas, mas como ela leva meu nome, acaba se beneficiando sempre que uma turnê dessas vai para a grande estrada, as notícias ficam fervilhando para todo mundo. E a Paula sempre falava dos meus discos quando me apresentava no final dos shows, principalmente do primeiro Do Nada ao Tudo. Sou muito grato a ela por isso. Aí está novamente um dos motivos pelos quais para mim foi muito mais lucrativo criar uma carreira solo: Tudo ajudava, inclusive as turnês do Kid Abelha.


P. T : Como é o Humberto Barros Produtor e Diretor?


H. B : Ainda um aprendiz engatinhando nas duas funções. Como produtor eu gosto muito de analisar como um psicanalista mesmo, (Risos) e entender o artista com quem estou trabalhando, e na verdade, aceitei pouquíssimas vezes essa função porque sempre precisei gostar absurdamente do trabalho da pessoa, pelo menos até o presente momento. Pode ser que consiga me distanciar mais no futuro, quando isso se tornar algo mais natural para mim, e - SE – isso vier a se tornar mais natural realmente. Dirigi um show esse ano e isso foi bem prazeroso. O show Doce Devassa da cantora e grande amiga Marília Bessy. Dividi essa produção com a atriz Cristina Prochaska que ficou mais focada na própria Marília, em sua atuação no palco e tudo. Eu resolvi mais as questões musicais. O resultado foi maravilhoso. Quero mais!


P. T : O seu mais recente albúm é o "Trancado no quarto colorido". Como foi o processo de produção?


H. B : Meus discos são compostos em longos períodos que normalmente têm início no dia seguinte em que lanço o anterior ou até um pouco antes com músicas que não participaram do anterior mas que já existem até mesmo gravadas, só não couberam no projeto. O que fica registrado no final é um ano e meio da vida ali em cada um. Porém acontece também que existe uma fonte que já está no secando que foi usada nesses três álbuns – Do Nada ao Tudo – O Mundo está Fervendo – Trancado no quarto colorido – que foi um disco demo que fiz só para mim e para uns dois outros amigos em 2000 e de onde sempre sai uma ou duas músicas em cada um desses álbuns. Na verdade foi uma época muito produtiva e sempre que voltava a essas músicas acabava gostando de alguma e colhia para que fizesse parte de um trabalho novo. E sempre casava bem. Mas só me restam duas músicas a serem usadas dessa fonte aí. E nem sei se será o caso daqui para frente. O Trancado no quarto colorido é o mais perfeitinho de todos para mim... Bem... É claro a gente sempre acha o último o melhor, e a crítica sempre acha que o seu melhor é aquele anterior ao que você está tentando mostrar que na época não foi bem entendido. O fato é que houve um aprendizado que foi culminando nesse álbum. E tem uma canção linda que meu irmão fez em 83 e que nunca tinha usado chamada Pingos e Palavras a qual gravei com meus companheiros da banda que tínhamos naquela época. Juntei a galera que são meus amigos até hoje, o Adalba que é um super cantor e o Valter Moreno , baixista e compositor da banda e mandamos ver. Está tudo no site que é o próprio disco online www.humbertobarros.com Sobre o processo, sempre gravo em meu estúdio e chamo alguns poucos amigos para gravarem junto, mas o fato de eu gravar muitos instrumentos sempre faz parte da onda toda. Me culpava por isso, pensava: Porque não monto uma banda e gravo tudo com os caras, mas afinal isso acabou se tornando uma característica nesse trabalho. Até os clipes fazem parte do processo todo, sem eles nem me sinto fazendo um disco.


P. T : Com tanto tempo na estrada Brasil a fora, já teve algum acontecimento engraçado em algum show que você fez (Solo ou com algum artista para qual tabalhou) ?


H. B : Várias e várias coisas, todos nós músicos somos verdadeiros catálogos de coisas curiosas para contar... e muitas para não contar. Se for para lembrar de uma... well, uma vez estávamos tocando, os Heróis da Resistência em um palco de feira de pecuária montado em um terraço que ficava na altura de um segundo andar de um prédio o público lá embaixo e o Leoni resolveu sentar apenas com uma das pernas no parapeito desse terraço que era como uma cerca de metal. A outra perna apoiada no chão para não perder o equilíbrio enquanto tocava o baixo, até aí tudo ok. Eu fui tocar alguma coisa concentradamente , abaixei a cabeça, olhando para as teclas. Quando de repente ouço um “Ó” da platéia e olho para frente vejo o Leoni seguro apenas pelas pernas dobradas como um trapezista de cabeça para baixo no trapézio ( que nesse caso era a cerca do terraço) segurando o baixo que apontava para o público ou para o chão porque ninguém queria ficar embaixo daquela “Lança de quatro cordas”. Dois roadies correram e trouxeram o nosso amigo para o lado de dentro do terraço novamente e o show continuou com aquele ar de “Isso aconteceu mesmo ou foi um rápido pesadelo?”. Coisas da estrada.


P. T : Em quê/quem você busca inspiração para escrever as letras das suas músicas?


H. B : Gosto muito de falar dos relacionamentos humanos e das individualidades. Tem muita gente que é muito boa em falar da coletividade. Não é o meu caso, falo de um ou de dois, três personagens já é recorde em músicas minhas. Por conta dessa característica acho que acabo tentando entender as mulheres através das minhas letras, a verdade é essa. E também entender esse jogo que existe entre duas pessoas que faz com que tudo pareça desencaixado a maior parte do tempo em muitos casais. Gosto do atrito entre as pessoas. Acabo escrevendo sobre os que estão a minha volta e sobre minha própria passagem sobre esse mundo. É uma mistura da minha experiência de vida com a vida dos outros, muitas vezes em um mesmo personagem.


(Por Priscila Toller)

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A Bela dos olhos – A Tragétoria de sucesso de Giselle Tigre.


Pernambucana nascida no Recife, ela começou no teatro ainda em sua cidade natal em meados dos anos 80 e de cara protagonizou uma comédia musical.

Ainda em Recife, começou a carreira de modelo fazendo fotos e comerciais de tv, até que se inscreveu no badalado concurso Super model of the world promovido pela agência Ford models, onde ficou em segundo lugar. Trocou a capital do frevo por São Paulo, e daí em diante não parou mais.

Foram diversas viagens internacionais, capas de revistas, desfiles... Depois de um tempo percorrendo diversas cidades do mundo, começou a sentir saudade da família e amigos, resolveu então voltar pra casa.

Começou a estudar jornalismo e em meio a carreira artística, deu aulas de redação durante 2 anos. Giselle sempre gostou de cantar e por isso resolveu também dedicar-se a isso. Estudou no conservatório de música, depois fez aulas de canto lírico e em 2000 lançou o cd "Mais Além", com canções inéditas de compositores nordestinos. Ela passou a fazer shows em barzinhos e em seguida, depois de um teste para novos talentos da globo, entrou para o elenco de Malhação, onde permaneceu por três temporadas. "Tive sorte e contracenei com atores experientes que me ensinaram muito", diz a atriz que também participou de Kubanacan, Guerra e paz, A lei e o Crime, Caminho das Indías e Poder paralelo.

Ao lado do marido Marcelo Gemmal, ela escreveu o texto da peça infantil "Agora é tempo", no qual participa do elenco com sua filha, a pequena Maria, que já dá indícios de querer seguir a carreira da mãe. "Ela tem todo jeito pra coisa", conta. Atualmente no ar vivendo a jornalista Marina em Amor e Revolução, ela protagonizou ao lado de Luciana Vendramini uma das cenas mais polêmicas e esperadas da novela: O beijo gay. "Acharia muito legal que as personagens tivessem um final feliz", torce Giselle. Confira agora na integra a entrevista que ela me concedeu.


Priscila Toller : Como era sua vida antes de entrar para o TAP (Teatro de amadores de Pernambuco) ?

Giselle Tigre : Eu era uma adolescente estudiosa, responsável, gostava de poesia e MPB. Usei óculos "Fundo de garrafa" dos 10 aos 28 anos. Em casa era o xodó da mamãe. Era a caçula de 6 filhos.

P. T : Qual foi a sensação de estrelar uma comédia musical com apenas 14 anos de idade?

G. T : Foi uma incrível aventura que acabou norteando toda minha vida. Descobri que poderia trabalhar fazendo algo que me divertia muito e era totalmente diferente de tudo que imaginava como profissão. Sou a primeira artista da minha família. Não tinha outra referência a não ser um tio avô que não cheguei a conhecer pessoalmente que era poeta. Manoel Bastos Tigre era o nome dele. Estudei, inclusive, a obra dele depois.

P. T : Durante a época que trabalhou como modelo fora do Brasil, você pôde conhecer lugares e culturas diferentes. Qual foi o país que você mais gostou de morar? Por quê?

G. T : O Japão e a China foram os que mais me impressionaram. Tenho uma atração pela cultura oriental. Sempre gostei muito das músicas, dos costumes, das cores e do jeito zen do povo ser também da forma como vivem a espiritualidade.

P. T : Seu primeiro papel de destaque na tv foi em Malhação, onde participou de três temporadas. Como foi essa experiência?

G. T : Foi minha primeira experiência com novela, mas já tinha intimidade com a camêra. Nos primeiros dias de gravação tropeçava nos tapetes do cenário. Tive sorte e contracenei com atores experientes e generosos que me ensinaram muito. A primeira temporada foi a melhor fase, apesar de muito crua. A terceira temporada já estava um pouco cansada de fazer o mesmo papel. Mas foi foi bom poque passei por diversos diretores, atores, produção e até escritores dentro deu ma mesma obra.

P. T : No cinema você já participou de alguns curtas-metragens. Tem vontade de fazer longas?

G. T : Tenho muita vontade de fazer um longa e adoraria trabalhar com um diretor que soubesse tirar de mim o que eu nem sei ainda que posso oferecer.

P. T : Como surgiu a idéia de gravar o cd "Mais além"?

G. T : A música sempre esteve presente na minha vida como uma necessidade como comer e dormir. Sempre cantei, desde muito pequena com meu irmão que toca violão. Um dia uma amiga me desafiou: "Por que vc não canta profissionalmente, tem uma boa voz, é afinada, o que falta?" Então eu falei: "É mesmo, vou estudar música, subir no palco e cantar". Sempre soube que queria cantar canções inéditas, então montei uma banda e um repertório com canções pop de compositores nordestinos. Quatro anos depois de ter decidido cantar, tive meu projeto aprovado pela lei de incentivo a cultura com patrocínio e tudo mais e uma música que gravei já tocava numa rádio de Recife.

P. T : "Agora é tempo" é um espetáculo infantil, cujo texto foi escrito por você, o cenário feito pelo Gemmal (Seu marido) e a Maria (Sua filha) também participa da peça. Você acha que ela vai seguir seus passos na carreira de atriz?

G. T : A peça foi escrita por mim e meu marido. A nossa filha acompanhou o processo de pesquisa e ouvia comigo muita música. Ela aprendeu a falar cantando. Fiz alguns shows pra crianças e lembro que no primeiro show que fizemos, ela já subiu no palco bem a vontade, tinha somente 2 anos. Ela tem todo jeito pra coisa. Penso em coloca-la num curso de teatro mais pra frente e também para aprender a tocar algum instrumento musical.

P. T : A Marina de "Amor e revolução" é uma personagem polêmica pelo fato de envolver a questão homossexual. Como você tem sido recebida nas ruas?

G. T : Ninguém até agora falou nada inconveniente ou grosseiro comigo na rua. Fico até admirada com o carinho e simpatia das pessoas. Costumo ler os comentários postados no site do SBT e lá vejo de tudo. Mas a maioria aprova o amor entre as duas personagens Marina e Marcela.

P. T : Na sua opinião Marina e Marcela terão um final feliz na novela? Qual é a sua expectativa?

G. T : Faço meu trabalho e evito muitas expectativas. Acharia muito legal que as personagens tivessem um final feliz, tudo caminha para elas viverem um grande amor, mas em novela tudo pode acontecer.

P. T : Aos 39 anos (Com carinha de 20), qual o balanço que você faz da sua vida? Na área profissional, quais são as coisas que ainda pretende realizar?

G. T : Vejo a vida como uma sucessão de erros e acertos, tristezas e alegrias, altos e baixos. Não tenho mais tanta ansiedade aos 39 anos (Obrigado pela carinha de 20, mas pareço ter 35...? Talvez). Profissionalmente, quero ter boas idéias e produzir cultura de qualidade. Pensar meus próprios projetos e participar de tantos outros que me instiguem. O que mais gosto no meu trabalho é a versatilidade e se tiver música envolvida eu já estou 90% a fim de fazer. Preciso de muito pouco pra ser feliz. Amém!


Link do Myspace da Giselle pra quem quiser ouvir suas músicas:

http://www.myspace.com/giselletigre


(Por Priscila Toller).

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Carta aberta ao elenco de "Evita".


Ontem, 31 de julho, foi o encerramento da temporada do musical Evita, que aportou no início do ano em São Paulo para uma temporada vitoriosa no Teatro Alfa. Me envolvi emocionalmente com esse espetáculo. Quando assisti o filme com Madonna no papel título detestei, achei-o cansativo e muito pouco envolvente. Fui assistir a montagem de um dos meus grandes mestes, Jorge Takla, com medo do que eu viria a ver. Eis que se inicia o espetáculo e, passados alguns minutos, um belo coro lamenta a morte de Eva Perón. E eis que surge a figura altiva de Daniel Boaventura, como um bom Juan Perón. É destaque também Fred Silveira que encarna um sensacional Che. Mas eis que surge a figura dela... a figura muito mais que altiva e poderosa, a figura e a voz de Paula Capovilla. Deixarei para continuar elogiando-a (como vivo fazendo - sempre que a encontro faço uma reverência por sua majestade em cena) mais tarde.
Na verdade esta carta vai endereçada a especialmente 5 componentes desta produção toda. Fred Silveira, Daniel Boaventura, Paula Capovilla, Bianca Tadini e Jorge Takla. Desenvolvi um carinho grande de formas diferentes por cada um deles. Fred e Daniel têm meu carinho e admiração pelo maravilhoso trabalho e profissionalismo. Sem contar que são duas pessoas gentis e simpáticas ao extremos. Os presenteei com dois livros para cada um. Para Daniel Histórias Íntimas e Uma Viagem Além da Porta e para Fred Mulher Perdigueira e o mesmo Uma Viagem. Já a Paula Capovilla fica o carinho e a mesma admiração pelo trabalho e pelo carinho que ela também dedicou a mim. Um amor de pessoas que, ao ver meu ímpeto de fã adoroso após se emocionar e ser levado as lágrimas, foi de uma gentileza e uma classe sem igual. Uma pessoa extremamente querida, a quem respeito e admiro muito. Já Bianca foi um carinho de graça. Uma querida, meiga e muito carinhosa me dando dicas para meu primeiro teste num musical. Espero um dia cultivar uma boa amizade com essa pessoa tão querida que não tive chance de presentear ainda, mas que tem seu presente aqui guardado esperando o momento certo. Já Takla é inigualável. Um gentleman, além de uma pessoa meiga, doce e gentil. Um carinho sem igual também. Minha admiração e respeito por seu trabalho são ímpares. Um homem que merece (e faz pro merecer) tudo o que conquista.
Já ao elenco como um todo fica o meu muito obrigado por terem me feito ir às lágrimas de tanta emoção. Um elenco entrosado e sensacional, tão bom de se ver (e raramente encontrado). Obrigado por existirem.
Fica aqui minha despedida de Evita, um dos musicais que mais me emocionou em todos estes meus anos de musical. Um prazer poder conhecer. Fred, Daniel, Bianca, Jorge... e Paula! Até um próximo encontro e, espero de coração, poder trabalhar um dia com estas pessoas tão queridas.

Bruno.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

"Todos já esperavam sua morte" diz jornal



Hoje enquanto fazia minha atual caminhada matinal parei numa banca para ver se encontrava algo que chamasse minha atenção, queria na verdade informações sobre o massacre na Noruega, afinal havia fechado meus olhos e ouvidos para tudo que não tivesse a ver com a morte de Amy Winehouse (até o lançamento do último disco de Chico Buarque se ofuscou em minhas prioridades quando soube da morte da cantora). Encontrei uma boa matéria num jornal que agora me foge o nome, mas encontrei uma matéria ainda mais impressionante e incabível no mesmo jornal. O título da matéria era: Todos já Esperavam sua Morte e na foto uma imagem de Amy drogada. Claro que não é novidade para ninguém que a droga e o álcool podem ter sido as principais razões da morte da cantora, no entanto fiquei impressionado como fora tratada sua partida. Em todas as redes de informação brasileiras Amy é tratada como uma "drogada que abusou demais e pagou um preço alto", enquanto isso tablóides ingleses e americanos lembram seu povo da imagem de uma Amy maluca porém de um talento sem igual, uma cantora ímpar e compositora sensacional. No Brasil a cantora é lembrada como uma drogada dependente do álcool que abusva para sobreviver. Seus escândalos por aqui se tornaram maiores que seu talento. Mas deixo aqui meu protesto e minha profunda tristeza pela partida precoce desta que se tornou uma das cantoras mais importantes e significativas de sua geração (e da minha também). O talento de Winehouse vai deixar saudades e sua voz marcante com suas letras confessionais serão por mim sempre lembradas. Fodam-se os puritanos, fodam-se também os aproveitadores da moral barat e da ética de esquina. Amy era maluca, mas uma maluca que produziu material para deixar qualquer sóbrio engomadinho no chinelo. Maldição dos 27 anos? Talvez, para mim isso é apenas uma injustiça divina. Minha mala acaba de cair enquanto escrevo essa matéria, ela caiu para frente enquanto pendia para trás... Amy? Se estiver por aqui espero que esteja em paz.. me visite, vou te receber de braços abertos. Com admiração do eterno fã: BC.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

A charmosa batida de Fernanda Porto - Cantora fala da sua relação com a música e da importância do Maestro Alemão Koellteuter em sua carreira.




Ela teve seu primeiro contato com o Drum and bass ao conhecer o DJ Xerxes de Oliveira em meados dos anos 90, mas o talento de Fernanda para a música vem desde a época de escola.

Ainda no ginásio, ganhou um festival de composição e no início dos anos 80 iniciou o curso de Bacharelado em Piano na faculdade, mas depois acabou optando por estudar composição e regência. Foi então que uma professora a encaminhou para ter aulas com o Maestro Alemão Koellteuter.


Sua primeira música de sucesso "Sambassim" estourou primeiro na europa, em uma versão remix feita pelo Dj Patife. Em 2002, ela lançou seu primeiro albúm Intitulado “Fernanda Porto” que vendeu mais de 100 mil cópias no Brasil e mais tarde foi lançado no japão. O cd fez tanto sucesso que lhe rendeu de cara uma turnê pela Europa (Inglaterra, Suíça, Bélgica, Itália, França, Espanha, Holanda, Alemanha, Áustria e Portugal), Duas indicações a premiações importantes como o Grammy Latino (categoria Best New Artist) e Prêmio multishow
(categoria Revelação), Além de ter levado pra casa os troféus Noite Ilustrada (melhor CD eletrônico), Qualidade Brasil 2002 (melhor CD nacional) e VMB 2003 com o videoclipe da música Sambassim. Dois anos mais tarde, enquanto criava a trilha sonora do filme Cabra Cega, acabou conhecendo o mestre Chico Buarque e juntos gravaram uma versão remix de "Roda viva", que virou sucesso e passou a tocar várias vezes ao dia nas rádios de todo o país.
Com uma carreira bastante promissora, ela lançou mais 3 Cds: “Giramundo”, “Fernanda Porto ao vivo” (Também em DVD) e seu mais recente trabalho “Auto-Retrato”, que marcou sua volta a já conhecida mistura da canção brasileira aos ritmos eletrônicos, como o drum and bass e o progressive house.
Cantora, compositora e multiinstrumentista renomada, essa Paulista nascida em Serra Negra, é uma das grandes responsáveis pela inclusão do estilo eletrônico no cenário musical brasileiro. Ela acaba de embarcar para uma turnê na Europa e pretende aproveitar para estudar. "Tenho me sentido bastante atraída pelo dubstep, ritmo menos acelerado que o d&b, mas muito vivo e sensual. Quero aproveitar a temporada em Londres para estudar e me aprofundar nesse ritmo ultimamente em sintonia com a minha alma”, disse a bela cantora. Confira agora a entrevista:


Priscila Toller : Você é multiinstrumentista. Como surgiu a paixão pela música?


Fernanda Porto: Surgiu na infância, inclusive com o incentivo ao multiinstrumentismo por uma tia que me abastecia com toda a espécie de instrumentos de brinquedo. Era um tal de cornetinhas, tambores e tecladinhos espalhados pela casa. Comecei a tocar piano sozinha, espiando as aulas da minha irmã mais velha. Passei a compor e ganhar os festivais de música da escola e aí insistiam para que eu também cantasse. Mas eu era (e continuo sendo) muito tímida e não me atrevia a soltar a voz. Hoje sinto que a voz sempre foi o meu principal instrumento.


P. T : Foi importante para sua carreira ter sido aluna do Maestro alemão Hans J. Koellreuter?


F. P :Importantíssimo. Koellteuter me aceitou como aluna a partir de um desafio: propôs que eu escrevesse uma partitura usando cores em vez de notas. Isso me despertou muita curiosidade em relação à integração da música com as outras artes. Compus muitas músicas tendo como base a imagem. Fiz assim a primeira trilha sonora para um vídeo de Lina de Albuquerque (mais tarde, letrista de Giramundo e Tudo de Bom) que tinha entrado na faculdade de jornalismo e ganhado um prêmio no MIS. O trabalho chamou a atenção e comecei a ser chamada para fazer trilhas de filmes e comerciais. A última trilha sonora para cinema foi para Cabra Cega, o filme de Toni Venturi que acabou possibilitando a minha aproximação com Chico Buarque e a nossa parceria em Roda Viva. Tudo isso teve sua sementinha em Koellteuter, acho eu.


P. T : Você lembra quando ouviu sua música tocar pela primeira vez na rádio? O que sentiu?



F. P : Foi o remix que o DJ Patife fez da minha Sambassim. Uma emoção muito grande, porque ela estourou nas primeiras semanas. Eu nunca tocava nas rádios e de repente passei a tocar todos os dias, e muitas vezes ao dia. Logo em seguida, a versão eletrônica de Só Tinha de ser com você", então tornada trilha de novela da Globo, também surgiu com muita força. E, finalmente, Tudo de Bom consolidou de vez essa primeira virada radiofônica. Foi tudo de bom e continua sendo, rs


P. T : Se não fosse cantora, qual outra profissão gostaria de exercer?


F. P : Eu acho que seria arquiteta se não fosse cantora. Tenho mania de mudar as coisas de lugar, inventar novos espaços, criar ambientes. Isso também faz muito sentido na criação musical. Tenho um espírito bastante inquieto que talvez também fosse capaz de se expressar bem em uma profissão como essa. Mas o máximo que concebi até hoje, no universo da arquitetura, foi construir um estúdio dentro de casa que dimensiona a importância que a música tem em minha vida: o estúdio ocupa mais da metade da minha casa.


P. T : Como foi participar do Acústico MTV da Marina Lima?

F. P : Adorei. Tenho grande respeito por Marina Lima, pela grande compositora que é e pelo espírito de renovação musical sempre presente em sua obra. Acertando ou não, é uma artista que sempre se interessou em dialogar com o novo, com admirável exposição e sem medo de correr riscos. Eu continuo achando um charme a nossa parceria em Charme do Mundo.


P. T : Apesar de fazer música basicamente eletrônica, você se considera uma cantora Pop?


F. P : É verdade, eu me considero uma cantora pop. No fundo, me considero uma cantora simplesmente, não sou muito chegada a nomenclaturas. Eu me considero uma compositora, em primeiro lugar, e depois uma cantora. Mas ultimamente o lado cantora tem prevalecido e acho que, do primeiro disco para cá, desenvolvi bastante a qualidade de intérprete.


P. T : Fernanda Porto Ao vivo mostra diversas abordagens musicais. Como foi a escolha do repertório e das participações especiais?


F. P : FP ao Vivo representou uma fase de abertura musical e mudança de gravadora. O meu primeiro disco, essencialmente eletrônico, me

rendeu projeção, prêmios e até uma indicação ao Grammy na categoria revelação. Ao mesmo tempo, ele também me estigmatizou um tanto. Com o segundo CD, Giramundo, incorporei outros ritmos brasileiros e mostrei uma maior versatilidade musical. Era uma verdade em mim, no fundo não desejava ficar rotulada como uma cantora eletrônica, não queria rótulo nenhum. O público da cena eletrônica, parte dele, é verdade, estranhou. Da mesma forma, que alguns ouvintes de MPB estranharam a versão eletrônica de Roda Viva que cantei com Chico Buarque. A escolha de repertório do Ao Vivo esteve ligada à mudança de gravadora, quando sai da Trama e fui para a EMI (a minha atual gravadora). Algumas participações foram sugeridas pela gravadora, mas não houve nenhum tipo de imposição. Naquele trabalho, eu acabei me aproximando da pianista Christiane Neves, que tem uma formação musical mais voltada à MPB. De todos, talvez tenha sido o meu disco menos eletrônico, mas gostei bastante do resultado.



P. T : Seu mais recente trabalho "Auto-Retrato", traz diferentes estilos de música eletrônica. Fale um pouco sobre o processo de produção do cd...


F. P : Já em Auto-Retrato, comecei a sentir um pouco mais de falta da presença eletrônica e passei a pesquisar novos estilos. Tudo isso aconteceu muito naturalmente. Senti saudades dos meus antigos amigos, conheci novos DJs e retomei um contato que acabou me fazendo muito bem. Nesse momento, a polêmica entre a divisão de

música eletrônica e música brasileira estava felizmente mais esvaziada e as pessoas pareciam mais interessadas na música propriamente dita. Deixei claro, desde a escolha da grafia do nome do CD que não estava assim tão preocupada em errar ou acertar. Escolhi a grafia antiga, Auto-Retrato, e não a atual (Autorretrato), até para manifestar a não-necessidade de adesão às categorias corretamente estabelecidas. A arte precisa de liberdade para existir. O processo de produção daquele, e de todos os CDs, incorporaram muitos erros e acertos. Um erro, às vezes, pode resultar num grande acerto, como naquela letra de "Amor Errado", do primeiro CD.


P. T : Já tem planos para o próximo disco?


F. P : Tenho algumas músicas prontas e outras em gestação, por enquanto. Em meados deste mês, começo uma turnê pela Europa. Volto no final de agosto e já tenho uma apresentação marcada em setembro, em Salvador. Tenho me sentido bastante atraída pelo dubstep, ritmo menos acelerado que o d&b (com aproximadamente 140 dpms), mas muito vivo e sensual. Quero aproveitar a temporada em Londres para estudar e me aprofundar nesse ritmo ultimamente em sintonia com a minha alma. Vamos ver no que dá. Ando numa fase de grande abertura, apaixonada e feliz com a vida. Isso sempre se reflete na música, quero crer.



(Por Priscila Toller)


terça-feira, 5 de julho de 2011

Paris 6 e Paris 6 Café: O nome fala por si só!


Não sou crítico culinário, muito menos um grande entendedor do assunto. Sequer sou um daqueles loucos por comida, que ama comer. Às vezes até esqueço de almoçar ou não tomo café da manhã. Mas eu precisava, eu sentia a necessidade de fazer um texto tratando de um restaurante, um bistrô parisiense situado em São Paulo, na Haddock Lobo, uma rua acima da Augusta. O Paris 6. Mas na verdade não falarei do Paris 6, mas sim da cria recém nascida, o Paris 6 Café. Sou um cliente até assíduo no Paris 6, mas em seu Café eu ainda era um estranho no ninho. Aceitando um convite de Isaac Azar, o dono do bistrô, fui jantar acompanhado de minha querida maninha Beatriz Felix. Só o que tenho a dizer é: às vezes o céu vem tão depressa... Bia e eu jantamos deliciosos pratos a base de crepe. Eu comi um crepe com recheio de camarão e molho de queijo acompanhado de alfaces e tomates cereja. Na sobremesa ela e eu pedimos mais um crepe, este doce, de laranja com lascas de coco e sorvete. Ao final ainda tomamos um café, ela um chocolate, eu um café que nem gosto de me lembrar o que tinha para que a culpa não venha tão rápido. O fato é que o Paris 6 atingiu tamanha excelência que é impossível sair de lá sentindo-se culpado por ter abusado da dieta. Você sai de lá com a consciência limpa, com vontade de voltar e dizer: possua-me prato delicioso! São pratos para se comer rezando... rezando para que nunca acabem! Ainda pensamos em tomar uma taça de vinho, mas se o fizéssemos não sairíamos mais. O atendimento é um dos pontos altos do restaurante. Além de um cardápio mais que saboroso, o atendimento é divino. Já fui a muitos restaurantes em São Paulo e em nenhum fui tão bem tratado quanto neste! Um atendimento atencioso sempre em busca do melhor para os clientes. Comidas servidas com classe e destreza, um sorriso na face e sempre um bom comentário sobre o cardápio. Isso me deixou mais feliz. A começar pela entrada, onde um rapaz simpático abre a porta e lhe recebe com um espontâneo “boa noite”, igualmente repetido pelo maître que nos acomoda em mesas que se dividem em cadeiras e um sofá aconchegante. As pinturas que embelezam o local e a música ambiente apenas ressaltam o bom gosto. O bistrô é parisiense, mas tenho minhas dúvidas se em Paris eu teria tanto gosto de estar ali, saboreando um prato que leva o nome do ator Bruno Gagliasso e morrendo de vontade de experimentar um mousse que leva o nome de Renata Ricci, mas que, para meu azar, havia acabado. Acontece nas melhores famílias. O fato é que o Paris 6 tornou-se meu restaurante favorito. Já não me vejo jantando em nenhum outro lugar que não seja nesta delícia parisiense com rosto cosmopolita paulistano. Não entendo de estrelas quanto a restaurantes ou gastronomia, mas se minha opinião vale de alguma coisa dou todas as estrelas possíveis. Na minha concepção o Paris 6 e o Paris 6 Café fazem parte do melhor de São Paulo. E que a dieta me esqueça daqui pra frente, porque eu não sinto mais culpa nenhuma! Paris 6: Rua Haddock Lobo, 1240, Jardins – Zona Sul da Capital Paulista.

* Vale ressaltar no entanto que os pratos têm um preço variável entre o acessível e o nem tanto. Mas vale fazer uma ou outra extravagância quando possível. Afinal de contas se há pessoas capazes de pagar mais de R$ 200,00 num tênis é bom que existam pessoas que sejam capazes de pagar em torno de R$ 100,00 num jantar completo que fará de sua noite uma das noites mais brilhantes de sua vida. Acredite, o paladar sente a diferença.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Regina Remencius: "Viver lá fora transformou o meu olhar" - Em entrevista, a atriz que já atuou fora do Brasil, fala sobre a carreira.




Paulista de descendencia lituana e dona de belos olhos verdes, começou a pensar em ser atriz aos 17 anos, e nessa mesma época foi convidada para trabalhar como modelo. Morou durante muitos anos fora do país, o que lhe possibilitou conhecer diversas culturas e se tornar poliglota (Ela fala mais de cinco idiomas, entre os quais: Grego, Alemão, Lituano e Francês). Na Grécia, atuou nos filmes Eleatis Xenos, Business in the Balkans e It's a Long Road. Depois que voltou ao Brasil, protagonizou ao lado do ator Daniel Boaventura, o sitcom "Santo de casa...", que foi exibido pela Band e que ela destaca como um dos seus trabalhos favoritos. "A Laura era uma delícia de personagem... O elenco, o texto, a equipe... Tudo era ótimo".
Desde então, participou de novelas, séries e minisséries, além de filmes como Durval Discos, Os Desafinados (Onde interpretou a francesa Catherine) e I Hate São Paulo (Uma Co-produção Brasil/EUA). No teatro, fez parte de várias peças, entre elas: Medéia, The Tax Exile, Retratos de Augustus John e O Fingidor. Nos proxímos capitulos da novela Amor e Revolução, poderemos conferir sua participação como Margarida, esposa do temido delegado Aranha, vivido por Jayme Periard.
Carisma, inteligência e beleza são apenas alguns dos atributos que podemos citar ao falar de Regina, talento ela tem de sobra. Confira agora a entrevista concedida a mim via e-mail:

Priscila Toller : Quando descobriu que queria ser atriz?
Regina Remencius : Eu comecei a pensar a ser atriz aos 17 anos. Eu era muito tímida e achava uma contradição querer ser atriz. Fui fazer um curso com Klauss Vianna, depois com Miriam Muniz e logo em seguida entrei para o C.P.T/Grupo Macunaíma com o Antunes Filho.

P. T : Sua carreira de modelo começou antes ou depois do teatro?

R. R : O trabalho como modelo foi nessa mesma época, tinha uns 17 anos. Tinha sido convidada para trabalhar com uma agência de modelos, mas fiquei muito pouco tempo, porque entrei no C.P.T e a carga horária era bem grande. Neste mesmo ano comecei a fazer faculdade, mas não dava para conciliar. Eram muitas horas de ensaio, pesquisa, etc... Depois que saí do Grupo Macunaíma, voltei a trabalhar como modelo por mais um tempo.

P. T : Você morou muitos anos na Europa. Como foi essa experiência de ter passado tanto tempo fora do Brasil?
R. R : Foi ótimo. Morar lá fora transformou o meu olhar. Aprendi a apreciar mais o Brasil e o exterior. Aprendi outras línguas, vivi culturas diferentes, fiz amigos... É uma experiência muito rica e que fica para o resto da vida.

P. T : Quem são seus ídolos?

R. R : Nossa, são tantos! Vou começar pela Andrea Beltrão e Fernanda Torres em "Tapas e Beijos", Ana Lúcia Torre em "Insensato Coração", Genézio de Barros e Deborah Bloch em "Cordel Encantado", Regina Braga em "Um Porto para Elizabeth Bishop", Emílio de Mello e Fernando Eiras em "In on It" e os nomes não param... Raul Cortez, Fernanda Montenegro, Lilia Cabral, Marília Pêra, Maria Luisa Mendonça, Drica Moraes, Wagner Moura, Malu Galli...

P. T : Foram diversas participações em novelas antes de viver a Manoela Bellini de "Água na Boca". Prefere fazer Tv ou Teatro? Por quê?

R. R : Eu adoro fazer tudo: Cinema, teatro e televisão. Cada um desses veículos tem suas características e desafios. Na Tv a gente sente mais pressão e isso é muito fascinante. No teatro a gente tem mais tempo de trabalho e elaboração e o cinema... Ah! O cinema!

P. T : Você participou de alguns filmes, inclusive de produções gregas. Cinema é uma área que te atraí?

R. R : Cinema é um luxo, um prazer. Eu adoro ir ao cinema e fazer cinema. Filmes me acompanham desde pequena e são uma grande escola pra mim. Se eu pudesse, assistiria um filme por dia.

P. T : Em 1999 você protagonizou ao lado de Daniel Boaventura o Sitcom "Santo de casa...". Como surgiu o papel da Laura? Fale um pouco sobre esse trabalho...

R. R : Eu estava fazendo um curso com o Walter Lima Jr. em São Paulo, no Célia Helena. No final deste curso, ele começou a chamar alguns atores para o teste do sitcom. Ele dizia que eu tinha tudo a ver com a Laura e o Daniel com o Kiko, mas teríamos que fazer os testes. Finalmente fomos aprovados. Como eu sempre fui fã de sitcoms, fazer o "Santo de casa..." foi uma alegria só. Foi ótimo ter trabalhado com o Walter, o Daniel e a Ana Lúcia Torre. A Laura era uma delícia de personagem... O elenco, o texto, a equipe... Tudo era ótimo.
P. T : Como foi atuar nas peças Retratos de Augustus John e O Fingidor?

R. R : Eu já conhecia O Fingidor e o Samir Yasbek há um tempo e adorava o espetáculo. Quando O Fingidor comemorou 10 anos, o Samir me convidou para fazer a Amália e foi muito legal. Em Retratos eu trabalhei com o Genézio de Barros que já conhecia de "Santo de casa..." e com o Hugo Coelho, que nos dirigiu. Fazer a Dorélia, mulher do Augustus, foi maravilhoso.
P. T : Na minissérie Queridos Amigos, você viveu a Regina, que era uma personagem digamos assim, mais "Dramática". É mais Fácil fazer Comédia ou Drama?

R. R : Acho que pra gente conseguir um bom resultado seja na comédia ou na tragédia, é preciso uma boa dose de dedicação, estudo, empenho, investimento energético e emocional e muita paciência. Eu gosto muito de fazer comédia, mas nem por isso é mais fácil que o drama.
P. T : A maioria dos Atores tem sempre aquele personagem favorito, que mais gostou de interpretar. Qual é a sua preferida?

R. R : Eu curti muito fazer a Laura do "Santo de Casa...", a Regina do "Queridos Amigos" e a Dorélia do "Retratos".
P. T : O fato de ser poliglota deve ter aberto muitas portas, não? Teve algum idioma que foi mais complicado aprender? Qual?

R. R : Acho que mais do que abrir portas, conta pontos. Posso dizer que, depois do Inglês que é um idioma prático e objetivo, os outros que conheço são todos difícies, inclusive o Português.

P. T : O que gosta de fazer nas horas vagas?

R. R : Eu adoro ficar em casa, curtir a família, um bom filme...

P. T : Qual seu livro favorito?

R. R : "Muitas vozes" de Ferrera Gullar está sempre circulando em casa.

P. T : Pra finalizar: Recentemente você participou da série Divã. Quando iremos ter o prazer de vê-la atuando novamente? Algum personagem em vista?
R. R : No momento estou fazendo uma participação na Novela Amor e Revolução, como a Margarida, mulher do delegado Aranha. Estou me preparando para um longa que deve acontecer no segundo semestre.

(Por Priscila Toller)