sexta-feira, 15 de julho de 2011

A charmosa batida de Fernanda Porto - Cantora fala da sua relação com a música e da importância do Maestro Alemão Koellteuter em sua carreira.




Ela teve seu primeiro contato com o Drum and bass ao conhecer o DJ Xerxes de Oliveira em meados dos anos 90, mas o talento de Fernanda para a música vem desde a época de escola.

Ainda no ginásio, ganhou um festival de composição e no início dos anos 80 iniciou o curso de Bacharelado em Piano na faculdade, mas depois acabou optando por estudar composição e regência. Foi então que uma professora a encaminhou para ter aulas com o Maestro Alemão Koellteuter.


Sua primeira música de sucesso "Sambassim" estourou primeiro na europa, em uma versão remix feita pelo Dj Patife. Em 2002, ela lançou seu primeiro albúm Intitulado “Fernanda Porto” que vendeu mais de 100 mil cópias no Brasil e mais tarde foi lançado no japão. O cd fez tanto sucesso que lhe rendeu de cara uma turnê pela Europa (Inglaterra, Suíça, Bélgica, Itália, França, Espanha, Holanda, Alemanha, Áustria e Portugal), Duas indicações a premiações importantes como o Grammy Latino (categoria Best New Artist) e Prêmio multishow
(categoria Revelação), Além de ter levado pra casa os troféus Noite Ilustrada (melhor CD eletrônico), Qualidade Brasil 2002 (melhor CD nacional) e VMB 2003 com o videoclipe da música Sambassim. Dois anos mais tarde, enquanto criava a trilha sonora do filme Cabra Cega, acabou conhecendo o mestre Chico Buarque e juntos gravaram uma versão remix de "Roda viva", que virou sucesso e passou a tocar várias vezes ao dia nas rádios de todo o país.
Com uma carreira bastante promissora, ela lançou mais 3 Cds: “Giramundo”, “Fernanda Porto ao vivo” (Também em DVD) e seu mais recente trabalho “Auto-Retrato”, que marcou sua volta a já conhecida mistura da canção brasileira aos ritmos eletrônicos, como o drum and bass e o progressive house.
Cantora, compositora e multiinstrumentista renomada, essa Paulista nascida em Serra Negra, é uma das grandes responsáveis pela inclusão do estilo eletrônico no cenário musical brasileiro. Ela acaba de embarcar para uma turnê na Europa e pretende aproveitar para estudar. "Tenho me sentido bastante atraída pelo dubstep, ritmo menos acelerado que o d&b, mas muito vivo e sensual. Quero aproveitar a temporada em Londres para estudar e me aprofundar nesse ritmo ultimamente em sintonia com a minha alma”, disse a bela cantora. Confira agora a entrevista:


Priscila Toller : Você é multiinstrumentista. Como surgiu a paixão pela música?


Fernanda Porto: Surgiu na infância, inclusive com o incentivo ao multiinstrumentismo por uma tia que me abastecia com toda a espécie de instrumentos de brinquedo. Era um tal de cornetinhas, tambores e tecladinhos espalhados pela casa. Comecei a tocar piano sozinha, espiando as aulas da minha irmã mais velha. Passei a compor e ganhar os festivais de música da escola e aí insistiam para que eu também cantasse. Mas eu era (e continuo sendo) muito tímida e não me atrevia a soltar a voz. Hoje sinto que a voz sempre foi o meu principal instrumento.


P. T : Foi importante para sua carreira ter sido aluna do Maestro alemão Hans J. Koellreuter?


F. P :Importantíssimo. Koellteuter me aceitou como aluna a partir de um desafio: propôs que eu escrevesse uma partitura usando cores em vez de notas. Isso me despertou muita curiosidade em relação à integração da música com as outras artes. Compus muitas músicas tendo como base a imagem. Fiz assim a primeira trilha sonora para um vídeo de Lina de Albuquerque (mais tarde, letrista de Giramundo e Tudo de Bom) que tinha entrado na faculdade de jornalismo e ganhado um prêmio no MIS. O trabalho chamou a atenção e comecei a ser chamada para fazer trilhas de filmes e comerciais. A última trilha sonora para cinema foi para Cabra Cega, o filme de Toni Venturi que acabou possibilitando a minha aproximação com Chico Buarque e a nossa parceria em Roda Viva. Tudo isso teve sua sementinha em Koellteuter, acho eu.


P. T : Você lembra quando ouviu sua música tocar pela primeira vez na rádio? O que sentiu?



F. P : Foi o remix que o DJ Patife fez da minha Sambassim. Uma emoção muito grande, porque ela estourou nas primeiras semanas. Eu nunca tocava nas rádios e de repente passei a tocar todos os dias, e muitas vezes ao dia. Logo em seguida, a versão eletrônica de Só Tinha de ser com você", então tornada trilha de novela da Globo, também surgiu com muita força. E, finalmente, Tudo de Bom consolidou de vez essa primeira virada radiofônica. Foi tudo de bom e continua sendo, rs


P. T : Se não fosse cantora, qual outra profissão gostaria de exercer?


F. P : Eu acho que seria arquiteta se não fosse cantora. Tenho mania de mudar as coisas de lugar, inventar novos espaços, criar ambientes. Isso também faz muito sentido na criação musical. Tenho um espírito bastante inquieto que talvez também fosse capaz de se expressar bem em uma profissão como essa. Mas o máximo que concebi até hoje, no universo da arquitetura, foi construir um estúdio dentro de casa que dimensiona a importância que a música tem em minha vida: o estúdio ocupa mais da metade da minha casa.


P. T : Como foi participar do Acústico MTV da Marina Lima?

F. P : Adorei. Tenho grande respeito por Marina Lima, pela grande compositora que é e pelo espírito de renovação musical sempre presente em sua obra. Acertando ou não, é uma artista que sempre se interessou em dialogar com o novo, com admirável exposição e sem medo de correr riscos. Eu continuo achando um charme a nossa parceria em Charme do Mundo.


P. T : Apesar de fazer música basicamente eletrônica, você se considera uma cantora Pop?


F. P : É verdade, eu me considero uma cantora pop. No fundo, me considero uma cantora simplesmente, não sou muito chegada a nomenclaturas. Eu me considero uma compositora, em primeiro lugar, e depois uma cantora. Mas ultimamente o lado cantora tem prevalecido e acho que, do primeiro disco para cá, desenvolvi bastante a qualidade de intérprete.


P. T : Fernanda Porto Ao vivo mostra diversas abordagens musicais. Como foi a escolha do repertório e das participações especiais?


F. P : FP ao Vivo representou uma fase de abertura musical e mudança de gravadora. O meu primeiro disco, essencialmente eletrônico, me

rendeu projeção, prêmios e até uma indicação ao Grammy na categoria revelação. Ao mesmo tempo, ele também me estigmatizou um tanto. Com o segundo CD, Giramundo, incorporei outros ritmos brasileiros e mostrei uma maior versatilidade musical. Era uma verdade em mim, no fundo não desejava ficar rotulada como uma cantora eletrônica, não queria rótulo nenhum. O público da cena eletrônica, parte dele, é verdade, estranhou. Da mesma forma, que alguns ouvintes de MPB estranharam a versão eletrônica de Roda Viva que cantei com Chico Buarque. A escolha de repertório do Ao Vivo esteve ligada à mudança de gravadora, quando sai da Trama e fui para a EMI (a minha atual gravadora). Algumas participações foram sugeridas pela gravadora, mas não houve nenhum tipo de imposição. Naquele trabalho, eu acabei me aproximando da pianista Christiane Neves, que tem uma formação musical mais voltada à MPB. De todos, talvez tenha sido o meu disco menos eletrônico, mas gostei bastante do resultado.



P. T : Seu mais recente trabalho "Auto-Retrato", traz diferentes estilos de música eletrônica. Fale um pouco sobre o processo de produção do cd...


F. P : Já em Auto-Retrato, comecei a sentir um pouco mais de falta da presença eletrônica e passei a pesquisar novos estilos. Tudo isso aconteceu muito naturalmente. Senti saudades dos meus antigos amigos, conheci novos DJs e retomei um contato que acabou me fazendo muito bem. Nesse momento, a polêmica entre a divisão de

música eletrônica e música brasileira estava felizmente mais esvaziada e as pessoas pareciam mais interessadas na música propriamente dita. Deixei claro, desde a escolha da grafia do nome do CD que não estava assim tão preocupada em errar ou acertar. Escolhi a grafia antiga, Auto-Retrato, e não a atual (Autorretrato), até para manifestar a não-necessidade de adesão às categorias corretamente estabelecidas. A arte precisa de liberdade para existir. O processo de produção daquele, e de todos os CDs, incorporaram muitos erros e acertos. Um erro, às vezes, pode resultar num grande acerto, como naquela letra de "Amor Errado", do primeiro CD.


P. T : Já tem planos para o próximo disco?


F. P : Tenho algumas músicas prontas e outras em gestação, por enquanto. Em meados deste mês, começo uma turnê pela Europa. Volto no final de agosto e já tenho uma apresentação marcada em setembro, em Salvador. Tenho me sentido bastante atraída pelo dubstep, ritmo menos acelerado que o d&b (com aproximadamente 140 dpms), mas muito vivo e sensual. Quero aproveitar a temporada em Londres para estudar e me aprofundar nesse ritmo ultimamente em sintonia com a minha alma. Vamos ver no que dá. Ando numa fase de grande abertura, apaixonada e feliz com a vida. Isso sempre se reflete na música, quero crer.



(Por Priscila Toller)


terça-feira, 5 de julho de 2011

Paris 6 e Paris 6 Café: O nome fala por si só!


Não sou crítico culinário, muito menos um grande entendedor do assunto. Sequer sou um daqueles loucos por comida, que ama comer. Às vezes até esqueço de almoçar ou não tomo café da manhã. Mas eu precisava, eu sentia a necessidade de fazer um texto tratando de um restaurante, um bistrô parisiense situado em São Paulo, na Haddock Lobo, uma rua acima da Augusta. O Paris 6. Mas na verdade não falarei do Paris 6, mas sim da cria recém nascida, o Paris 6 Café. Sou um cliente até assíduo no Paris 6, mas em seu Café eu ainda era um estranho no ninho. Aceitando um convite de Isaac Azar, o dono do bistrô, fui jantar acompanhado de minha querida maninha Beatriz Felix. Só o que tenho a dizer é: às vezes o céu vem tão depressa... Bia e eu jantamos deliciosos pratos a base de crepe. Eu comi um crepe com recheio de camarão e molho de queijo acompanhado de alfaces e tomates cereja. Na sobremesa ela e eu pedimos mais um crepe, este doce, de laranja com lascas de coco e sorvete. Ao final ainda tomamos um café, ela um chocolate, eu um café que nem gosto de me lembrar o que tinha para que a culpa não venha tão rápido. O fato é que o Paris 6 atingiu tamanha excelência que é impossível sair de lá sentindo-se culpado por ter abusado da dieta. Você sai de lá com a consciência limpa, com vontade de voltar e dizer: possua-me prato delicioso! São pratos para se comer rezando... rezando para que nunca acabem! Ainda pensamos em tomar uma taça de vinho, mas se o fizéssemos não sairíamos mais. O atendimento é um dos pontos altos do restaurante. Além de um cardápio mais que saboroso, o atendimento é divino. Já fui a muitos restaurantes em São Paulo e em nenhum fui tão bem tratado quanto neste! Um atendimento atencioso sempre em busca do melhor para os clientes. Comidas servidas com classe e destreza, um sorriso na face e sempre um bom comentário sobre o cardápio. Isso me deixou mais feliz. A começar pela entrada, onde um rapaz simpático abre a porta e lhe recebe com um espontâneo “boa noite”, igualmente repetido pelo maître que nos acomoda em mesas que se dividem em cadeiras e um sofá aconchegante. As pinturas que embelezam o local e a música ambiente apenas ressaltam o bom gosto. O bistrô é parisiense, mas tenho minhas dúvidas se em Paris eu teria tanto gosto de estar ali, saboreando um prato que leva o nome do ator Bruno Gagliasso e morrendo de vontade de experimentar um mousse que leva o nome de Renata Ricci, mas que, para meu azar, havia acabado. Acontece nas melhores famílias. O fato é que o Paris 6 tornou-se meu restaurante favorito. Já não me vejo jantando em nenhum outro lugar que não seja nesta delícia parisiense com rosto cosmopolita paulistano. Não entendo de estrelas quanto a restaurantes ou gastronomia, mas se minha opinião vale de alguma coisa dou todas as estrelas possíveis. Na minha concepção o Paris 6 e o Paris 6 Café fazem parte do melhor de São Paulo. E que a dieta me esqueça daqui pra frente, porque eu não sinto mais culpa nenhuma! Paris 6: Rua Haddock Lobo, 1240, Jardins – Zona Sul da Capital Paulista.

* Vale ressaltar no entanto que os pratos têm um preço variável entre o acessível e o nem tanto. Mas vale fazer uma ou outra extravagância quando possível. Afinal de contas se há pessoas capazes de pagar mais de R$ 200,00 num tênis é bom que existam pessoas que sejam capazes de pagar em torno de R$ 100,00 num jantar completo que fará de sua noite uma das noites mais brilhantes de sua vida. Acredite, o paladar sente a diferença.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Regina Remencius: "Viver lá fora transformou o meu olhar" - Em entrevista, a atriz que já atuou fora do Brasil, fala sobre a carreira.




Paulista de descendencia lituana e dona de belos olhos verdes, começou a pensar em ser atriz aos 17 anos, e nessa mesma época foi convidada para trabalhar como modelo. Morou durante muitos anos fora do país, o que lhe possibilitou conhecer diversas culturas e se tornar poliglota (Ela fala mais de cinco idiomas, entre os quais: Grego, Alemão, Lituano e Francês). Na Grécia, atuou nos filmes Eleatis Xenos, Business in the Balkans e It's a Long Road. Depois que voltou ao Brasil, protagonizou ao lado do ator Daniel Boaventura, o sitcom "Santo de casa...", que foi exibido pela Band e que ela destaca como um dos seus trabalhos favoritos. "A Laura era uma delícia de personagem... O elenco, o texto, a equipe... Tudo era ótimo".
Desde então, participou de novelas, séries e minisséries, além de filmes como Durval Discos, Os Desafinados (Onde interpretou a francesa Catherine) e I Hate São Paulo (Uma Co-produção Brasil/EUA). No teatro, fez parte de várias peças, entre elas: Medéia, The Tax Exile, Retratos de Augustus John e O Fingidor. Nos proxímos capitulos da novela Amor e Revolução, poderemos conferir sua participação como Margarida, esposa do temido delegado Aranha, vivido por Jayme Periard.
Carisma, inteligência e beleza são apenas alguns dos atributos que podemos citar ao falar de Regina, talento ela tem de sobra. Confira agora a entrevista concedida a mim via e-mail:

Priscila Toller : Quando descobriu que queria ser atriz?
Regina Remencius : Eu comecei a pensar a ser atriz aos 17 anos. Eu era muito tímida e achava uma contradição querer ser atriz. Fui fazer um curso com Klauss Vianna, depois com Miriam Muniz e logo em seguida entrei para o C.P.T/Grupo Macunaíma com o Antunes Filho.

P. T : Sua carreira de modelo começou antes ou depois do teatro?

R. R : O trabalho como modelo foi nessa mesma época, tinha uns 17 anos. Tinha sido convidada para trabalhar com uma agência de modelos, mas fiquei muito pouco tempo, porque entrei no C.P.T e a carga horária era bem grande. Neste mesmo ano comecei a fazer faculdade, mas não dava para conciliar. Eram muitas horas de ensaio, pesquisa, etc... Depois que saí do Grupo Macunaíma, voltei a trabalhar como modelo por mais um tempo.

P. T : Você morou muitos anos na Europa. Como foi essa experiência de ter passado tanto tempo fora do Brasil?
R. R : Foi ótimo. Morar lá fora transformou o meu olhar. Aprendi a apreciar mais o Brasil e o exterior. Aprendi outras línguas, vivi culturas diferentes, fiz amigos... É uma experiência muito rica e que fica para o resto da vida.

P. T : Quem são seus ídolos?

R. R : Nossa, são tantos! Vou começar pela Andrea Beltrão e Fernanda Torres em "Tapas e Beijos", Ana Lúcia Torre em "Insensato Coração", Genézio de Barros e Deborah Bloch em "Cordel Encantado", Regina Braga em "Um Porto para Elizabeth Bishop", Emílio de Mello e Fernando Eiras em "In on It" e os nomes não param... Raul Cortez, Fernanda Montenegro, Lilia Cabral, Marília Pêra, Maria Luisa Mendonça, Drica Moraes, Wagner Moura, Malu Galli...

P. T : Foram diversas participações em novelas antes de viver a Manoela Bellini de "Água na Boca". Prefere fazer Tv ou Teatro? Por quê?

R. R : Eu adoro fazer tudo: Cinema, teatro e televisão. Cada um desses veículos tem suas características e desafios. Na Tv a gente sente mais pressão e isso é muito fascinante. No teatro a gente tem mais tempo de trabalho e elaboração e o cinema... Ah! O cinema!

P. T : Você participou de alguns filmes, inclusive de produções gregas. Cinema é uma área que te atraí?

R. R : Cinema é um luxo, um prazer. Eu adoro ir ao cinema e fazer cinema. Filmes me acompanham desde pequena e são uma grande escola pra mim. Se eu pudesse, assistiria um filme por dia.

P. T : Em 1999 você protagonizou ao lado de Daniel Boaventura o Sitcom "Santo de casa...". Como surgiu o papel da Laura? Fale um pouco sobre esse trabalho...

R. R : Eu estava fazendo um curso com o Walter Lima Jr. em São Paulo, no Célia Helena. No final deste curso, ele começou a chamar alguns atores para o teste do sitcom. Ele dizia que eu tinha tudo a ver com a Laura e o Daniel com o Kiko, mas teríamos que fazer os testes. Finalmente fomos aprovados. Como eu sempre fui fã de sitcoms, fazer o "Santo de casa..." foi uma alegria só. Foi ótimo ter trabalhado com o Walter, o Daniel e a Ana Lúcia Torre. A Laura era uma delícia de personagem... O elenco, o texto, a equipe... Tudo era ótimo.
P. T : Como foi atuar nas peças Retratos de Augustus John e O Fingidor?

R. R : Eu já conhecia O Fingidor e o Samir Yasbek há um tempo e adorava o espetáculo. Quando O Fingidor comemorou 10 anos, o Samir me convidou para fazer a Amália e foi muito legal. Em Retratos eu trabalhei com o Genézio de Barros que já conhecia de "Santo de casa..." e com o Hugo Coelho, que nos dirigiu. Fazer a Dorélia, mulher do Augustus, foi maravilhoso.
P. T : Na minissérie Queridos Amigos, você viveu a Regina, que era uma personagem digamos assim, mais "Dramática". É mais Fácil fazer Comédia ou Drama?

R. R : Acho que pra gente conseguir um bom resultado seja na comédia ou na tragédia, é preciso uma boa dose de dedicação, estudo, empenho, investimento energético e emocional e muita paciência. Eu gosto muito de fazer comédia, mas nem por isso é mais fácil que o drama.
P. T : A maioria dos Atores tem sempre aquele personagem favorito, que mais gostou de interpretar. Qual é a sua preferida?

R. R : Eu curti muito fazer a Laura do "Santo de Casa...", a Regina do "Queridos Amigos" e a Dorélia do "Retratos".
P. T : O fato de ser poliglota deve ter aberto muitas portas, não? Teve algum idioma que foi mais complicado aprender? Qual?

R. R : Acho que mais do que abrir portas, conta pontos. Posso dizer que, depois do Inglês que é um idioma prático e objetivo, os outros que conheço são todos difícies, inclusive o Português.

P. T : O que gosta de fazer nas horas vagas?

R. R : Eu adoro ficar em casa, curtir a família, um bom filme...

P. T : Qual seu livro favorito?

R. R : "Muitas vozes" de Ferrera Gullar está sempre circulando em casa.

P. T : Pra finalizar: Recentemente você participou da série Divã. Quando iremos ter o prazer de vê-la atuando novamente? Algum personagem em vista?
R. R : No momento estou fazendo uma participação na Novela Amor e Revolução, como a Margarida, mulher do delegado Aranha. Estou me preparando para um longa que deve acontecer no segundo semestre.

(Por Priscila Toller)

domingo, 26 de junho de 2011

Marina estreia "Climax", o show romântico



Opinião de show
Título: Climax
Artista: Marina Lima
Local: Teatro do Sesc Vila Mariana – São Paulo
Data: 24 de junho de 2011
(Em cartaz até 26 de junho)
Cotação: ****

Inspirada em seu último álbum, Climax, Marina Lima estreou na noite de sexta-feira (24 de junho) a turnê nacional do show homônimo. O Teatro do Sesc Vila Mariano foi palco para a estreia do novo show da cantora, que conta com um público fiel, prova é que o teatro estava lotado. O show conta com direção e cenografia do arquiteto Isay Weinfeld que, tenso, manteve-se inquieto em sua cadeira.
O show foi aberto de forma fria com três hits da carreira de Marina que pouco renderam:
“Fullgás”, “À Francesa” e “Virgem”. Nitidamente nervosa, Marina manteve-se sóbria em cena, sem falar com o público. O show esquentou mesmo quando a cantora apresentou a primeira canção inédita do show, “Não me Venha mais com Amor”, sua deliciosa parceria com Adriana Calcanhotto. O cenário de Isay Weinfeld dialogava muito bem com as canções, principalmente ao mostrar um belo céu estrelado que remetia aos versos “noites de ver estrelas sob o teto do quarto, noites de esfriar o calor” da parceria de Marina com Calcanhotto. Os painéis móveis casavam muito bem com o lindo jogo de luz, principalmente em “A Parte que me Cabe” que, sem o dueto com Vanessa da Mata, cresceu. “O Chamado” e “Call Me” (um dos destaques do álbum que cresceu no palco) receberam belíssimo tratamento cênico, enquanto “Me Chama” se escorou no belo cenário que remetia a chuva da letra. Os arranjos eletrônicos também ajudaram a canção a crescer, mérito da dupla que acompanhava Marina Lima em cena. “Somos os três mosqueteiros” brincou a cantora, que foi acompanhada em cena dos competentíssimos Alex Fonseca e Edu Martins. Única canção deslocada no roteiro, “Difícil” soou trivial no fim das contas. Tinha mais sentido nas últimas duas turnês de Marina, Primórdios e Topo Todas Tour. Uma das boas surpresas do roteiro foi “Deixe Estar”, o belo hit do álbum Pierrot do Brasil revivido por Marina em clima depressivo, quando a cantora vestiu capa verde (que, em tese, pode representar a esperança) e vagou perdida pelo palco vazio. “Charme do Mundo” ressurgiu jovial, abrindo caminho para a deliciosa “Doce de Nós” seguida de “Pra Começar”, que teve seu charme constituído nos óculos escuros usados pela cantora em clima “bate estaca”. Outra ótima surpresa do show foi a canção “Veneno”, a versão de Nelson Motta para “Veleno” gravada por Marina em 1984 em eu álbum Fullgás. “Veneno” ressurgiu com fôlego contando com belo efeito cênico, em que a cantora, presa às marcas teatrais, espirrava pó sentido a plateia. O momento mais belo do show foi o dueto de Marina com Karina Buhr, reconstituindo o dueto gravado em estúdio na belíssima “Desencantados”, destaque da atual safra de inéditas de Marina. Com Buhr, Marina apresentou jogo cênico que representava os encontros e desencontros tratados na canção (parceria de Marina, Buhr, Edgar Scandurra e Alex Fonseca). “Lex” emergiu vitoriosa no palco, antecedendo a maior (e melhor) surpresa do show: a abordagem de Marina para “In my Life”, a deliciosa canção dos Beatles. Foi a primeira vez que Marina abordou a obra dos Beatles e, espera-se, não seja a última. A canção foi solar. O show foi encerrado (antes do BIS) de forma fria. Bela, mas fria. Sentada com seu violão Marina abordou em clima bossa-nova “#SP Feelings” que contou com o mais belo cenário do show. A cantora voltou ao palco para interpretar “Pra Sempre”, a parceria de Marina com Samuel Rosa, e encerrando o show com “Mesmo que Seja Eu”, o sucesso de Erasmo Carlos que gravou em 1984.
Romântico, Climax é belo show. Mesmo não sendo tão festivo quanto seu antecessor, Topo Todas, é um show que merece registro por sua aura teatral e por se impor como um dos melhores shows de Marina nos últimos anos. Mas se houve falta sentida foi do (ótimo) rock
“Keep Walkin”, uma das melhores canções da atual safra de Marina Lima. Climax, o show, vale ser visto.

Marina revive "Veneno" e toca Beatles em "Climax"



Marina Lima (em foto da RG Vogue) apresentou duas grandes surpresas na estreia nacional de seu novo show, Climax, em São Paulo. A cantora interpretou "Veneno" (bela canção gravada em 1984 em seu álbum Fullgás) e "In my Life", o delicioso hit dos Beatles recriado por Marina com maestria em cena. A única falta realmente sentida foi da deliciosa "Keep Walkin", uma das melhores canções da nova safra autoral da cantora. Veja abaixo o roteiro seguido por Marina na noite de sexta-feira, 24 de julho, no Teatro do Sesc Vila Mariana:


1- Fullgás

2- À Francesa

3- Virgem

4- Não me Venha mais com o Amor

5- A Parte que me Cabe

6- O Chamado

7- Call Me

8- Me Chama

9- Difícil

10- Deixe Estar

11- Charme do Mundo

12- Doce de Nós

13- Pra Começar

14- Veneno (Veleno)

15- Desencantados - com Karina Buhr

16- LEX (My Weird Fish)

17- In my Life

18- #SP Feelings


BIS:


1- Pra Sempre

2- Mesmo que Seja Eu

Com Buhr, Marina encanta em "Desencantados"



Na estreia de seu novo show, Climax, em São Paulo, Marina Lima contou com a participação de Karina Buhr para reeditar em palco o belo dueto em "Desencantados", bela parceria de ambas com Edgar Scandurra e Alex Fonseca. Em cena, Marina e Buhr (em foto do site RG Vogue) criaram clima de separação e reencontros dramáticos, aludindo a letra da bela canção.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Entrevista com Charles Möeller!



Ator, autor, diretor, figurinista, cenógrafo e pessoa querida, Charles Möeller é o entrevistado que fecha a coluna Toda Sexta tem Entrevista do mês de junho. Ao lado de Cláudio Botelho, Charles contruiu dentro do cenário do teatro musical um nome de respeito e peso. É impossível pensar no cenário do teatro musical brasileiro, como ele é hoje, sem lembrar de Charles e Cláudio.
Um rapaz com DDA e Dislexia que inventava as histórias dos livros que lia tornou-se um dos maiores diretores de teatro do mundo, vide que Stephen Sondheim é fã confesso da dupla. Charles já dirigiu espetáculos que ficaram consagrados, dentre eles os atuais Hair e Um Violinista no Telhado.É impossível para mim descrever Charles ou falar mais sobre ele. Portanto, que venha a entrevista, onde o diretor fala um pouco sobre sua carreira, sobre o cenário musical brasileiro, os medos e receios de se montar um musical e as dificuldades que enfrenta ainda hoje no Brasil! E agora com a palavra a meu mestre maior dentro do cenário do teatro musical, aquele que me fez ver as possibilidades de um trabalho bem feito! Com vocês sua realeza CHARLES MÖELLER:

Bruno Cavalcanti: Ator, diretor, autor, cenógrafo e figurinista, uma relação basicamente completa com o teatro. Como teve início esse seu fascínio pelo teatro?

Charles Möeller: Desde muito pequeno. Acho que o teatro me escolheu! Me lembro claramente quando tinha 4 anos, minha mãe me levou pra assistir no teatro uma adaptação de Quebra Nozes e entrei num surto, queria assistir todas as apresentações, só falava naquilo, e minha mãe sagazmente , me colocou em todas a peças infantis da escola, e eu era uma criança meio maluquinha pois tenho DDA e sou Disléxico, inventava personagens pra mim e tinha uma dezenas de amigos invisíveis, então durante um longo período vivia muito mais num mundo que eu criava do que na realidade... Aliás, a realidade sempre foi uma pouco distorcida pra mim! Nas salas de aula todos liam o mesmo livro, quando eu contava o que tinha lido era sempre chacota, pois tudo pra mim era muito maior e mais colorido e mais dramático, sempre fantasiei muito tudo! Me lembro claramente de quando eu dissertei sobre os 12 trabalhos de Hercules, quando tinha 9 anos de idade, minha professora de português e literatura me disse: “Charles, achei linda essa historia, muito criativa, vou te dar um dez por isso pois vi o quanto você gostou do livro, mas o Hercules já teve muito trabalho com 12, na sua dissertação tem 18 trabalhos!”, ou seja eu inventei 6 a mais. Ainda sou assim... Em leitura sou quase coautor! (risos). Gosto de viver de mentirinha. A realidade é massacrante. A arte é o subjetivo da vida

BC: Você construiu uma carreira sólida e respeitável ao lado do Cláudio Botelho no cenário do teatro musical. No entanto você também já havia construído seu nome como figurinista e cenógrafo. Como estes mundos (da cenografia, figurino e direção) se uniram para refletir no seu trabalho?

CM: Minha relação com cenário e figurino veio da minha formação de dois anos de arquitetura. Quando estava no CPT (Cia do Antunes filho) me candidatei para uma vaga de assistente de cenografia e figurino com o JC Serroni e fiquei sendo assistente dele por três anos! Sempre tive muito fascínio por tudo em teatro, essa minha carreira que foi bem solida durante anos com muito prêmios até, me deram muita base pra ser tão detalhista como diretor e saber exatamente o que pedir pro meu cenógrafo e figurinista (Rogerio Falcão e Marcelo Pies). Sei exatamente o que falar com um cenotécnico , conheço tudo de caixa preta varando, sei solucionar problemas de execução e falo de tecido e corte com costureiras sem medo! Sei que sou exigente com eles, mas sei que sou fácil também, pois sei do ofício deles e posso traçar ideias de igual pra igual! O Marcelo Pies sempre brinca: como é fácil falar com você, pois você sugere até tecido! Sou um esteta e encenador, essas coisas correm juntos na minha cabeça. Mas não tenho mais paciência pra só fazer cenário e figurino, meu trabalho hoje é dirigir!

BC: Como começou sua parceria com Cláudio Botelho?

CM: Uma coincidência cósmica, quando eu tinha 19/20 anos fazia um novela com Miguel Falabella, e um dia ele me convidou pra assistir uma ensaio da peça que ele estava dirigindo com o Ítalo Rossi e com um garoto muito talentoso que tocava violão e cantava composições próprias. Saímos do ensaio e fomos jantar e só falávamos de musical a noite inteira e já se passaram 20 anos e ainda continuamos falando.

BC: As Malvadas, o primeiro musical da dupla. Fale um pouco sobre esse projeto. Como foi ter essa recepção tão positiva da crítica e do público?

CM: Foi a primeira vez que assinamos como dupla, mas já estávamos na estrada um tempo. Foi ato de coragem e até de arrogância juvenil. Minha estreia como autor de teatro com roteiro musical e versões do Claudio, que ia de Stephen Sondheim a Sidney Magal! N’As Malvadas lançamos cantoras incríveis que estão até hoje ai... Recebemos críticas unanimes e até o premio Sharp de melhor espetáculo daquele ano, isso nos deu muito gás para continuarmos.

BC: Você e o Cláudio optaram por produzir exclusivamente musicais. Por que essa preferência pelo teatro musical e não o teatro dito “convencional”?

CM: Somos de musical, esse é nosso ofício. Acho estranho quem transita por todos os gêneros. Não saberia fazer! Sempre ia me dar a impressão de que está faltando alguma coisa! Sou atleta deste ofício.

BC: Qual o critério para que você como diretor se encante por um musical e queira montá-lo?
CM: Minha paixão é pela música do musical e pelo libreto! Tem que ter esse casamento, se a música ou a história não me tocam mutuamente, não monto.

BC: Agora falando da parte técnica. Qual a maior dificuldade em se produzir um musical no Brasil ainda hoje?

CM: Os teatros não têm infra ainda! Temos 2 ou 3 palcos capazes de suportar a estrutura de um clássico como Um Violinista no Telhado, por exemplo, no eixo Rio-SP!

BC: A Noviça Rebelde, um clássico dos clássicos. Não houve certo receio em montar um espetáculo que está já no imaginário popular?

CM: Eu não tenho receio de nada! Faço aquilo que amo e me toca. Nunca tive medo! Se a gente vive com medo a gente paralisa.

BC: Ópera do Malandro, um clássico brasileiro que veio se perdendo na memória popular. Como surgiu essa ideia de remontar este espetáculo?

CM: Queríamos fazer algo grande e de impacto popular na Praça Tiradentes, que estava às moscas e escura, abandonada mesmo, as pessoas tinham medo de ir para o centro a noite! Quando recebemos o convite de estrear um espetáculo no Teatro Carlos Gomes na época de diretores artísticos, na gestão dos teatros da prefeitura! Todos conheciam as musicas, mas tinham perdido o contato com a obra. Achei que seria um bom casamento colocar o malandro na PRAÇA (Tiradentes) outra vez e, apesar de muitos (quase todos), acharem que seria um tiro no pé ficamos com o espetáculo por três anos em cartaz, revitalizamos a praça que voltou a ser iluminada e até pipoqueiro e cambista tinham, e fizemos duas turnês pela Europa com o maior sucesso.

BC: Avenida Q e O Despertar da Primavera foram dois musicais fortes de uma ótima aceitação do público, mas com temas polêmicos e ainda hoje um tanto controversos. Como foi trabalhar com estes dois espetáculos? Houve algum receio de montá-los?

CM: Nem um pouco, eu como artista tenho o dever e direito de quebrar os tabus! Com o Hair também foi assim e esses espetáculos me trouxeram a plateia jovem.

BC: 7 – O Musical, o espetáculo mais autoral da dupla e um dos meus favoritos. Fale um pouco desse espetáculo. As experiências, proporções e a possibilidade de ele ganhar as telas de cinema.

CM: O 7 é nosso musical fetiche , e só tivemos alegrias com ele, é o musical que menos me deu dinheiro, mas é o que me deu mais orgulho, por ser uma criação total, ver minha historia num palco é se ver, se expor, ver sua voz mais interior, era deslumbrante, tão soturno , mágico, num Rio de Janeiro nevando, com feitiços e sortilégios, com músicas compostas pro meu imaginário, não tem preço! É o espetáculo mais premiado da minha carreira e temos varias propostas dele ir parar no cinema! E vamos filma-lo em algum momento

BC: E 7 parece que ganhará uma cria. Verônica 13. Você pode falar sobre esse espetáculo? Pode me dar uma exclusiva?

CM: O 7 é a primeira parte da trilogia. Veronica ou 13, não é uma continuação é mais é uma cria com o mesmo universo Rodriguiniano que me fascina. Se passa nos anos 50 num Rio de Janeiro nublado e sombrio. Laura na véspera do seu casamento com Pedro se descobre apaixonada pelo irmão dele, Frederico, e envolvida num plano de assassinato, é uma historia de twists e reviravoltas envolvendo, maldições, mortes, vinganças, juras de amor, fantasmas, e um crime nunca explicado na família! Um jogo de amor e azar, por isso a referencia do número 13, uma ciranda de paixões: Pedro que ama Laura, que ama Frederico que ama Verônica que ama Pedro, Frederico e Laura que é amada por Leticia... E assim vai!

BC: Ada Chaseliov e Ivana Domenico são as duas atrizes que mais protagonizaram espetáculos da dupla “Möeller e Botelho”. Qual sua relação com ambas?

CM: Duas amadas, queridas, talentosas! Ada já era minha amiga antes de eu me tornar diretor e é até hoje uma irmã! Mas temos outros nomes que sempre trabalho, como Sabrina Korgut, Gottsha, Alessandra Verney, Kakau Gomes, Renata Ricci, Alessandra Maestrini, Kiara Sasso, Dudu Sandrone, Renato Rabello, Eduardo Galvão, agora a tão jovem Malu Rodrigues, que já esta na sua quarta peça comigo, e tantas outras e outros! Sou como um cachorro fiel, quando gosto, quero ter perto! Funciona como talismã, e ter pessoas que já trabalharam comigo perto é muito bom, pois eles educam os que estão entrando!

BC: E o Charles como público? Qual seu musical favorito?

CM: Sou como o premio Tony, todo ano elejo os que mais gostei, mas nos últimos anos ninguém ainda tirou o brilho de Billy Elliot!

BC: E o que você gosta de ler, ouvir, assistir?

CM: Leio coisas bem variadas, no momento estou lendo um livro lindo do Philp Roth chamado A Humilhação, mas quando estou no processo de trabalho procuro mergulhar a fundo no mundo que estou tratando! No Hair fiquei emergido em literatura Beatnik , ouvindo rock psicodélico, mantras orientas, fui fazer Yoga, tudo pra ter esse olhar pra peça, gosto assim, gosto quando a peça transforma meu dia a dia, inclusive fisicamente! Para o Violinista ganhei um livro de contos do Historiador, Michel Guermam, sobre perolas da literatura Judaica e li praticamente todo Sholem Aleicheim! Para As Bruxas de Eastwick já estou lendo The Witches of Eastwick, de John Updike, o livro que deu origem ao filme e ao musical e The Windows of Eastwick, uma espécie de conclusão que ele escreveu 24 anos depois! Escutar vou te revelar um segredo em primeira mão: quando não estou trabalhando não escuto musica nenhuma, descanso meus ouvidos, detesto musica até no carro, em casa nunca toca nada, pois passo o às vezes 12 horas por dia escutando musica quando trabalho, e trabalho emendando uma musical no outro nos últimos dez anos... Se estou em casa e não estou estudando ou trabalhando é o silêncio que reina!

BC: Charles Möeller como ator. Você já fez algumas novelas além de ter atuado em outras peças. O Charles ator pode voltar a dar as caras nos palcos ou nas telas?

CM: Às vezes tenho muita vontade, tenho até alguns planos, mas não sou daquele que meche em time que esta ganhando! Mas nunca digo nunca!

BC: Gypsy, o musical perfeito. Fale um pouco da experiência de montar um dos musicais mais difíceis da Broadway (que, não por coincidência, é o meu favorito!).

CM: Eu amo a peça! Demoramos 3 anos pra levantar dinheiro pra produção, era o papel certo para Totia (Meirelles – que viveu Mamma Rose) e para Adriana (Garambone – que viveu Gypsy Rose Lee), e o fantasma de ser o musical mais difícil e perfeito de todos os tempos me excitava muito, pois ele é quase um roteiro de cinema , um plano sequência que dura quase duas décadas! Amei cada segundo, foi um sucesso incrível e colocou a Totia no patamar de primeira atriz de musical! Lançou o André Torquarto! Mas falavam a mesma coisa do Violinista também, e olha ele aí com Zé Mayer arrebentando com todas as críticas dizendo ser o melhor trabalho da minha carreira e da carreira dele: Não tenho medo desses mitos do maior, ou mais difícil ou mais perfeito! Quero sempre que seja o mais emocionante

BC: E a emoção de ter Sondheim em sua plateia...

CM: É um dia único e com certeza, mudou a minha trajetória, e passei para um outro lugar na minha carreira, ele estava com Sir Cameron Mackentosh , o maior produtor de musicais do mundo, e fez questão de ir no intervalo falar com elenco, e até hoje escreve a mão bilhetes muito amáveis nas nossas estreias, temos essa honra e isso mudou o nosso rumo! Passamos pelo crivo de Deus, tivemos críticas incríveis na (revista) Sondheim Review, abriu portas dos escritórios de direitos internacionais, enfim foi o começo de uma nova era! Foi uma bênção do maior de todos!

BC: Para encerrar me diga: Charles Möeller por Charles Möeller. E uma música, uma citação, um poema, frase, qualquer coisa, para fechar.

CM: Falo sempre esse poema pra todos os meus elencos e acho que é que permeia minha vida e meu trabalho de diretor:

O olho do homem é feito de modo que se lhe vê por ele a virtude. A nossa pupila diz que quantidade de homens há dentro de nós. Afirmamo-nos pela luz que fica debaixo da sobrancelha. As pequenas consciências piscam o olho, as grandes lançam raios. Se não há nada que brilhe debaixo da pálpebra, é que não há nada que pense no cérebro, é que não há nada que ame no coração.

Victor Hugo.

Os Reis dos Musicais



Quando se ouve falar em Charles Möeller e Cláudio Botelho logo se pensa em musical, mas nõ apenas em musical, logo se pensa em qualidade. Não é à toa que a dupla recebeu o título de "Os Reis dos Musicais". A qualidade do trabalho destes dois diretores ultrapassou o bom, o correto e o ótimo, chegando ao patamar do sublime. Com mais de 20 anos de carreira os dois nunca erraram em cena. Seu primeiro musical, As Malvadas, foi um sucesso arrebatador e daí pra frente apenas grandes sucessos passaram pelo crivo da dupla. Não há possibilidade hoje de olhar um musical que leve a assinatura de Charles e Cláudio e pensar: que musical péssimo! A dupla criou apenas grandes sucessos e o último sucesso estrondoso está em cartz no teatro OI Casa Grande no Rio de Janeiro, com casa lotada e crítica unânime: Um Violinista no Telhado. Mas antes deste espetáculos já passaram por aqui: A Noviça Rebelde, Hair, Sweet Charity, Avenida Q, Gypsy, Ópera do Malandro e os autorais 7 - O Musical e Cole Porter - Ele Nunca Disse que me Amava (além claro do belíssimo Cristal Bacharach), enfim, Charles e Cláudio podem não ser infalíveis, mas até hoje não falharam. Este texto nasce d aminha necessidade de expressar não apenas minha admiração como meu orgulho por ter no Brasil uma dupla de diretores que tenha revitalizado com tamanha maestria o cenário do teatro musical. Stephen Sondheim deu seu aval para a dupla e, desde então, não há quem não queira que seu espetáculo tenha a assinatura dos "meninos" (como são chamados carinhosamente dentro do cenário musical). Agora estão dirigindo o espetáculo As Bruxas de Eastwick em parceria com a produtora Time 4 Fun, que trouxe ao Brasil espetáculos como Chicago, A Bela e a Fera, Cats e trará no ano que vem a comédia musical A Família Addams. Enfim, este texto curto serve também para duas outras coisas: expressar meu desejo de, em breve, trabalhar com a dupla, e apresentar meu entrevistado que fecha a coluna Toda Sexta tem Entrevista do mês de junho. O diretor, ator, autor, figurinista, cenógrafo e querido: CHARLES MÖELLER!

sábado, 18 de junho de 2011

"Um Violinista" chega a São Paulo em setembro



Cumprindo concorrida (e vitoriosa) temporada no Rio de Janeiro, no Teatro OI Casa Grande, o musical Um Violinista no Telhado da dupla de ouro Charles Möeller e Cláudio Botelho chegará a São Paulo no mês de setembro. O espetáculo tem no elenco, encabeçado por Soraya Ravenle e José Mayer, nomes como Marya Bravo, Ada Chaseliov, Malu Rodrigues e Júlia Bernart dentre (muitos) outros. A temporada carioca está cotada para ficar em cartaz até início de setembro, quando aporta em SP.