sexta-feira, 17 de junho de 2011

Entrevista com Simone Gutierrez!




Cantora, atriz e bailarina, Simone Gutierrez despontou para o grande público em 2009 quando protagonizou o musical Hairspray, com direção de Miguel Falabella. Simone interpretou Tracy Turnblad ao lado de Edson Celulari, Arlete Salles, Danielle Winits, Jonatas Faro e Heloísa de Palma. Simone estreou nas novelas em 2010 em Passione a convite de Silvio de Abreu, além de protagonizar um espetáculo onde, além de cantar e atuar, também produziu, Ai-Pod. Neste ano de 2011 foi convidada por José Possi Neto para integrar o elenco do musical New York, New York. Simone é uma bailarina de mão cheia, além de ser um dos grandes nomes no cenário do teatro musical brasileiro atual. A atriz me concedeu uma entrevista onde falou basicamente de carreira e de seus gostos pessoais, além do desejo de investir na carreira de cantora, gravando um Cd. Vejam abaixo a entrevista na íntegra.

Bruno Cavalcanti: Você surgi para uma grande público após protagonizar o musical Hairspray em 2009 e logo após surgiu para um público maior ao participar da novela Passione. Como é sua relação com a fama?

Simone Gutierrez: Eu lido muito bem com isso, porque acho que o que vale é o reconhecimento de um bom trabalho. É muito legal quando alguém te aborda e diz , “poxa adorei seu trabalho”, pra mim é isso que vale.

BC: Você e Miguel Falabella trabalharam juntos no Hairspray, mas já se conheciam antes mesmo do espetáculo. Como é sua relação com Miguel?

SG: Miguel é um amigo que eu quero pra vida toda. Se ele não tivesse me escolhido pra fazer a Tracy, talvez hoje nem estivesse aqui dando essa entrevista (risos)! Mas não só por isso, ele também é muito querido e me ensinou muito.

BC: Como surgiu o convite para participar de Passione, com uma personagem tão divertida quanto foi a Lurdinha?

SG: Foi muito legal, o Silvio de Abreu foi me assistir no Hairspray quando eu estava em cartaz no Rio e aí me convidou. Quase enfartei! (risos)

BC: Ai-Pod foi um espetáculo divertidíssimo, mas que teve pouco tempo de duração. Você pretende trazê-lo de volta?

SG: Não vejo a hora de voltar, esse é meu primeiro projeto como produtora, junto com meu amigo Eduardo Berton e minhas queridas Célia Forte e Selma Morente da Morente Forte Produções. Só estamos correndo atrás de alguns detalhes de leis e patrocínios pra voltar a todo vapor.

BC: Ainda sobre Ai-Pod, como surgiu a ideia de criar um espetáculo com tamanha interatividade musical?

SG: A ideia embrionária era fazer um show com uma banda ao vivo, que mostrasse nossas qualidades musicais e vocais, mas que ao mesmo tempo fosse engraçado. Seria um stand-up musical. Isso, no nosso entendimento já era uma tentativa de inovação, já que habitualmente não vemos stand-ups acompanhados de bandas. Também queríamos uma "amarração dramatúrgica", calcada no humor. Aí foi só começar a produzir.

BC: Além do teatro musical e da televisão, ainda há uma carreira que você pretenda dar mais atenção? Com ao de cantora, por exemplo?

SG: Se houver algum convite de alguma gravadora com certeza vou me dedicar e amar.

BC: Como surgiu o convite para participar de New York, New York?

SG: Me chamaram para um teste e o José Possi Neto que era o diretor e já conhecia meu trabalho, adorou e resolveu escrever um papel pra mim...chique né? (risos).

BC: Simone Gutierrez como público: quais suas músicas, livros, filmes, diretores, atores favoritos, enfim... O que satisfaz a Simone Gutierrez enquanto público?

SG: Difícil escolher. Gosto de tudo que me inspira e instiga. Quando não estou trabalhando, procuro assistir tudo o que dá, ouvir tudo o que posso, ler o que me interessa , porque acho que isso faz parte do meu crescimento como artista.

BC: Em seus trabalhos há algum que você olhe pra trás e pense: este é meu xodó, meu favorito. E há algum para o qual você olhe e pense: se arrependimento matasse...

SG: Ah... com certeza Hairspray é meu xodó e vai ficar marcado pra sempre na minha vida. Arrependimento não tem nenhum.

BC: Como são os fãs de Simone Gutierrez? São dos tipos histéricos que gritam por você ou são daqueles que você poderia parar uma bela tarde para tomar um chopp?

SG: Amo meus fãs, eles são muito carinhosos. Acho que nenhum artista seria completo se não tivesse quem admirasse o seu trabalho. Mas infelizmente não bebo... Pode ser um cappuccino? (risos).

BC: Há algum trabalho dentro ou fora da TV que você queira muito fazer? Um papel que seja seu sonho de consumo?

SG: Se o musical, Wicked viesse para o Brasil adoraria fazer a Elphaba.

BC: E a Simone cantora? Um CD pode rolar por aí?

SG: Cadê o convite? (risos)

BC: Me diga uma frase, uma música, uma citação, qualquer coisa que nos diga basicamente quem é Simone Gutierrez.

SG: “Lamentar aquilo que não temos, é desperdiçar aquilo que já possuímos.”

BC: Para encerrar: Simone Gutierrez por Simone Gutierrez.

SG: Determinação.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Veja o elenco de "As Bruxas de Eastwick"


Musical que estreou em 2000 na West End (Londres), As Bruxas de Eastwickchega ao Brasil com produção da Time 4 Fun e direção da dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho. A estreia está agendada para o dia 13 de agosto no Teatro Bradesco, em São Paulo, e o elenco já foi divulgado. Vejam abaixo alguns dos nomes que irão compor o elenco:

Eduardo Galvão (Darryl): O ator iniciou parceria com a dupla Möeller & Botelho quando participou do musical Gloriosa com Marília Pêra. Essa parceria foi reforçada por sua participação em Gypsy em 2010, quando viveu Herbie, fazendo par com Totia Meirelles que viveu Mamma Rose.

Renata Ricci (Sukie): A atriz já tem uma história dentro dos musicais. Ao lado da dupla Möeller e Botelho ela já esteve no elenco de espetáculos como Sweet Charity, Avenida Q e viveu a encantadora Junne no musical Gypsym 2010.

Kakau Gomes (Jane): Outro nome de peso, Kakau já esteve em diversos musicais, dentre eles Jekyll & Hyde - O Médico e o Monstro, Godspell, Rock Horror Show dentre outros. Com Charles e Cláudio Kakau esteve em musicais como Cole Porter - Ele Nunca Disse que me Amava, Tudo é Jazz, Beatles num Céu de Diamantes e Uma Noite com Cole Porter.

Maria Clara Gueiros (Alexandra): É o primeiro musical da atriz com a dupla Möeller e Botelho. Mais conhecida por seu trabalho na TV, Maria Clara também já protagonizou musicais como Tango, Bolero e Cha Cha Cha, além de ser bailarina profissional há 27 anos e estar prestes a produzir, entre os anos de 2012 e 2013, um musical, de direitos adquiridos em Londres.

Fafy Siqueira (Felicia): A atriz multifacetada sempre esteve envolvida em projetos musicais, mas esta é a primeira vez que trabalha ao lado da dupla Möeller & Botelho.

Renato Rabelo (Clyde): O ator também não é nenhum entranho no ninho, já tendo estado no elenco de musicais como Rock Horror Show, Marília Pêra canta Carmen Miranda, Garota Glamour, Victor ou Victória? dentre outros. O ator participou de projetos da dupla Möeller e Botelho, dentre eles Cristal Bacharach, Ópera do Malandro, Avenida Q dentre outros.

André Torquatto (Michael): O ator fez seu desponte nos grandes musicais em 2010, quando viveu Tulsa no musical Gypsy, ao lado de Totia Meirelles, Renata Ricci, Eduardo Galvão e Adriana Garambone. Este é seu segundo projeto com Charles Möeller e Cláudio Botelho.

Clara Verdier (Jennifer): A atriz está no elenco de seu segundo musical com a dupla Möeller e Botelho. Antes ela havia composto o elenco de A Noviça Rebelde.

Ben Ludmer (Fidel): O humorista trabalha pela primeira vez com a dupla Möeller e Botelho.

Ivana Domenico (Felicia alternante): Uma das atrizes mais conceituadas do teatro musical, Ivana é a atriz que mais fez musicais da dupla Möeller e Botelho, tendo estado no elenco de projetos como As Malvadas, Cristal Bacharach, Ópera do Malandro, Lado a Lado com Sondheim, 7 - O Musical, Cole Porter - Ele Nunca Disse que me Amava dentre outros.

Dentre outros nomes. O espetáculo estreia dia 13 de agosto de 2011 no Teatro Bradesco, em São Paulo, onde hoje está em cartaz New York, New York.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Pterodátilos: a extinção da alma na tragicomédia


Cumprindo concorrida temporada no Teatro FAAP, a peça Pterodátilos tem sido requisitada pelo público muito mais pela presença de Marco Nanini no elenco do que pela história em si. O delicioso texto do norte americano Nicky Silver fora deixado em segundo plano pelos desavisados que entravam na FAAP em busca de encontrar em Nanini uma espécie de personificação de sua personagem Lineu, do seriado A Grande Família. Talvez essa busca pela personagem televisiva tenha sido uma das frustrações de grande parte do público ao sair da FAAP comentando “que peça estranha”, “não entendi nada”, “esperava rir mais”, “o Lineu estava tão estranho”. Quem procurar por Lineu não encontrará. Quem procurar por Nanini também não o encontrará. Apenas o que se vê em Pterodátilos é uma tragicomédia sobre uma família de alta classe que se vê entrando em extinção com a volta do primogênito a casa. O pai, presidente de um banco, a filha prestes a casar e totalmente desligada de sua realidade, a mãe alcoólatra e sem nenhuma noção de seus atos e o então noivo da filha, submisso e perdido em seus desejos. Nada suporta a volta do filho homossexual contaminado pelo vírus do HIV que decide escavar as terras da casa em busca de fósseis de dinossauros e acaba por encontrar um pterodátilo. Nada na peça faz sentido a principio e aí está o grande trunfo do texto de Nicky Silver. A história em si não deveria ter sentido, tanto quanto a convivência daquela família não tem. Nada na família está de pé, nada faz sentido, não há ali linha que separe a realidade da insanidade emocional, todas as personagens estão entregues a suas emoções mais sombrias, e é exatamente aí que os atores entram em prova e, como era de se esperar, passam com louvor. Fellipe Abib interpreta Tom, noivo da filha mais nova da família. O ator construiu em sua personagem a densidade e a comicidade exatas a ponto de cativar o público logo quando entra vestida de empregada em cena, a pedido de sua então futura sogra. Tudo muda quando Tom se apaixona por Todd, filho mais velho da casa e homossexual portador do vírus do HIV e interpretado por Álamo Facó num misto de tristeza, paixão e sensualidade. A dupla protagoniza momentos de terna tensão sexual que convencem e emocionam. Emma, a filha mais nova interpretada por Marco Nanini é também um grande achado, talvez a melhor personagem no texto de Nicky. Nanini criou uma garota reprimida e regida por suas sinas, medos e manias que, alcoólatra e grávida vive em discussão com a mãe tentando provar sua existência. Nanini mostra tamanha maestria em cena que realmente chegamos a acreditar que há uma atriz interpretando aquele papel, não apenas um homem (tra)vestido de mulher. Nanini também dá vida ao patriarca da família, Artur, presidente de um banco que tenta a todo custo levar sua família nas costas, tentando aceitar as escolhas do filho, reprimindo seus desejos de abusar de sua filha e tentando aturar sua esposa. Nanini funciona melhor como Emma, mas também convence na pele do banqueiro que, mais tarde, perde o cargo da presidência e entra num estado de letargia e depressão contínuas, tentando inclusive assassinar seu filho Todd num ato de desespero para suprir seus desejos, acaba expulso pela esposa, Grace, e aí está o grande destaque da peça. Mariana Lima interpreta a dona de casa alcoólatra e compulsiva por compras, Grace. A atriz mostra estar em sua melhor forma em passando de momentos cômicos a trágicos num piscar de olhos. O amor platônico que alimenta por seu filho Todd faz com que a notícia de sua doença torne-se apenas mais uma ocasião para festa, após o casamento de sua irmã. “Você quer caixão aberto?” pergunta com euforia Grace a seu filho, e Mariana explora todas as nuances e riquezas desta personagem. O verdadeiro destaque da peça é Mariana.

O cenário é elemento a parte, que funciona a favor da peça. A princípio simples (um chão de madeira erguido por uma plataforma) vai se transformando em ponto essencial para o espetáculo, visto que a medida em que a família desmorona (seja com a morte de Grace e seu filho – ela então grávida – seja pela morte de Tom, seja pela partida de Artur), o chão vai sendo completamente destruído, até que sobrem apenas resquícios. Com a morte de Grace (numa cena impactante dela sendo servida pelo filho com conhaque e já dando seus últimos suspiros), a peça é encerrada com Todd e seu discurso politicamente irreconhecível (correto ou não, isso já não importa). É essa a graça do texto de Nicky Silver: a falta de graça.

Pterodátilos não é uma peça fácil, muito antes pelo contrário, é uma peça de difícil acesso e digestão, mas é uma obra que merece a atenção do público, desde que este esteja preparado para ver aquilo que talvez queiram esquecer.

'Book of Mormon' é destaque no Tony 2011


Musical da dupla Trey Parker e Matt Stone (autores da famosa série South Park), Book of Mormon foi o grande vitorioso da noite de ontem (12 de julho) na premiação do Tony Awards, em Nova Ioque. A sátira musical abocanhou nada menos que 9 estatuetas do Tony, incluindo a de melhor musical. Quem também não se saiu mal foi Anything Goesque levou 3 estatuetas, incluindo de melhor coreografia e de melhor remake musical. Uma curiosidade (ma snão uma surpresa) foi a vitória de Priscilla - Queen of the Desert por melhor figurino. O musical jamais ganhou um prêmio de melhor musical, mas desde que foi montado pela primeira vez na Austrália tem sempre abocanhado prêmios de melhor figurino, e em sua estreia na Broadway não foi diferente. Vale lembrar que o espetáculo estreia no Brasil em 2012. Veja abaixo a lista dos vencedores do Tony Awards 2011:

Melhor Peça: War Horse

Melhor Musical: Book of Mormon

Melhor Remake de Peça: The Normal Heart

Melhor Remake de Musical: Anything Goes

Melhor Encenação em Peça: Marianne Elliot e Tom Morris - War Horse

Melhor Encenação em Musical: Casey Nicholaw e Trey Parker - Book of Mormon

Melhor Atriz em Peça: Frances McDormand - Good People

Melhor Atriz em Musical: Sutton Foster - Anything Goes

Melhor Ator em Peça: Mark Rylance - Jerusalem

Melhor Ator em Musical: Norbert Leo Butz - Catch me if You Can

Melhor Ator Coadjuvante em Peça: John Benjamin Hickey - The Normal Heart

Melhor Ator Coadjuvante em Musical: John Larroquette - How to Succeed in Business

Melhor Atriz Coadjuvante em Peça: Ellen Barkin - The Normal Heart

Melhor Atriz Coadjuvante em Musical: Nikki M. James - Book of Mormon

Melhor Libretto: Book of Mormon - Trey Parker e Matt Stone

Melhor Figurino em Peça: Importance of Being Earnest

Melhor Figurino em Musical: Priscilla - Quen of the Desert

Melhor Cenografia em Peça: Wars Horse

Melhor Cenografia em Musical: Book of Mormon

Melhor Iluminação em Peça: Wars Horse

Melhor Iluminação em Musical: Book of Mormon

Melhor Coreografia: Anything Goes - Kathleen Marshall

Melhor Trilha: Book of Mormon

Melhor Orquestração: Book of Mormon

Melhor Desenho de Som em Musical: Book of Mormon

Melhor Desenho de Som em Peça: Wars Horse

domingo, 12 de junho de 2011

Noel Rosa: a dignidade do samba nos palcos


“Uma delícia de musical, tô com vontade de sambar!” dizia uma moça na plateia ao fim do espetáculo Noel Rosa: O Poeta, o Músico, Cronista de uma Época. E realmente, a vontade parecia ecoar por todo o teatro. A biografia musical do “poeta da Vila” cumpre curta temporada no Teatro Brigadeiro, em São Paulo. Com texto e direção de Cybele Gianni o espetáculo conta essencialmente a vida de Noel Rosa baseada em suas canções. São ao todo 42 canções passando por clássicos como “Com que Roupa?”, “Feitio de Oração”, “Palpite Infeliz” e “Fita Amarela” até temas mais obscuros da obra do autor, como “Quando o Samba Acabou” e “Seja Breve”.

O elenco de 13 atores mais os 6 músicos que não deixam o palco em nenhum momento compõem um jogo cênico bonito, principalmente ao interpretarem (bem) temas de Noel. Nomes como Francisco Alves, Mário Lago, Aracy de Almeida, Marília Baptista, Ismael Silva, Wilson Baptista, Orestes Barbosa e Braguinha foram representados com dignidade em cena. O texto de Cybele Gianni procurava entrelaçar fatos da vida de Noel com suas canções, usando de um humor tipicamente malandro e, de fato, gostoso de se ouvir. O elenco defendeu a obra de Noel com profissionalismo, nenhum dos atores cantava mal, destaque inclusive para Glau Gurgel que deu vida ao próprio “poeta da Vila”. O ator transformou Noel numa personagem, criando um malandro facilmente adorável, cafajeste, porém adorável. Destaque também para Áurea Giovanni, que deu vida a Ceci, grande amor da vida de Noel; e Danilo Andrade, que se destacou ao viver Mário Lago e Francisco Alves. Cybele Gianni também apareceu muito bem em cena, mesmo tendo altos e baixos. Quando interpretava a mãe preocupada e zelosa de Noel a atriz conseguia momentos de boa emoção, o que já não era facilmente perceptível em sua interpretação de, por exemplo, Julinha, a cantora de cabaré decadente. Cybele não tem uma voz talhada para o canto. Mas se houve um pecado em Noel Rosa foi o cenário. A perfeição do botequim criado para abrigar os 6 músicos do Grupo JB Samba não refletia, por exemplo, nos cenários que construíram um cabaré e um pequeno apartamento onde se instalava Ceci. Os cenários se cobriam e chegava a ser impossível enxergar os atores que se sentavam no grande sofá por trás do cenário do cabaré (que vale ressaltar, continha a mais bela iluminação do espetáculo). Mas apenas um detalhe facilmente corrigível e insignificante perto da dignidade da retratação da vida de um dos poetas mais importantes da história do samba.

Noel Rosa: O Poeta, o Músico, Cronista de uma Época é um espetáculo dignamente delicioso, mostrando a melhor xepa do verdadeiro samba. Uma delícia de Noel Rosa.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Entrevista com Renata Ricci!


Atriz, cantora e bailarina, Renata Ricci é a minha entrevistada desta semana. Renata é um dos nomes mais requisitados dentro do cenário do teatro musical no Brasil. Já esteve em espetáculos do porte de Sweet Charity e o clássico Gypsy, ambos da dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho. Renata também já fez parte do elenco de novelas como Amigas e Rivais (SBT), Revelação (SBT) e Páginas da Vida (Globo), além de cmapanhas publicitárias e muito mais. A atriz se define como "artista" que faz de tudo, teatro musical, televisão, o teatro dito "habitual", cmapanhas e tudo aquilo que lhe dê prazer. Cinfélia assumida, revela-se uma amante da sétima arte e de tudo o que a compõe: desde os blockbusters atéos filmes mais clássicos. Renata também nos mostra a possibilidade de aflorar com seu lado cantora. Numa conversa via bastante descontraída tratamos especificamente de trabalho e preferências. Em agosto ela estreará em São Paulo, no Teatro Bradesco, o musical As Bruxas de Eastwick ao lado de Kakau Gomes, Maria Clara Gueiros, Fafy Siqueira, Eduardo Galvão e André Torquatto (seus dois companheiros em Gypsy). Abaixo a entrevista completa:

Bruno Cavalcanti: Você esteve em diversos musicais de grande importância, e um deles foi Sweet Charity onde você ganhou destaque. Dali pra cá ainda houve outros trabalhos de sucesso como Avenida Q e Gypsy. Como foi esse crescimento gradual na sua carreira?


Renata Ricci: Sweet Charity foi meu primeiro musical profissional, e fiquei muito feliz de já ter feito uma personagem bacana, logo assim, de cara! De lá pra cá, continuei com minhas aulas, meu empenho, e, a cada novo trabalho, sinto realmente este crescimento gradual. Vejo isso como uma coisa muito boa, resultado de dedicação à minha carreira. É bacana sentir que, a cada novo trabalho, coloca mais um tijolo, mais uma estrutura em algo maior, algo que representa você como artista que é o trabalho de uma vida inteira!


BC: Você não é apenas uma atriz de teatro, chegou a fazer televisão também. São duas linguagens diferentes, mas alguma delas é sua favorita?


RR: Sim, são linguagens diferentes, mas independente da linguagem usada, do meio utilizado, da técnica especifica... Antes de tudo isso vem o ator. O ator, no meu ponto de vista, tem de estar sempre o mais preparado possível pra acessar as mais variadas ferramentas que ele possui pra cada trabalho. Eu não tenho preconceito nenhum, seja com teatro tradicional, televisão, cinema, teatro de rua, sei lá quais outras denominações que podem existir. Gosto de atuar seja em qual meio for, gosto de contar uma boa história! Não tenho uma linguagem favorita, mas sinto muito prazer fazendo teatro musical e cinema, mas é uma coisa que digo hoje, amanhã não sei qual será este barato. O que curto em televisão é esta novidade, esta coisa de todo dia ser literalmente diferente, desafiador. Você tem de estar numa maneira muito intuitiva, pois não se tem muito tempo de preparação, diferente do teatro e do cinema, tudo tem sua beleza! O grande lance do ator é estar atento e pronto para o que vier.


BC: A Renata Ricci cantora pode surgir num trabalho solo ou ela é apenas mais uma vertente da Renata Ricci atriz (e bailarina)?


RR: Não sei! Hipoteticamente? Com certeza. Mas admito que não seja algo que eu corra atrás com muito afinco. Tenho minhas composições, minhas pesquisas, mas vou fazendo no meu tempo, sem pensar se isso um dia poderá vir a ser ou não algo de conhecimento do grande público! Tenho uma ou outra coisa minha no myspace. Acho bacana mostrar pra quem quiser ouvir, e a tecnologia facilitou tudo isso.


BC: Em Gypsy você interpretou a encantadora June que é uma personagem essencial na história. Como foi lidar com a responsabilidade de, primeiro, interpretar uma personagem que de fato existiu, segundo, interpretar uma personagem de tamanha importância?


RR: Eu não pensei muito nisso não. Fiquei feliz com o papel, honrada de representar alguém que ainda estava vivo (a June real veio a falecer umas 2 semanas antes da nossa estréia). Acho que a sensação seria mais de honrada que o peso da responsabilidade sabe? Dei o meu melhor, mas talvez pelo lance de ter sido gradual até chegar numa personagem como a June, me senti no lugar certo. Nem mais nem menos do que eu poderia naquele momento.


BC: A Renata Ricci é um nome conhecido do grande público? Você participou de novelas como Páginas da Vida (Rede Globo), Amigas e Rivais (SBT) e Revelação (SBT). Você acha que isso impulsionou sua carreira de alguma forma, ou você ainda é mais conhecida pelos freqüentadores do teatro?


RR: A Renata Ricci? Ou seja, eu? (risos). É engraçado que a TV é muito rápida na divulgação da nossa imagem e também do nosso trabalho. A minha carreira é um conjunto de fatores, e dentre eles faz parte a TV, o teatro musical, o teatro tradicional, a dança, etc. Penso assim... Gosto de sentir meu trabalho reconhecido sim. E muita gente ainda me para na rua ou me escreve recadinhos online lembrando das novelas, ou de peças que viram há anos atrás... E é este o retorno que tenho!


BC: Você participou de Sweet Charity, Avenida Q e Gypsy, três musicais que levam a grife da dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho. Como é sua relação com eles?


RR: Primeiro de respeito e admiração porque os caras estão nesta labuta há muito tempo! Muito antes de existir este glamour em torno do teatro musical eles já faziam isso porque amam mesmo... São amadores neste sentido, de realmente fazer o que amam. E com certeza, por este motivo, o clima de trabalho com eles é sempre maravilhoso, de respeito mútuo, de troca... Me sinto feliz de fazer parte de um grupo de atores que trabalha com a dupla! Não só com os dois, mas toda a equipe, que se mantém relativamente à mesma. É um prazer chegar lá e fazer minha parte e ver todos muito envolvidos no que fazem. Sem contar que o Charles é um doce de pessoa, um paizão, e o Cláudio um dos humores mais afiados e inteligentes que conheci. Pessoas que a gente tem prazer de conhecer literalmente!


BC: E a Renata Ricci como público? Quais suas preferências? O que gosta de ouvir, cantar, ler, assistir? Prefere teatro ou cinema ou televisão?


RR: Sou louca por cinema desde criancinha mesmo. Qualquer brecha, onde está a Renata? No escurinho da primeira sala que cruzar seu caminho (risos). Gosto dos clássicos, dos blockbusters, dos alternativos, dos chatos, dos engraçados... Gosto de cinema e ponto! Mas também vou muito ao teatro ver os amigos. É bom saber o que está sendo feito, dito, escrito pelos nossos contemporâneos. Meu dia geralmente é entre aulas, com o Ipod na orelha, cantarolando de tudo. De Noel Rosa a David Bowie, passando por Sinatra e Corinne Bailey Rae.


BC: E seu musical favorito?


RR: Um só? Difícil... Amo Cabaret, Wicked e RENT.


BC: Há algum trabalho que você olhe para trás e pense: deste eu tenho mais orgulho. E algum que você olhe e pense: se arrependimento matasse...?


RR: Me orgulho e muito de Avenida Q... Até hoje, aonde eu vou, sejam pessoa do meio ou não, rola o comentário: que peça, que elenco especial, que conjunto... E foi isso mesmo: um conjunto certo na hora certa! Foi tudo muito encaixadinho, meant to be sabe? Agora o outro lado, sinceramente não... Pode parecer piegas, mas sempre me divirto e aprendo fazendo algo. Posso não querer repetir, mas daí a dizer que me arrependi? Não!


BC: Há ainda alguma peça, novela, alguma personagem que você queira fazer e ainda não teve oportunidade?


RR: Muitos, mas já deu pra ver que sou uma pessoa plural neste sentido... Tantos que nem dá pra nomear (risos).


BC: A Renata Ricci é fã? De quem?


RR: Fã? Não sei, mas admiro muita gente. Nunca tive esta coisa, nem quando adolescente, de ter cartaz de alguém, de olhar como se a pessoa fizesse parte de um panteão. Mas admiro muito Paulo Autran, Chaplin, Meryl Streep, Wagner Moura, Liz Taylor e tantos outros.


BC: Como são seus fãs? São daqueles que você pode parar para tomar um chopp numa tarde qualquer ou não há esse tipo de interação?


RR: São de todos os tipos! Tem os que se tornaram amigos, tem os que me perseguiam até de maneira doentia, tem os tímidos, os engraçados... Tem de tudo! Tirando o stalker, tenho uma relação bacana com todos! É um carinho muito bom, que eu gosto de receber! Às vezes a gente está cansada ou triste com algo, mas me esforço pra sempre dar atenção, pois sei que pra pessoa aquele é um momento único.


BC: À lá Gabi me diga: Uma frase, uma música, uma citação, qualquer coisa que você acha que defina o básico de você (ou que você goste, enfim)...


RR: Todo dia é dia, de usar roupa bonita, de amar, de dar o seu melhor! Amar, seja o que for, é o que nos salva!


BC: E para encerrar: Renata Ricci por Renata Ricci.


RR: Pessoa de número 11, nascida num dia também 11 em uma bela e louca família. Que é mais quieta e sozinha do que parece, com um coração enorme e que às vezes suspeita que nasceu na era errada!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Chegamos enfim ao Clímax...


“Keep walking!” grita Marina Lima numa das faixas do disco que lança nesta semana, Climax. O 19º álbum de sua carreira chega às lojas apenas dia 10, mas já vazou na internet uma semana antes. Se alguém me perguntar: você baixou? Eu responderei: baixei! Se alguém me perguntar: por quê? Eu responderei: porque não? Este seria um tema do qual eu poderia falar, falar e falar (escrever, escrever e escrever), mas fugiria completamente à minha ideia inicial: o Climax. Keep walking!

Digo que sou um fã tardio da obra de Marina. Mesmo já conhecendo hits como “Fullgás”, “Charme do Mundo” e a inevitável “Uma Noite e ½” eu ainda não tinha noção da dimensão do trabalho desta compositora que, a meu ver, é uma das mais importantes do pop brasileiro (mesmo que a parte mais popular do público – a que se diz pop – não a reconheça como tal). Sua obra chegou a mim em meados de 2006 (final de 2005, na realidade), antes do lançamento do álbum Lá nos Primórdios. Meu primeiro contato (contato mesmo, contato real, sabe? Aquele que te deixa de 4?) foi com o Acústico Mtv que me deixou na época fascinado pela voz nada convencional e pelas letras de alto teor confessional de sua obra (é até hoje um trabalho que me traz boas recordações). Mas eis que chega a minhas mãos o Lá nos Primórdios (isso na época em que eu realmente comprava os Cd’s para ouvi-los, não para tê-los... os tempos mudaram) com suas letras, levadas, vozes, seu “Vestidinho Vermelho”, sua “Anna Bella”, sua ciranda meio jazzística, meio moderna “Valeu”, sua releitura de “Difícil” e tudo o mais. Aquilo caiu como uma luva para o que eu procurava dentro da música brasileira e eis que me torno fanático por Marina Lima e passo a conhecer os shows (o primeiro que fui, me lembro ainda hoje, foi em junho de 2007 no Citibank Hall em São Paulo, turnê Topo Todas Tour), os álbuns (o primeiro que comprei foi a coletânea Milennium – na época em que eu não era avesso às coletâneas) e tudo o mais. Marina entrou na minha vida como um baque e foi se adaptando a ela (eu fui me adaptando a ela) e assim o tempo passou. Eis que 5 anos depois o garoto fã já não é mais tão fanático assim. O fanatismo virou respeito e admiração e a euforia virou curiosidade e desejo, tudo isso somado a uma aproximação voluntária da obra da cantora e da própria cantora... Os tempos mudaram. Climax, o álbum que esperei com tamanha sede, com tamanha vontade, finalmente chegou a meus ouvidos e, ao ouvir pela primeira vez, me decepcionei. Nada do que eu imaginava, um som sem a sensualidade que eu esperava, nada do que o nome, “clímax”, sugeria, nada disso. Deixei o álbum (em forma virtual) de lado e fui procurar outras coisas para ouvir, mas alguma coisa ainda me chamava a atenção: por que eu não gostei? Por quê? Por quê? Por quê? Essa pergunta me ecoou tanto que decidi reouvir o álbum e eis minha surpresa: que trabalho maravilhoso! Marina atiça todos os meus sentidos e, depois de 5 anos, eles andaram adormecidos e quando acordaram se sentiram atordoados. Agora em total compreensão eles dizem: Estamos no clímax! O álbum me deixa bem, com vontade de produzir, com vontade de ouvir, mas o fogo já não é mais o mesmo. Nada se compara à primeira vez que ouvi “Virgem”, “Ainda é Cedo”, “Difícil”, “Vestidinho Vermelho”, “Valeu”, “Arco de Luz”, “Mesmo que Seja Eu”, enfim... Agora ouço tudo com um crivo maior: o do fã que sabe o que a cantora pode produzir e, graças, não me decepcionei. Meus instintos agora gritam felizes: Marina! Marina! Marina! Meus ouvidos me agradecem, minha alma canta sem que eu precise ver o Rio de Janeiro, porque este álbum me leva para todos os cantos possíveis, desde os abstratos até os mais concretos; Desde um belo quarto de iluminação azul e uma bela cama rodeada de espelhos (“Não me Venha mais com Amor”) até Portugal para acompanhar bela história de dúvidas (“Lex”); Me faz continuar andando sem precisar saber do meu caminho (“Keep Walking”) e faz com que eu aporte em São Paulo para explicá-la (como se isso fosse possível) e afagá-la (“Sampa Feelings”); Me faz sentir. Climax é puro sentido.

Marina está de volta (como se já tivesse sumido) e mais uma vez me deixou em ponto de bala para mais! Climax é o começo, Climax é o meio, mas, com certeza, não é nem o ensaio do fim.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Deus da Carnificína: risco dos valores na comédia


“O teatro em sua forma mais nobre. Texto da francesa Yasmina Reza ganha montagem excepcional”. É exatamente isso o que está escrito num grande cartaz que enfeita o hall do Teatro Vivo em São Paulo. A crítica de Bárbara Heliodora (a crítica de teatro mais importante – e temida – do Rio de Janeiro, quisá do Brasil) para o jornal O Globo já deixa o espectador havido para assistir uma das melhores comédias em cartaz nos palcos paulistanos. Deus da Carnificina cumpre concorrida temporada no Teatro Vivo após uma longa e vitoriosa temporada no Rio de Janeiro, no Teatro Maison de France. Tive a oportunidade de conferir a peça no sábado, 04, e tive de esperar em torno de 3 dias para poder escrever sobre, tamanho o medo de ser injusto ou leviano com as palavras. Três dias me foram o suficiente para perceber que eu tinha a razão quando pensei assim que saí do teatro: essa é a melhor comédia que já vi em São Paulo! – e olha que não foram poucas (só para constar: Trair e Coçar, é só Começar, Os 39 Degraus, Toc Toc dentre outras). Deus da Carnificina é uma comédia que coloca em risco muitos valores humanos: o do bom senso, a classe e a educação e o familiar. Trata de dois casais que se encontram numa reunião para tentarem resolver um problema que chega até a ser normal na vida dos pais: uma briga dos filhos. O filho de um dos casais acertou o filho do outro com um pedaço de madeira, “desfigurando” o garoto, como sentenciou Deborah Evelyn que dá vida a uma deliciosa Veronica: mãe zelosa, mulher de bons costumes e que preza pela moral, classe e educação. Bem parecida com sua personagem na novela das 21h, mas ainda assim muito diferente. A comédia não tem um único ritmo, ela vai se intensificando à medida que a história se desenrola e é essa uma das magias do texto de Yasmina Reza (a qual acaba de ganhar um admirador) muito bem traduzido por Eloísa Ribeiro (citando Bárbara Heliodora). A ideia de unir os dois casais com um tema que, a princípio, parece desinteressante acaba por ser o grande trunfo: como um tema desinteressante pode culminar numa das grandes loucuras atemporais de todos os séculos. Os quatro atores (Deborah Evelyn, Júlia Lemmertz, Paulo Betti e Orã Figueiredo) criam em cena um equilíbrio denso e ao mesmo tempo leve, em nenhum momento você se cansa de ouvir as histórias ou de ver as cenas. Júlia Lemmertz está, sem dúvida, em sua melhor forma dando vida à mãe do agressor mirim; Paulo Betti conseguiu fazer de uma personagem a princípio desinteressante um grande achado; Deborah Evelyn usa de toda a sua dramaticidade já mais que comprovada para criar uma personagem meio histérica meio equilibrada, uma delícia vê-la em cena; Mas o grande destaque é de Orã Figueiredo, que toma pra si as grandes piadas da peça e faz jus a elas, numa interpretação que passa do jocoso-cômico ao dramático em questão de segundos. É um prazer vê-los, principalmente quando estão em plena comunhão com o cenário. Discordando de Bárbara Heliodora que achou a introdução do espetáculo longa e sem sentido, achei-a talvez não necessária, mas aceitável, e mais: explicável. Enquanto rola a canção de introdução, Deborah e Orã arrumam o cenário (que a princípio parece sujo demais, muito em cena, mera impressão), arrumam a casa para receber os pais do agressor de seu pequeno filho. Um cenário nada simples, mas nada escrachado, puramente necessário (o jogo das cadeiras, os livros, as flores, o vaso, tudo!). E para finalizar algo que merece ser citado: a espontaneidade dos atores. A prova viva de que havia prazer em estar em cena era vê-los segurando as risadas quando Deborah jogava algo em Orã, ou então quando nenhum dos quatro conseguiu segurar o riso levando a plateia abaixo em espontâneos aplausos. Uma delícia.

Enfim, Deus da Carnificina merece ser visto e revisto (meu ingresso para a próxima vez já está garantido) porque o prazer de rir com essa peça (inteligentíssima, sem usar de clichês e apostando em piadas imprevisíveis) nunca é demais.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Entrevista com Marya Bravo!


Cantora, atriz e compositora, Marya Bravo é um dos nomes de peso dentro do cenário do teatro musical atual. Já esteve no elenco de grandes espetáculos como 7 - O Musical, Ópera do Malandro, Beatles num Céu de Diamantes e Lado a Lado com Sondheim, atualmente está em cartaz no Rio de Janeiro (Teatro OI Casa Grande) com o espetáculo Um Violinista no Telhado que, desde que estreou, tem recebido críticas entusiasmadas. Marya é filha do musico Zé Rodrix e prepara seu segundo disco de estúdio, um registro em estúdio do show De Pai pra Filha, onde canta apenas canções de seu pai. Marya já foi backing vocal de Marisa Monte, já participou de montagens de musicais na Broadway e lançou em 2009 Água Demais por Ti, seu delicioso primeiro disco, onde se mostrou uma compositora de mão cheia com temas como "Cólera" (um dos temas da série A Vida Alheia, de Miguel Falabella). Nesta entrevista Marya fez um resumo de sua carreira, falando da importância de ter feito parte da banda de Marisa Monte, de ter participado da montagem da Broadway de Hair, de ser filha de Zé Rodrix e do teatro musical no Brasil. Abaixo Marya Bravo!

Bruno Cavalcanti: Você é filha do músico Zé Rodrix, um dos nomes de peso da música brasileira. Houve algum tipo de influência direta de seu pai em sua carreira?

Marya Bravo: A influencia genética não tem como negar. Sinto muito a sonoridade dele nas minhas canções, principalmente da época que fui gerada, os anos 70.

BC: Você começou a cantar gravando jingles aos 4 anos de idade. Quando você decidiu que pretendia seguir a carreira de atriz?

MB: Com 8 anos fui a LA visitar meu tio e assistimos ao filme Fama. Naquela hora decidi que queria estudar numa escola como aquela e ser atriz. Consegui!

BC: A dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho fizeram uma nova montagem do musical Hair, como é pra você ter participado de uma montagem do musical ainda nos EUA?

MB: Foi muito importante para minha carreira e minha vida. Conheci os autores de Hair lá e fui dirigida por eles. Rodei a Europa com a peça e nem tinha 18 anos! Uma experiência incrível.

BC: Você participou de montagens de musicais como Cristal Bacharach, Lado a Lado com Sondheim, Ópera do Malandro e 7 – O Musical, dentre outros, todos da dupla Möller e Botelho. Como começou essa sua relação com os dois?

MB: Começou quando me chamaram pra fazer o Cristal Bacharach. A experiência foi tão boa dos dois lados que a estória seguiu em frente.

BC: Você lançou o álbum Água Demais por Ti, que foi elogiado pela crítica. Como você vê a aceitação do público por este disco? Isso é, o público como geral conhece seu disco ou apenas o público que já conhece seu nome de seus trabalhos no cenário teatral?

MB: Hoje em dia com a internet está muito fácil divulgar música e acho que tem muita gente escutando meu disco, das mais variadas áreas. Mas com certeza os fãs de musical são presença certa nos shows.

BC: Como você vê o teatro musical brasileiro hoje? Há espaço para o teatro musical?

MB: Nossa, muito! Quando cheguei ao Brasil tinha um musical por ano, se tivesse. Hoje temos várias empresas entre Rio e SP fazendo diversas produções por ano. Aumentou muito mesmo.

BC: Na televisão você é uma presença bissexta, sua última participação (salvo engano) foi num episódio da série A Vida Alheia, do Miguel Falabella. Por que você não participa mais do cenário televisivo? Faltam convites e oportunidades ou falta vontade?

MB: Não sou muito da TV. No começo da carreira fiz bastante coisa, mas prefiro muito mais o palco.

BC: Você fez parte da premiadíssima montagem de Beatles Num Céu de Diamantes, que atravessou as fronteiras da Europa sendo apresentado na França. Como foi esta experiência de chegar a um país diferente com um musical totalmente brasileiro e com canções dos Beatles?

MB: Foi maravilhoso. O Beatles era mágico.

BC: Olhando para trás, há algum trabalho que você olhe e pense: “nossa, que orgulho de Tê-lo feito!”? E há algum que você olhe e pense: “se arrependimento matasse...”?

MB:orgulho: Somos Irmãs e 7- O Musical

BC: A turnê do álbum Água Demais por Ti foi muito bem aceita no Rio de Janeiro. E em São Paulo? A turnê chegará a ser apresentada na terra da garoa?

MB: 2011 me aguardem!

BC: Agora falando com a Marya Bravo espectadora. Qual seu musical favorito?

MB: No momento amo Grey Gardens.

BC: E música? O que você ouve?

MB: Ouço pouco por incrível que pareça. Adoro silencio. Quando ouço dou um shuffle e vem coisas como Beatles, Rufus Wainright, Posrtishead, Secos e Molhados, Som imaginário entre outros...

BC: Você chegou a participar de uma turnê e de um DVD da Marisa Monte, Memórias, Crônicas e Declarações de Amor. Como foi essa experiência?

MB: Foi uma das mais importantes da minha vida. Foi lá que comecei a compor. Sou eternamente agradecida por essa experiência e todos que me rodearam nessa época.

BC: É possível viver apenas de teatro musical no Brasil?

MB: Sim.

BC: Você participou da montagem de Lado a Lado com Sondheim, que contou com o próprio Sondheim como expectador. Como foi a experiência de ter em sua platéia um dos maiores compositores da história do teatro musical?

MB: Sondheim viu o Company. No Lado a Lado com Sondheim ele mandou uma carta elogiando! Muito maneiro

BC: Como é sua relação com seus fãs?

MB: Sou bem tranquila.

BC: Você faz parte do elenco de Um Violinista no Telhado, mais um musical que leva a grife Möeller e Botelho. Como surgiu essa nova parceria? Fale um pouco de sua participação neste espetáculo.

MB: Um Violinista no Telhado é mais um orgulho. Fui convidada pra fazer o papel da Fruma Sarah, um fantasma que aparece no sonho de Tevye. Estou voando em cena! Estou muito feliz de estar nesse elenco e me superando fazendo coisas diferentes a cada trabalho.

BC:
Enquanto ensaia Um Violinista no Telhado você grava a o Cd com o repertório do show De Pai para Filha. Fale um pouco desse projeto. Como e quando surgiu a ideia de você cantar o repertório composto pelo seu pai?

MB: O Cd surgiu do show. Fui convidada pela Bia Radunsky do Espaço SESC pra fazer uma temporada cantando musicas do meu pai. O DJ Zé Pedro de São Paulo soube do show e me ligou. Ele tem um selo chamado Jóia Moderna e me fez a proposta de gravar. Amei muito. Fico muito feliz com a oportunidade de cantar as musicas do meu pai, principalmente essa fase anos 70 que escolhi.

BC:
Há alguma ressalva de sua parte em cantar o repertório de Zé Rodrix? Afinal das filhas dos grandes ícones da música brasileira você é uma das poucas que, além de ser filha de um grande compositor, parece se arriscar sem medo no repertório dele.


MB:
Não tenho ressalva nenhuma. Tenho felicidade e orgulho dessa minha herança. Me sinto próxima do meu pai cantando as musicas dele. Isso só me traz alegria.


BC:
Me diga uma música favorita deste novo trabalho, De Pai pra Filha.


MB:
Nossa, tem muitas. Amo
“Hey Man” e “Quando Você Ficar Velho”.

BC: Marya Bravo por Marya Bravo.

MB: Voz.

Toda sexta de junho, uma entrevista!


Eis mais uma novidade! A partir de hoje, todas as sextas-feiras do mês de junho publicarei uma entrevista inédita aqui no blog. Os nomes, como de praxe, serão mantidos em segredo até o dia da publicação. Teremos três atrizes e um mega diretor. As entrevistas foram realizadas por mim via e-mail durante o ano passado e o mês de abril/ maio deste ano. Serão 4 no total. A primeira entrevistada é a cantora, compositora e atriz Marya Bravo, em cartaz com o elogiadíssimo musical Um Violinista no Telhado no Teatro OI Casa Grande, no Rio de Janeiro, e preparando, pela gravadora Jóia Moderna, o registro em estúdio do show De Pai pra Filha, onde canta canções de seu pai, o músico Zé Rodrix.

Boletim Clímax: Ingressos esgotados!


Se esgotaram em menos de 30 minutos todos os ingressos para as três apresentações que Marina realizará no Teatro do Sesc Vila Mariana em São Paulo, dando o ponta pé inicial na turnê de divulgação do álbum Climax. Os shows ocorrem dias 24, 25 e 26 de junho, sexta e sábado às 21h e domingo às 18h.

Boletim Clímax: O disco vazou


A notícia é velha, mas decidi esperar para dá-la aqui. No dia 31 (ou 30) de maio eis que me surpreendo ao receber um link (o qual, por questões de bom gosto, não publicarei aqui) contendo o conteúdo de Climax para download. O álbum completo, todas as 11 faixas, foram disponibilizadas para download "ilegal" na rede, ou seja, o álbum vazou. Com lançamento agendado para 08 de junho, Climax é o 19º álbum de Marina. Nele há participações especiais de Karina Buhr, Edgar Scandura, Samuel Rosa e Vanessa da Mata, e conta com a produção de Edu Martins. Só adianto: o disco é belo!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Nós preferimos as loiras: Marilyn Monroe


Poucas pessoas sabem (bem poucas mesmo), mas sou um convicto admirador de Marilyn Monroe. Poucos sabem disso não por eu manter em segredo, mas porque ninguém jamais me perguntara. Aquele furacão loiro (ainda mais furacão e ainda mais loiro que Madonna e Paula Toller juntas) permeia o pensamento, o imaginário popular como um todo ao se falar em símbolo sexual. Marilyn foi e ainda é o verdadeiro símbolo. Má atriz, má cantora, porém sabia como fazer o público se curvar a suas pernas que, de tão lindas, disputam o imaginário cultural apenas com as de Marlene Dietrich. Marilyn nasceu em Los Angeles e estourou para o público quando protagonizou o delicioso Niagara em 1953 (aquele filme onde ela fazia uma mulher sensual e maléfica que planejava a morte do marido babaca e praticamente senil). Marilyn é lembrada sempre pela deliciosa cena em que canta "Diamonds Are a Girl's Best Friends" no clássico Eles Preferem as Loiras (para os que não se lembram, Madonna se inspirou na cena para criar o clipe de "Material Girl"). Mas todos se lembram mesmo é de Marilyn cantando um delicioso "Happy Birthday to You" ao então presidente Kennedy (visto seu envolvimento com o mesmo e todo aquele rolo que nós já conhecemos). Se viva miss Monroe comemoraria 85 anos de vida hoje e, confesso, estou aliviado por ela não estar apagando hoje as velinhas. Isso pode ir contra tudo o que o bom senso e os bons modos dizem, mas acredito que, tanto para sua imagem quanto para sua auto estima, foi melhor ter morrido deixando esta fama de mito e estrela. Talvez se estivesse viva estaria, como muitas, vivendo de uma glória do passado. A estrela teria se apagado (visto que já demonstrava pequenos fios de fracasso pouco antes da morte) e o grande mito não existiria. Com toda a certeza muito da cultura norte americana (e até a Ocidental) seria diferente se Marilyn estivesse viva. Acredito que ela envelheceria com dignidade, mas talvez seu ego (que não era pequeno) não a deixasse seguir em frente, e suas aparições acabariam sendo, no mínimo, dignas de vergonha alheia (a lá Lady Gaga). Fico feliz que Marilyn ainda seja lembrada como "o furacão loiro" e sua imagem não tenha se apagado tanto tempo depois. Ela, uma diva de Hollywood que saiu de cena talvez no momento certo (mercatodologicamente falando, claro). Marilyn me emociona e vejo nela uma imagem que todos deveriam seguir: força, sensualidade, classe e bom gosto.
Sim, nós ainda preferimos as loiras.